Mais Basquete no seu e-mail

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O medo ganha da racionalidade

Essa semana publiquei em meu blog (http://maisbasquete.blogspot.com) um e-mail que circulou no RS. Nele, Carlos Nunes repassava o e-mail recebido de José Medalha, indicando a matéria anterior do Draft Brasil, com o assunto de “Carlinhos leia essa matéria”. Logo em seguida o jornalista Juarez Araujo manda rasgados elogios para o Carlinhos, chegando a chamá-lo de “meu presidente” e dizendo que esse era caminho para a vitória. Contestei os dois e, óbvio, os dois responderam. A surpresa é a resposta do jornalista Juarez Araujo, com grosserias que em nada tem de positivo para o debate que ora estamos propondo. Já José Medalha assume sua posição, dizendo que caso Carlos Nunes seja candidato a presidência da FGB terá o seu apoio. Tudo isso está no mais basquete.

O que há de importante nisso para o basquete gaúcho? Diz muito do que é capaz Carlos Nunes, pois ele usou uma correspondência pessoal para promover-se, ou seja, duas pessoas que confiam nele, crêem que podem dialogar, trocar idéias com ele, que seu nome é o mais adequado para a administração do basquete brasileiro (que engano triste...) e que possuem respaldo nacional por suas histórias, foram usadas para que, no RS, outras federações e pessoas de renome no basquete brasileiro vejam que ele tem o apoio de José Medalha e de Juarez Araujo – o cara que criou a revista Super Basquete.

Exatamente o que me chegou por e-mail, como conseqüência do publicado no blog, com o assunto “Frases de CN em um jantar em Santa Catarina”:

"O Mauricio Fregonezi esta do meu lado ( e depois meteu o malho no tal de Mauricio)"

"Toni sabe que esta sem chance e esta se chegando para o meu lado"

"Brunoro esta bancando tudo na minha campanha"

Dito isso, pergunto: a Brunoro Marketing Esportivo fez a lição de casa ou pegou a primeira possibilidade de vitória e, lógico, colocar a mão na grana de patrocínios para o marketing da CBB? Toni Chakmati, o que vai me dizer disso?

Isso reforça o que quero dizer sobre o uso da influência alheia para benefício próprio. Quando lemos que Pelé apóia a copa do mundo no Brasil, pensamos que o evento pode ser saudável para o nosso futebol – Pelé apóia o futebol brasileiro, não a CBF, mas é política, abe como agir. Guardada as proporções, José Medalha apoiar Carlos Nunes soa semelhante, já que ele é o assistente técnico de uma de nossas últimas grandes vitórias e ex-candidato ao cargo máximo da CBB em 2004,  contestando Grego e Carlos Nunes. Não é engraçado?

José Medalha possui o nosso respeito – o meu ele permanece tendo, principalmente por sua resposta a um desconhecido, mas com a discordância que o processo democrático nos permite. Mas quando conto que houve uma Assembléia Geral Extraordinária, convocada para alterar o estatuto da FGB, favorecer o Carlinhos e que teve 21 presentes, sendo que 10 deles representados por procurações e, pasmem, os procuradores eram... Árbitros da FGB, não dá pelo menos um coceirinha na cabeça? Sim, árbitros representavam os clubes na AGE e votaram no que era melhor para os representados (deixar como está) ou no que queria e levou o mandatário do basquete gaúcho?

Esse é o tema de hoje: o medo como ação preventiva. Muitos dos interlocutores que mantivemos contato e que votaram pela prorrogação do período eleitoral disseram isso: se vou contra, terei prejuízo, se o trabalho de vocês vingarem, em junho voto com vocês. Mas qual será o truque que ocorrerá em junho? Outro me escreveu pedindo para não citar o nome do clube dele (e o dele também, é lógico), pois poderia lhe causar constrangimento internamente, mesmo que o clube dele, via diretoria, queira mudança, se a idéia partir dele, pode ser alcançado pelas garras do dragão.

Medo minha gente, medo. Esse é o sentimento que move o basquete gaúcho. Não é vergonhoso ter medo. É saudável. É na adversidade que conhecemos nossa força e nossa capacidade de reagir, como um conserto da postura que deveríamos sempre ter tido: agir, ser dono de nossos desejos e decisões e externá-los. Mas o medo, em si, ainda mais quando se coloca em jogo nossas conquistas, nosso trabalho de anos, é válido. Eu tenho medo, por mim e por minha família. Temo por minha vida, pois o recado já foi dado: “o Carlinhos é do mal...”. O problema é que quem deu o recado, achou que eu iria me acovardar e que meu silêncio, por uns dias, foi em função de suas palavras. Foi em função de eu ter pensado que queria o bem do basquete, como nós e que poderíamos compor um única oposição. Nem tocar no meu ego foi capaz de me tirar do prumo, mas o amor pelo basquete [leiam Amor ao Brasil (amor ao basquete) e compreendam minha posição].

Então, para alguns são só negócios e interesses. Para outros é só trabalho, para os diretores e técnicos que são empregados, ter medo é sinônimo de manter o trabalho. Proteger o sustento de alguém inescrupuloso, sem caráter e mal intencionado ou mal administrador é uma atitude normal – haja visto todos os processos judiciais que a FGB responde e outros que é autora, com destaque para a execução de dívida fiscal pelo governo do estado do RS. Por isso que quando li o Blog do Juca e vi o título dessa postagem, percebi que ele se encaixava nesse texto: estamos tão acuados, tão medrosos que nossa racionalidade some, não pensamos mais, agimos por instinto e o instinto é proteção. assim dizemos o que o interlocutor quer ouvir, no caso, aprovação do que diz. É um assédio moral, um bullying entre adultos, entre instituições.

