Pular para o conteúdo principal

(Ainda) Buscando Mudanças

Minha eterna gratidão por conhecer e trocar ideias com Alcir Magalhães, um apaixonado por esporte e, especialmente, pelo Basquete. Batalhamos em trincheiras cercados de inimigos, mas com sinceridade, ética e buscando o melhor para que nossa modalidade voltasse ao que era há três ou quatro décadas. 
O texto do Alcir que reproduzo hoje, originalmente publicado no Esporte Social, é uma indicação de leitura que divulgamos em 2010 e, infelizmente, ainda é verdadeiro em 2019. Por isto trago para a frente do Mais Basquete. reproduzo aqui para guardar e sugiro a indicação da leitura no próprio site. O autor, conhecido apaixonado pelo basquete que (re)começa a dizer o que incomoda, mas que precisa ser dito. Leiam abaixo:


Histórias do esporte brasileiro
(Publicado em 02/10/2010 por Esporte Social)
 Certa vez avistei na penumbra de um ginásio vazio, uma figura sozinha, calada, com ar de amargurado e um semblante de profunda tristeza. Aquela cena me chamou a atenção, me aproximei da figura, que até então não conhecia, mas parecia estar acometido de alguma doença, perguntei: o que o levava a estar assim, o que estava acontecendo e em que eu poderia ajudar? Mal levantou os olhos e passou a contar histórias e os motivos que levaram àquele seu estado de derrota, pacientemente me pus a ouvir: Com voz embargada começou a narrar sua história: 
- No passado eu era respeitado não somente a nível nacional, mas internacionalmente, hoje sou motivo de chacota nas varias mídias e rodas em que sou mencionado; 
- No passado devido a minha performance de resultados em campeonatos sul-americanos, pan-americanos, mundiais e Olimpíadas todos me respeitavam quando participava destes eventos, pq sempre estava entre os 4 melhores colocados, hoje sou visto na maioria das vezes como coadjuvante e sem vontade de vencer; 
- No passado era o segundo colocado na preferência nacional, hoje nem sei qual é a minha classificação; 
- No passado estava entre os 4 do ranking internacional ocupava lugar de destaque e hoje ???? 
- Quando leio as varias mídias, somente vejo críticas e cobranças das coisas que deixei, estou deixando de fazer e não estou me planejando para o futuro; 
- Hoje somente se dirigem a mim com desconfiança e com falta de credibilidade, me acusando que eu não me preparei para acompanhar a mudança que estava acontecendo no mundo devido a globalização, muitos me chamando de obsoleto e incompetente; 
- Durante anos não me preparei para suportar as mudanças técnicas que o esporte internacional vem exigindo, com isto as derrotas tem sido uma constante na minha vida; 
- Gritei por mudanças, consegui a mudança e não estou sabendo gerir a minha vida para tornar-me melhor, muitas vezes escutando avaliações que o meu trabalho está sendo troca de 6 por meia-dúzia; 
- Muitos chamam a forma como venho gerindo as coisas de omisso e conservador; 
- Tenho cometido erros clássicos de uma gestão equivocada, deixando me influenciar por terceiros e com isto me afastando daqueles que sempre me ajudaram sem interesses pessoais; 
- Durante a minha existência nunca tive tantos recursos para fazer as coisas acontecerem e não consigo fazer nada que modifique a situação anterior, os resultados negativos continuam como no passado, quando os recursos eram escassos; 
- Prometi mudanças um dia, também não consegui fazê-las pelo contrário, perdi a confiança daqueles que acreditaram em mim quando me propus a mudar a história das minhas derrotas e nada consegui; 
- Prometi ser transparente nas minhas ações e não cumpri, tenho sido cobrado por isto; 
- Decepcionei aqueles que me amavam e torciam pelo meu sucesso, hoje poucos me escolhem; - Passei a ser gozado como freguês de carteirinha dos argentinos; 
- Hoje sou rico, tenho recursos financeiros e não consigo transformá-lo em resultados como um inovador e/ou empreendedor, pq não sei gerir meus recursos de forma vitoriosa e trabalho de forma obsoleta; 
- Hoje não sei como valorizar aqueles que me ajudaram a fazer a minha história neste país, por omissão me afasto deles; 
- Me sinto um perdedor. Depois de ouvir tudo isto, perguntei a ele como se chamava e ele respondeu: 

“Me chamo BASQUETE BRASILEIRO.” 
por Alcir Magalhães Filho

Comentários

Mais Visitadas

Dikembe Mutombo, o Humanitário

Quem viu a NBA nos anos 1990 lembra de Mutombo, o jogador de 2,28m, pra gonário do África e que foi estudar nos EUA, mas acabou na NBA. Mutombo se aposentou em 2009, mas apenas das quadras.. .  Dikembe Mutombo nasceu em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, como o sétimo de dez filhos de Samuel e Biamba Marie Mutombo. Em 1987, ele foi para os Estados Unidos com uma bolsa acadêmica para estudar na Georgetown University, em Washington, DC. O objetivo era seguir uma carreira médica, mas seu talento chamou a atenção do treinador John Thompson, que o convidou para fazer parte do time da universidade. Com 2,18 metros de altura, Mutombo logo se destacou, mas concluiu a graduação. Desculpa, graduações - Linguística e Diplomacia - e tornou-se, ao longo do tempo, poliglota, dominando nove idiomas, entre eles cinco africanos. Mutombo ficou na NBA por 18 anos, após ser draftado pelo Denver Nuggets, em 1991, na quarta posição. Sua última temporada foi representando o Houston Roc...

Educação Física e Esporte

 O esporte só atinge a maioria dos adolescentes se a Educação Física Escolar existir com qualidade, infraestrutura, inclusão e equidade. por antoniodivico . De Visualmente .

Lives 13 (Edição 2020)

Apesar do estresse que 2020 gerou, especialmente por causa do SARS-CoV-2 e da COVID-19, pode-se dizer que realizamos algumas coisas que não imaginávamos no final de 2019 ou mesmo nos primeiros dias de 2020. Nossa ação com o Mais Basquete também foi muito diferente. Realizamos uma série de entrevistas, bate-papos que denominamos de  Lives 13 , em alusão ao décimo terceiro aniversário do Blog que criei em 2007 e que já havia gerado a Revista Mais Basquete , o livro Em busca de mais basquete: feedbacks e insights . e a compilação de algumas crônicas que, divertidamente denominamos Calexdoscópio: fragmentos, reflexões e memórias . Os livros foram publicados em parceria com o Centro Esportivo Virtual . As Lives 13 , realizadas e gravadas em vídeo, reuniram personalidades do nosso basquete - ex-atletas, técnicos, professores - em torno de debates diversos sobre a modalidade. Nem haviam sido publicados, pois o objetivo era editar com vinhetas e embelezar o início e o final de cada vídeo. ...

RSS do Mais Basquete