Imaginem, agora, esse senhor gerindo a CBB? 1,5 milhão da lei Agnelo/Piva, mais 5 milhões da Eletrobrás e outras receitas menores. Não venham me dizer que existe controle por que isso é o que menos há em nosso esporte. Exemplo disso é o fiasco do controle do Pan 2007 ou o passeio pós derrota no pré-olímpico mundial em Atenas e que ninguém mencionou ou, ainda, a CPI do senado que está sendo abafada.

Mais uma coisa: foi pedido cópia dos documentos e da ata da AGE realizada dia 11/12/2008, dando prazo de 5 dias para a FGB responder. Tudo bem, vai estar disponível. Ontem, findava o prazo. O que encontramos na FGB? Um cartaz, na porta, dizendo que estão de recesso até 05/01/2009, inviabilizando a realização da eleição dentro do estatuto da FGB, pois atrasa o trabalho da oposição, mas através de negação ou adulteração de documento público – está no código penal isso, correto? Creio que diga lá pena de 2 anos de reclusão e multa. Manobras, enrolações, pressões... Parece que logo será lançado o AI-5 do basquete gaúcho...

Então, Carlos Nunes e seu sorriso, suas gentilezas, tom de voz baixo, cunhado em anos de experiência, “embrometion” e “enrolation” continua o cordeirinho? O grande nome para quem me lê? Levem em consideração que as mentiras podem ser foco de um processo judicial, mas não ocorrerá, por que não escrevo mentiras. aliás, que mentiroso dura tanto tempo impune? Seria magnífico ter a oportunidade de responder por isso que escrevo em juízo, talvez provando judicialmente que são relatos da verdade, fosse tomada alguma atitude contra tudo o que denuncio há anos, contra esse câncer do basquete gaúcho que quer se espalhar pelo país.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Medalha tem posição; discordo dela, mas a respeito

Caro José Medalha:

 

essa é uma postura correta, de sua parte. Me dou ao direito de discordar dela, mas a respeito. Estou, com esse blog, procurando mostrar que Carlos Nunes não é a pessoa mais adequada para dirigir o basquete do bairro, quanto mais o basquete gaúcho e nacional. Várias armações, distorções da democracia, perseguições e pressões provam isso. Se vários gaucham levantam sua voz – não são muitos, pois a maioria crê que se livrará dele quando se eleger na CBB – e sendo, alguns deles, atletas comandados por ele e pessoas que trabalharam com ele na SOGIPA, há que se desconfiar. Mais que isso, nesse momento, no RS, temos 3 chapas inscritas, sendo uma de Carlos Nunes que, para garantir o próprio voto, conseguiu em uma assembléia repleta de irregularidades (leia os outros tópicos), postergar a eleição de janeiro para junho, ou seja, após o pleito da CBB: isso mostra insegurança com os votos que angariará para a CBB e a necessidade de não largar o osso. O engraçado que na assembléia ele disse que concorreria a CBB por querer fixar residência no Rio de Janeiro. Então por que estender o mandato na federação gaúcha?

Espero que eu, que não sou de sei convívio, consiga convencê-lo a analisar os fatos. Pelo menos. Será muito ruim se pessoas de sua posição mantiverem apoio ao Carlinhos e ajudarem a levá-lo à presidência da CBB. ele esteve a frente da FGB por 14 anos e nada conseguiu fazer para alavancar o basquete gaúcho, pois é turista aqui.

Agradeço por seu posicionamento e disposição ao diálogo. Vou me esforçar para mostrar o quão inadequado será seu apoio ao Carlinhos. Por mais afável e gentil que ele seja ao tratar com as pessoas, ele é um péssimo dirigente.

Carlos Alex Soares

 

De: Jose [mailto:noreply-comment@blogger.com]
Enviada em: quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 16:44
Para: carlosalexsoares@gmail.com
Assunto: [Mais Basquete] Medalha diz: "Carlinhos leia essa matéria"; Juka A... tem um comentário novo.

 

Jose deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Medalha diz: "Carlinhos leia essa matéria"; Juka A...":

Carlos Alex
Tomei conhecimento dessa notícia no seu blog quando faz referência ao meu nome em um e-mail encaminhado ao Sr. Carlos Nunes, presidente da FGB e possivelmente candidato a CBB (creio que o registro da candidatura ainda não se efetivou estatutariamente). Não entendi as ilações quanto à minha amizade com o Sr. Carlos Nunes, que, inclusive, foi um dos presidentes que referendou a minha candidatura a CBB no ultimo pleito, embora não tivesse votado em meu nome.Informo ainda que nao tenho direito a voto, como vc bem sabe, nem procuração de nenhum presidente e, a minha posição pessoal será publicamente definida assim que os candidatos tiverem registro de candidatura. Acrescento ainda que, em função de minha nova posição na FIBA como agente credenciado não posso ter nenhum cargo, como talvez qualquer ilação pudesse estar sugerindo como por mim pleiteado em troca de apoio. Todavia, no momento atual, a se definirem as candidaturas que estão sendo divulgadas pela mídia o Sr Carlos Nunes terá o meu apoio e incentivo irrestrito dentro do meu posicionamento pessoal de sempre dizer as coisas clara e abertamente, como sempre foi do meu feitio.
Jose Medalha
Postado por Jose no blog Mais Basquete em 17 de Dezembro de 2008 16:44

Isso parece resposta de quem está com a consciência tranquila?

Caro Jornalista:

 

sua ira deveria estar direcionada ao Carlinhos Nunes que usou teu e-mail pessoal, “meu presidente”, e distribuiu. Por quê? Por que reconhece o teu trabalho e a importância do teu nome e do José Medalha no meio do basquete. Olha para quem ele enviou e verás quem tem razão. Quando eu tento cuidar do basquete, estou cuidando de minha vida.

 

Cordialmente,

 

Prof. Carlos Alex Soares

 

De: Juarez Araujo [mailto:araujojuarez@hotmail.com]
Enviada em: quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 15:24
Para: carlosalexsoares@gmail.com
Assunto:

 

Cara, vou te pedir uma coisa. Meu presidente, eu falo pro Chakmati, Grego, Andres Sanchez, Juvenal Juvêncio, Márcio Braga e até Lula da Silva. Então, cuide da tua vida, dos teus recalques que eu sei perfeitamente o que devo fazer como jornalista esportivo. Não pedi, e não vou pedir emprego de assessor. Não preciso disso. Então, cuide ta tua vida e me esqueça.
 


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Medalha diz: "Carlinhos leia essa matéria"; Juka Araújo complementa: "...meu presidente!!!"

Recebi o e-mail, reproduzido abaixo, exatamente com esse título: "Carlinhos leia essa matéria". Entre surpreso e abismado, perplexo e assustado, visceral e reflexivo, resolvi dar uns arremessos... Só na quadra (quiçá tivéssemos muitas espalhadas pela cidade), no silêncio da noite, consegui deixar a energia fluir e compreender o que estava acontecendo. Minha surpresa vem da origem do e-mail: José Medalha. Depois do Medalha um jornalista conhecido e reconhecido no meio do basquete brasileiro, Juarez Araújo. O que eles fizeram: anunciaram a matéria do Draft Brasil para o King Charles, o homem dos 10 árbitros que, juntos, ele e os árbitros/procuradores, formam os Onze homens e um segredo , na verdade Dez homens, uma mulher e um segredo, mas isso é detalhe. Aliás, cabe um parêntese: quais interesses fizeram os árbitros saírem da obrigatória neutralidade e distanciamento da política federativa e passarem a ser representantes de clubes em atividade no RS? Ok, compreendo o medo desse grupo, mas a mensagem do jornalista, utilizada por Carlos Nunes em e-mail estrategicamente distribuído no RS e para algumas pessoas e federações que ele considera chave em sua candidatura me deixou assustado. Vejam:

 

Em 28/11/2008 09:51, Juarez Araujo   escreveu:

Tá com moral meu presidente. É assim que as coisas
vão crescendo, crescendo e no fim, vitória. Parabéns.
Juarez

Eu li e reli. E realmente, um dos críticos da CBB, acabara de se bandear para a situação, para a campanha de Carlos Nunes. Acontece que eu lhe peço para divulgar o blog, relatar os acontecimentos no RS e o que eu ouço é vou "providenciar". Apesar de meus sentimentos, me restam duas questões:

·         José Medalha, candidato a presidente da CBB em 2004, está apoiando Carlos Nunes em 2009?  Alguma promessa, mas acima de tudo amizade? Ele continua oposição e acreditando, ingenuamente, que King Charles abandonou Grego em prol do basquete brasileiro? Eu não acredito em Papai Noel...

·         Juarez Araújo, jornalista, oposicionista até pouco tempo atrás, passará a ajudar a divulgar as propostas de Carlos Nunes como candidato a presidência da CBB?

Essas duas questões me levam a dúvida de que, mesmo técnico reconhecido e jornalista conceituado, não sabem responder quem é Carlos Nunes. Não conhecem sua história no basquete gaúcho. Mas, afinal quem é Carlos Nunes. Posso pontuar algumas coisas que nos levarão a compreendê-lo:

·         ainda no início dos anos 80 morava em Pelotas, mas problemas nos negócios (vamos ser gentis) o fizeram mudar-se para Porto Alegre. Pelo que consegui apurar, até então acompanhava o filho esporadicamente na escola, assistia os jogos como qualquer pai;

·         muda-se para Porto Alegre, entre 1983 e 1986, e transforma-se em diretor de basquete da SOGIPA. Como ele conseguiu isso? Amizades de Pelotas que já estavam na capital trabalhando com o basquete;

·         Em 1993, após aprender as manhas do jogo, viajar várias vezes ao Uruguai (com o grupo adulto da SOGIPA e era época do dólar valorizado aqui...), montar essa estrutura forte no adulto, é surpreendentemente, demitido da SOGIPA. Por quê? Sabemos, mas precisamos de provas para poder falar o motivo... Ou quem sabe uma declaração do presidente da SOGIPA na época? Ou do Diretor de Basquete que o substituiu?

·         não contente, resolve ser presidente da FGB e consegue sê-lo, permanecendo por 14 anos no cargo, sem oposição. Mas agora ele tem oposição;

·         se apresenta, em várias entrevistas, como o vice-presidente da CBB (basta ver a inauguração do centro de basquete em Curitiba), mesmo que não possa sê-lo por lá, por ser presidente da FGB – manter os dois cargos é um jogo interessante de ser estudado;

·         é o presidente que leva 10 árbitros com procurações de 10 clubes, para votarem como representantes dos clubes, em uma Assembléia Geral Extraordinária que visava prorrogar o período eleitoral;

·         três desses árbitros, atuaram na final do estadual ontem, ao vivo, pela TV Com no RS;

·         fez um contrato de 4 anos com a TV Com, da RBS TV, mas não divulgou o valor do mesmo, nem para os clubes e, certamente, nem repassou o direito de imagem dos atletas;

·         criou caução para meu clube poder jogar, por uma dívida de R$ 300,00 que ele transformou, um mês atrás, em R$ 10.000,00, cobrando anuidade de 2 anos sem participar de campeonatos estaduais;

·         isentou filiados para poderem votar – nele, é claro;

·         bloqueou 2 filiados, de Pelotas-RS, que não deram procuração para um de seus árbitros e que filiaram-se para o Campeonato Escolar Estadual, da mesma forma que o Colégio Gonzaga, também de Pelotas-RS, mas que forneceu procuração para um dos árbitros.

Assim é a pontinha, da pontinha minúscula do iceberg. Vou relatar uma coisa antiga, mas que pode ser pesquisada e encontrada no Tribunal de Contas do Estado do RS. Em 1997 e 1998 o esporte gaúcho teve uma lei denominada Bolsas Olímpicas, que era para ser mantida até o ano de 2000 – um ciclo olímpico, certo? O Tribunal de Contas do RS disse o seguinte no Processo nº 19080200991, que analisava as contas da Secretária da Educação, onde estava o Departamento de Desportos, hoje FUNDERGS (www.fundergs.rs.gov.br):

"2) Subitem 1.3 do Expediente nº 1909-02.00/99-4 - Deficiente controle sobre o acompanhamento do Projeto Bolsas Olímpicas do Estado do RS, que consistia na distribuição de bolsas sob a forma de auxílios, para os principais atletas com dificuldades financeiras, que deveria ser executado entre os anos de 1997 até 2000, por ocasião das Olimpíadas de Sydney. Ausência de instrumento contratual com as diferentes federações, à exceção da Federação Gaúcha de Voleibol, que firmou convênio. Intermediação desnecessária da Secretaria da Educação, em detrimento do pagamento direto pelo Tesouro do Estado. Ausência de nominata dos atletas beneficiados com as cotas. Retardamento de prestações de contas do dinheiro repassado que atingem o total de R$ 1.784.600,00 (fls. 452 a 466). "

Mesmo sob essas condições, todas as federações receberam seus quinhões. O basquete no RS, recebeu quase R$ 500.000,00 em valores da época – não adianta reclamar, tenho os números dos repasses em mãos e cópias bem guardadas. Eu tive acesso a lista de atletas beneficiados. Em outras modalidades, como no tênis, há um exemplo: a tenista que processou – e ganhou – a Federação Gaúcha de Tênis, pois o dinheiro dela não havia sido repassado. Na época R$ 25.000,00. Em cálculo simples de atualização, o valor que o basquete recebeu, equivale a pouco mais de R$ 1.500.000,00 (hum milhão e quinhentos mil reais). Onde foi parar esse dinheiro?

Outra coisa interessante são os processos que Carlos Boaventura Correa Nunes e Federação Gaúcha de Basketball respondem. Vejam três deles abaixo, todos na comarca de Porto Alegre:

·         Alguns anos atrás a FGB tinha conta no BANRISUL. Trocaram para o Bradesco e o Banrisul abriu um processo contra a FGB: 4 ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central 2/1 – proc. N º 001/1.06.235758-0. O que será que houve para o Banrisul estar processando a FGB e seu presidente?

·         O Governo do Estado do RS está com processo de execução fiscal contra a FGB na 6ª Vara da Fazenda Pública do Central 2/1. Processo nº 001/1.05.0356178-2. O que é execução fiscal? Cobrança de impostos, correto? Pra chegar na justiça, quanto a FGB deve? É assim que a CBB vai ser gerida: usando e não pagando

·         contra a Brasil Telecom o Carlinhos entrou por julgar o valor pago por ação muito aquém do valor de mercado. Mas quem o autorizou a vender as ações dos telefones da FGB? O processo tem o nº 001/1.07.0169277-8.

Então, quando me vejo diante de gente de São Paulo, do norte-nordeste, centro-oeste e sudeste apoiando o King Charles, falando bem do articulador do Grego, só consigo analisar que isso ocorre por total falta de conhecimento do que faz e de quem seja Carlos Nunes. Para mim, me faltam muitas provas do que é dito por aqui no RS, mas vou chegar lá – na venda de coisas mais valiosas do que as ações dos telefones da FGB, da qual já tenho confirmação que é fato, mas não tenho o documento comprobatório em mãos.

Também não entendo como os clubes – por exemplo a ULBRA que saiu do RS, divulgou nota de esclarecimento, justificando a saída pela desorganização da FGB – votam nas propostas que atrapalham o processo, dificultam o andamento do trabalho da próxima gestão e permitem que o voto do RS vá para Carlos Nunes.

Espero que as pessoas compreendam a máxima: me diz  com quem andas que te direi quem és. Eu compreendo, pois tentei fazer o basquete andar aqui na Zona Sul do RS e o que mais me cobravam era o elo da Liga com a FGB/Carlinhos, sempre seguida de um risinho irônico e da pergunta: "estás ganhando quanto?".

 

 

De: carlos alex SOARES [mailto:basketdchua@hotmail.com]
Enviada em: terça-feira, 16 de dezembro de 2008 23:41
Para: carlos alex SOARES
Assunto: FW: Carlinhos leia essa matéria

 

---------- Forwarded message ----------
From: FGB <fgb@basquetegaucho.com.br>
Date: 2008/11/28
Subject: Fw: RE: Carlinhos leia essa matéria
To: "Frô (basquete)" <frobeat@yahoo.com.br>, FLAVIA SIMONE RUZICKI TIMM <flaviasimonetimm@brturbo.com.br>, Fernando Serpa <serpabasquete@hotmail.com>, Fernando Danni Trentini <ftrentini@bol.com.br>, fernandesjorge@ibest.com.br, Feliep Luz <fsabadinluz@oi.com.br>, FCB <fcb@basket-fcb.com.br>, Fabrício Falkowski <fabricio@sogipanet.esp.br>, Fábio Aita <fabioaita27@yahoo.com.br>, Ernani Campelo <montanha@correiodopovo.com.br>, Eoil Júnior <eoiljr@yahoo.com.br>, Eloisa <elo.mello@terra.com.br>, Eleno/Mauá <eleno@maua.g12.br>, Eduardo Reis <edureis18@hotmail.com>, Eduardo de Souza Alvim <cypresshill_skt@hotmail.com>, Eduardo Ceratti Llano <ellano@bol.com.br>, Edo <edisongcosta@uol.com.br>

----- Original Message -----

From: carlosgaucho@zipmail.com.br
To: fgb@basquetegaucho.com.br
Sent: Friday, November 28, 2008 11:59 AM
Subject: Fwd: RE: Carlinhos leia essa matéria

Em 28/11/2008 09:51, Juarez Araujo   escreveu:

Tá com moral meu presidente. É assim que as coisas
vão crescendo, crescendo e no fim, vitória. Parabéns.
 
Juarez


Date: Fri, 28 Nov 2008 08:36:05 -0200
From: carlosgaucho@zipmail.com.br
To: alcirmf@terra.com.br; araujojuarez@hotmail.com; duendedaareia@hotmail.com; galvaojr@linkway.com.br; joaoantoniodornelles@hotmail.com; marcelogaucho1@uol.com.br; marioazevedojr@terra.com.br; marramar@terra.com.br; mesqui32@terra.com.br; oscar.garbi@globo.com; ossox@globo.com; rmsenna@terra.com.br; sandrobengochea@hotmail.com; walterroese@hotmail.com
Subject: Fwd: Carlinhos leia essa matéria

Em 28/11/2008 08:05, Carlos Nunes   escreveu:

-----Mensagem original-----
De: jose medalha
Enviada em: 27/11/2008 15:45:36
Para: CarlosNunes
Assunto: Carlinhos leia essa matéria

http://www.draftbrasil.net/wordpress/?p=686

Jose Medalha
Coordenador de Educação Física-UNAERP- Campus Guaruja-
(13) 33981030 Cel (11) 82734494

Jose Medalha
Coordenador de Educa��o Fsica-UNAERP- Campus Guaruja-
(13) 33981030  Cel (11) 82734494

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Nota de Falecimento

É com extremo pesar que comunico o falecimento do Basketball Gaúcho, dirigido por Carlos Nunes, nos últimos 14 anos, com perdas ainda imensuráveis no que diz respeito ao seu patrimônio móvel e imóvel, mas com visível descrença e desrespeito pelo mesmo por parte de seus filiados, permissivos com tais atitudes e, infantilmente, determinados na defesa da unidade dos integrantes do ente querido, como se essa atitude fosse salvar a vida do mesmo que, permanecendo nas mesmas mãos, será totalmente exterminado, consumindo até as cinzas. Os presentes ainda perceberam, junto com a morte do Digníssimo Esporte, a morte da moral, da ética e do processo político realizado com lisura e transparência, além de continuarem sem respostas para questões como a venda da ação dos telefones pertencentes a FGB, os débitos do falecido, em lide Carlos Nunes, com os tributos estaduais e, longinquamente, na explicação dos R$ 486.587,00* recebidos pelo falecido para distribuição das Bolsas Olímpicas do Governo do Estado do RS em 1997 e 1998.

Basketball Gaúcho estava prestes a dar um grito de liberdade quando, as 16h de 11/12/2008, em Lajeado, repentinamente, foi sufocado pelo Sr. Carlos Nunes e 10 comparsas/coligados, utilizando-se do elemento procuração para assassiná-lo. Durante os jogos do mesmo, os comparsas/coligados se transformam em árbitros da modalidade no RS, com autoridade, autoritarismo, perseguições e revanchismos sem precedentes na história do falecido. Os mesmos coligados, apesar das diferenças e atritos com os técnicos e entidades desportivas, apareceram mascarados de representantes legais dos mesmos, de defensores dos interesses dos clubes. São eles: Árbitros Nacional José Luiz Azevedo Barbosa; Árbitros Regionais Daniel Maturro Dávila, Angela Martins dos Santos (Flor), Marcos Roberto Marzoni Filho, João Luciano Silveira Rosa e 2 Árbitros novos que não sei o nome; e, finalmente, o Diretor Técnico da FGB Sandro Vetorino Bengochea. Vamos ver em quanto tempo serão promovidos...

Lamento o ocorrido e ofereço aos jovens, aos praticantes e aos amantes do basketball gaúcho minhas condolências, bem como meus mais estimados préstimos.   

 

* Esses são valores de 1997 e 1998 que, corrigidos a uma taxa de 12% ao ano, equivalem a R$ 1.590.025,11 (isso mesmo: mais de HUM MILHÃO E QUINHENTOS MIL REAIS). Que atleta pode me dizer que recebeu essa bola? O valor dela? O número de parcelaS? Eu tenho a lista completa, de 1999, além do parecer do Tribunal de Contas do Estado.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Manipulação de AGE no basquete gaúcho

Este texto também foi publicado no Draft Brasil (http://www.draftbrasil.net/wordpress/).

 

Hoje me sinto feliz, pois o Guilherme, do Draft Brasil, me convidou para escrever essa coluna sobre a realidade do basquete gaúcho. Não vamos perder tempo, pois as mudanças ou a perpetuação no poder estão sendo tramadas. Até traições bem arquitetadas, planejadas nos bastidores da CBB estão sendo colocadas em prática.

Carlos Boaventura Correa Nunes. Esse é o nome que muitos jornalista, assessores de imprensa, clubes e federações no Brasil estão querendo apoiar para ser presidente da CBB, por sua postura séria e educada. A primeira coisa que essas pessoas devem fazer é perguntar para a SOGIPA por que demitiu o Diretor de Basquete em 1993, no auge do basquete adulto do clube, com patrocínio da Pepsi que contemplava todas as categorias, mas principalmente permitia que o adulto contasse até com jogadores norte-americanos. Dito isso, acrescento que meus blogs – e agora essa oportunidade de escrever para o Draft Brasil – visam salvar o basquete brasileiro e, certamente, Grego e Carlinhos não as pessoas para essa missão, aliás, eles fazem parte da mesma panelinha, responsáveis pelos mesmos fracassos, participes das mesmas brigas com jogadores e as diversas perseguições que ocorreram nesse período. Querem ver o basquete brasileiro como o gaúcho está? Fiquem a vontade, entreguem a chave e a presidência da CBB ao Sr. Carlos Boaventura Correa Nunes e comecem a jogar peteca – nada contra, é bem lúdica e me divirto na praia com meus filhos.

Digo isso com a tranqüilidade de quem o apoiou em 1993 a ser o presidente a partir de 1994 e logo percebeu o erro. Sou árbitro inativo da FGB, mais por vontade da própria FGB, leia-se Carlinhos Nunes, do que por ter desejado ou concretizado motivos que justificassem um afastamento. Comecei aos 22 anos e aos 26 anos já era Árbitro e Mesário Regional de 1ª, ou seja, seria árbitro nacional – e quiçá FIBA – antes de muitos que hoje estão aí, mas que cederam aos ajustes necessários para permanecerem na ativa. Não os culpo. Então, qual meu crime? Cobrar, pressionar, criticar a gestão de Carlos Nunes desde o primeiro momento; quando a CBB repassava dinheiro da Caixa e este não chegava no destino: taxas de arbitragem, redução de despesas dos clubes. A partir daí fui para a geladeira e de lá não saí mais.

Vários atitudes, comprovações e questionamentos que colocarei aqui permitirão aos leitores tirarem as próprias conclusões. Acima de tudo minha postura me deixará com a alma tranqüila, pois terei feito o mínimo possível: usar a escrita e a coragem de dizer o que penso, relatar os fatos, pesquisar e mostrar os resultados, as distorções e as manipulações que ocorrem em benefício próprio.

Como o tempo urge, vou falar do que ocorrerá nessa quinta-feira, 11/12/2008, no RS. Em 25/11/2008 me chegou as mãos a cópia de um fax enviado pela Federação Gaúcha de Basketball. Era a Nota Oficial 061/08, assinada por Carlos Nunes, convocando os filiados, em dia com suas obrigações, para uma Assembléia Geral Extraordinária solicitada por dois clubes e com o objetivo de alterar parcialmente o estatuto da FGB. O que “querem” os clubes? Transferir a eleição à presidência da FGB de janeiro para junho de 2009, passando para depois da eleição a CBB. Ou seja, se eleito na entidade-mãe, Carlos Nunes nem concorrerá na FGB; caso contrário, seria obrigado a usar de procurações, dar filiações a escolas que participaram de competições estratégicas em troca das bolas que a penalty repassa, por força de contrato, as federações estaduais com o intuito de serem doadas aos clubes, mas no RS nós pagamos por elas.

O divertido nisso tudo é que o fax foi enviado aos clubes que ele sonha que o apóiam – sim, um deles nos enviou o fax. Pior que isso: a nota oficial 061/08 foi publicada no site da FGB, como de praxe. Depois de minha denuncia no Mais Basquete, a nota foi publicada o site, mas como sendo a 060/08, ou seja, ele mandou um documento, procurando manipular os clubes e só convocar os que o apóiam e cometeu um deslize primário, que impede qualquer príncipe ter êxito em suas empreitadas.

Essa é apenas a ponta do iceberg. Outras constatações, que destrincharei para todos os amigos do basquete, serão reveladas para o basquete brasileiro, como, por exemplo, os processos de execução fiscal (não pagar tributos) que a FGB responde ao RS, as ações dos telefones que ele vendeu sem autorização dos filiados, como reza o estatuto,  e um processo que o BANRISUL move contra a FGB/Carlos Nunes.

Para encerrar,quero esclarecer que eu não viso criar problemas para a vida pessoal de ninguém, mas vou constatar fatos que podem bloquear as aspirações pessoais que, para mim, são dignas, pois sonhar é parte natural do desenvolvimento humano. Só não posso concordar que o sonho de algumas pessoas seja superior aos desejos e sonhos das comunidades que o circundam.

Boa leitura e mandem suas dúvidas e sugestões.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

II Basquete Solidário

Pelo segundo ano consecutivo o Pelotas Basketball Clube irá realizar o Basquete Solidário, evento que visa desenvolver o basquete, aglutinar os praticantes e arrecadar alimentos. Este ano faremos a coleta e entregaremos o arrecadado para o Lar Assistencial Espírita Fabiano de Cristo.

A novidade deste ano é a realização do das disputas no modelo do TriBasket espanhol, com torneio de habilidades, lance livre, arremessos de 3 pontos e de 2 pontos, além dos duelos 3 x 3, 2 x 2. O torneio termina com a partida entre Pelotenses x PBC/AFCEEE, marcado para iniciar as 16h.
Informe-se através do site do PBC (www.pbc2005.esp.br) ou do meu e-mail: carlosalex@pbc2005.esp.br.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Maracutaia como princípio

Fico perplexo comigo mesmo ao perceber que durante algum tempo, e mesmo depois de ter passado uma borracha nas primeiras sacanagens, pude acreditar no Carlinhos Nunes. Pensar que poderia apenas tratar das coisas de meu interesse e que ele realmente queria fazer basquete no RS. foi de uma arrogância que me envergonha. Agora, depois de novas sacanagens, ainda me pergunto como tantos podem ter acreditado nesse senhor e confiado a ele a administração do basquete gaúcho?


Só para relatar: o senhor Carlinhos não deixou minha equipe participar do estadual de 2007, pediu caução de R$ 5.000,00 e me disse que era exigência dos clubes, que se reuniram em Lajeado. No último dia 26/11/2008, me cobrou mais de R$ 10.000,00 de dívida, incluindo anuidades de 2007 e 2008, anos que não participamos do campeonato estadual e de qualquer evento da FGB – aliás, nesse período, o cestinha do estadual de 2006, pertencente a minha equipe, sequer foi convocado para a seleção gaúcha e hoje sei que a decisão veio de cima... Uma lástima atingir os jovens atletas pelas posições de seus técnicos. Vejam o e-mail que o senhor presidente da FGB me passou em 14/03/2007 (para os desconfiados um print screen total pode ser visto em www.pbc2005.esp.br/carlosalex/caucao.html):



“Sogipa, União, Ulbra, Corinthians, Petrópole, PUC e Unisinos são alguns dos clubes

descontentes com a federação, mas sem força para tirar o presidente do cargo.Em

eleições ou prestações de contas Nunes sempre sai vitorioso. Garante-se com os

votos de clubes que nem praticam mais o basquete, como a Agremiação Pelotense.

Segundo seu presidente, João Corrêa Martins, desde 1977 o departamento de basquete

está fechado. Ainda assim, na última eleição,votou em Nunes usando procuração.“


Olha, daqui de Pelotas a Agremiação Pelotense de Esportes (APE) repassou procuração a um professor local e este foi na reunião, com despesas pagas pela FGB/Carlinhos, votar na reeleição. APE era a parceira da CEFIPel no frustrado trabalho de formaçào de uma equipe adulta aqui. Ficou como filiada, mas eu nem sei bem como isso foi possível, pois o contrato deles era com a CEFIPel que participara no ano anterior do estadual.


Esse ano, depois de muito trabalho, ele criou a Liga Escolar Pelotense, assim como o fez em Passo Fundo. Não deixou meu colégio participar e disse, de novo, que os colégios locais não queriam minha participação. O professor organizador do evento aqui, disse que era decisão da FGB. Então, ele persegue, define como se livrar de quem ousa desafiá-lo e depois culpa terceiros. O problema é que ele filiou as escolas e, a exemplo do que aconteceu em 2004, vai tentar procurações para levar esses votos. Temos poucas equipes filiadas em 2008, mas com os colégios o número sobe e as procuraçòes podem rolar. Cabe, a nós do meio do basquete, divulgar essa maracutaia e procurar alertar os colégios da prática e da necessidade de se fazerem presentes no dia da eleição, na segunda quinzena de janeiro, apesar dele querer mudar tudo para depois da eleiçào da CBB, para a qual contratou a Brunoro Marketing Esportivo para fazer a apresentação de sua imagem. Não te preocupas, estou te ajudando e te apresentando para todo o Brasil e provando cada palavra que digito no blog.


Dois fatos que mostram como é gerenciado nosso basquete. Dois fatos que os advogados do direito desportivo podem estudar e buscar maneiras de coibir tais abusos. Logo vamos conversar sobre taxas de arbirtragens e quanto gastam os clubes com viagens para o interior. Vamos fazer o cálculo juntos?


Em breve o Mais Basquete publicará, com exclusividade, entrevista com os candidatos da oposição, os ex-atletas Jeffersson Garcia da Silva e Carlos Eduardo Thunm. Aguardem!!!


Faltam 60 dias

"Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin Luther King)

 

Esse ano trabalhei para chegar no dia 28/11 e poder ter uma bela surpresa. E desde sexta-feira, 28/11/2008, tenho refletido sobre a situação atual e concluí: o basquete gaúcho merece um dos meus mais empolgantes textos. Livre, solto, sorridente, aliviado, vibrante e amoroso. Nada de ferocidade ou indignação. Não sei se vou conseguir, mas preciso me esforçar para traduzir em palavras o que senti quando recebi a informação que um grupo de basqueteiros transformou todos os anos de silêncio, de sussurros desconfiados, de ameaças e perseguições em um grito de liberdade. Saber que pessoas que enfrentei em quadra, que admirei da arquibancada e de técnicos que me inspiraram se mobilizaram – alguns ainda tentando fugir da razão, da auto-proteção que a mente determina para seguir o caminho que seus corações indicava – me lançou como um foguete ao espaço e, de lá, pude ver o Rio Grande do Sul pulsando, em plena sístole, jogando energia por todos os rincões. E sangue é vida e a vida dos que ousam nunca é mal vivida, como se em vão fosse. Não. Hoje os gaúcho podem ter a certeza que se fará luz novamente em nosso basquete e toda a energia jorrada nesses dias, através de nossas ações, se converterão e momentos de êxtase com a revitalização da forma de pensar e fazer basquete no RS.

Nesses dias só tenho conseguido pensar que verei o brado retumbante de técnicos, martelo e bigorna vibrarão novamente com o eco das torcidas e o prazer de jogar basquete voltará aos atletas, pois pisarão em quadra sabendo que só seu potencial técnico, sua determinação tática, seu esforço físico e sua armadura psicológica definirão o resultado de seus jogos. Voltaremos ao tempo em que um clássico SOGIPA X GNU me fazia sair de Bagé até nossa capital para me deliciar no ginásio da Quintino vendo Milho, Kawuin, Pitu comandarem suas equipes disputando cada milímetro da quadra, cada curva da bola e exaltando cada chuá, seguido de nosso descompromissado sorriso pela magnitude do feito. E eu lá, o guri de Bagé que driblava todos eles imaginariamente pelas subidas e descidas da Rainha da Fronteira, presenciando aqueles momentos históricos e aprendendo a ler o jogo, a analisar a frieza dos craques e a avaliar os meus limites.

Ah, meu sonho de ver um Corinthians Sport Clube, não mais com Ary Vidal, mas com seu legado e comandado pelas feras da casa, Bola ou Gilmar Weiss, não está longe. Lembrar, através dos novos talentos surgidos no Cestinha, dos moleques que eu enfrentara na adolescência e que jogavam ao lado de Brunão, Piru, Darci, Eleno, Muller, Nei, Gordo, entre outros, de uma época que meu coração batia forte quando enfrentava o Corinthians e eu projetava o dia que lá jogaria... Por golpe do destino, por mudança nas políticas esportivas, minha geração praticamente acabou não tendo essa fase adulta nas quadras, mas que disputamos jogos inesquecíveis tenho certeza que todos lembram.

Esses clubes rondam, ainda hoje, meu imaginário e minha emoção maior é ver a força de vontade de grandes nomes de nosso basquete lutando para reerguer o Cruzeiro, histórico clube de nosso esporte; ver a raça do jovem elenco do Java, jogando por prazer – amadoristicamente – e movimentando a região de Estância Velha. E o que dizer da resistência dos moleques do Santa Cruz Basketball que se recusam a ficarem de fora e continuam lutando bravamente a cada bola disputada, em diversos campeonatos? E entre os novos clubes, o trabalho de longa data do Ubirajara em Lajeado, reforçado constantemente pela persistência de Xis e Bira, tanto com as vencedoras equipes de base, quanto com o adulto que alçou vôo para todo o Brasil. E o que dizer do legado do saudoso César e do Cesare que culminou com a criação, pelo Rodrigo Barbosa, do Caxias Basketball e novo destaque estadual e regional, quiçá nacional em breve.

Esses novos dias surgem em minha mente há anos. Nunca desisti do sonho de ver um grupo sério, determinado, coletivamente responsável assumindo a responsabilidade de mudar o basquete de nosso estado que, nem nos piores pesadelos, imaginei que pudesse chegar ao fundo do poço. Nunca deixei de sonhar nesses anos que estive sepultado, expurgado como leproso da quadra de basquete por contestar o óbvio, o risível, por que nada mais o são os atos que suportamos nesses últimos 14 anos de ditadura sorridente e cordial no tratamento público, mas mal intencionada nas quatro paredes da FGB. Também vejo o basquete de Pelotas naufragar... Lembro de dias em que vi as tábuas da arquibancada tremerem e o barulho ser enlouquecedor e, mesmo assim, desfilar pela quadra da Marechal Floriano, sabendo do vazio que fazia a bola murchar no canto direito da entrada e penso que ainda temos solução para nossos jovens terem experiência semelhante as minhas memórias, dessa vez no Ginásio do CEFETRS em Pelotas ou mesmo do Militão em Bagé. Será novamente possível sair desse grito gemido e me sentir livre para ver o melhor do basquete gaúcho surgir e florescer, em jogos empolgantes e em quantidade.

Assim flutuo, entre as lembranças do passado e os sonhos para o futuro. Vamos contar, pois só faltam 60 dias, no máximo, para novas pessoas, com idéias oxigenadas assumirem a FGB, sob o comando de Jeffersson Garcia da Silva. E junto veremos muitos grandes clubes ressurgindo, como Guanabara de Livramento, União de Uruguaiana, Cruz Alta, Passo Fundo... Mas, por favor, não pensem que sou ingênuo ao ponto de imaginar que, como mágica, eles assumirão e tudo mudará. Não!!! Sei que precisarão de muita criatividade e muita produtividade para fazer multiplicar jogos, reduzir custos e elevar o nível do basquete do meu rincão.

Faltam 60 dias e eu acredito. Faça o mesmo: sonhe, acredite e mude a história do basquete gaúcho. Faltam 60 dias...

O foco principal deste blog é escrever sobre o basketball, as políticas públicas e o esporte nacional na minha visão e com uns
devaneios eventuais de quem ousa expor as próprias reflexões sobre o seu cotidiano e suas paixões. Claro, quem se posiciona
eventualmente faz alguns escritos sobre tudo e sobre nada. Deguste lentamente...

Quem será o novo presidente da FGB?