segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Conversa com Kareen Abdul-Jabbar: amanhã (24/01/2012), em Salvador!

 Kareem Abdul-Jabbar (cujo nome, antes de sua conversão ao Islã, era Ferdinand Lewis Alcindor, Jr.) nasceu em Nova York, em 1947.  Seu pai era guarda de trânisto e musicista de jazz, e sua mãe trabalhava numa loja de departamentos.  Criado no Harlem, iniciou sua carreira de basquete cedo, tendo levado sua escola a conquistar três sucessivos Campeonatos Católicos da Cidade de Nova York.
Lew Alcindor estudou História na University of California, Los Angeles (UCLA).  Jogou por três temporadas (1966-69) no time de basquete da universidade, o UCLA Bruins, tendo contrubuído de forma decisiva para o recorde do time de oitenta e oito vitórias e apenas duas derrotas naquela época.  Durante sua carreira universitária, Lew Alcindor foi nomeado Jogador do Ano em 1967 e 1969.  Por três anos consecutivos, foi considerado o Jogador Mais Extraordinário do Campeonato da National Collegiate Athletic Association (NCAA), e Jogador do Ano pela Helms Foundation.  Em 1969, foi o primeiro atleta a obter o prêmio de Jogador do Ano do Naismith College, tendo também conquistado por duas vezes o Troféu de Jogador Universitário do Ano da United States Basketball Writers Association (USBWA).
Em 1968, Alcindor sofreu uma primeira lesão de córnea, o que o levaria mais tarde a jogar com protetores oculares.  Naquele mesmo ano, converteu-se ao Islã e se recusou a participar das Olimpíadas do México como forma de protesto contra o tratamento desigual dado aos afroamericanos na época.
Foi oferecida a soma de um milhão de dólares a Lew Alcindor para ele jogar para os Harlem Globetrotters, logo após a sua formatura, em 1969.  Contudo, ele recusou.  Naquele ano, ingressou no Milwaukee Bucks, time da National Basketball Association (NBA), então apenas na segunda temporada de sua existência.  De imedidato, Alcindor revelou-se uma nova estrela da NBA, levando o Milwaukee Bucks à segunda colocação da Divisão do Leste da NBA e conquistando para si próprio o Prêmio de Revelação do Ano da NBA.  Na temporada subsequente, foi agraciado pela primeira vez com o Most Valuable Player Award da NBA (MVP), a mais alta distinção do basquete americano.  Ao longo de sua carreira, Alcindor conquistaria ainda esse prêmio em outras cinco temporadas, sendo até hoje o atleta da NBA que recebeu o MVP por mais vezes (Bill Russell e Michael Jordan conquistaram-no cinco vezes cada um, uma vez menos que Kareem-Abdul Jabbar).
Em 1971, no dia seguinte à vitória do Milwaukee Bucks no Campeonato da NBA, Lew Alcindor adotou o nome de Kareem Abdul-Jabbar que, numa tradução livre do árabe, significa aproximativamente "generoso, nobre (Kareem), servo (Abdul) do Todo Poderoso (Jabbar)".  Segundo o jogador, ele buscou "algo que fosse parte de minha herança, pois muitos dos escravos que foram trazidos para cá eram muçulmanos".
Em 1974, Kareem Abdul-Jabbar sofreu sua segunda lesão de córnea e passou, então, a jogar com óculos de proteção, uma de suas marcas registradas.  Apesar de sempre ter se referido ao Milwaukee Bucks com carinho, Abdul-Jabbar sentia-se relativamente isolado no Meio-Oeste americano, longe de pessoas que compartilhassem de suas crenças religiosas e culturais.  Em 1975, ingressou no Los Angeles Lakers, onde jogaria até o fim de sua longa carreira, em 1989.
Junto ao Los Angeles Lakers, Kareem Abdul-Jabbar ganhou três Most Valuable Player Awards (1976, 77 e 80), tendo também recebido diversos outros prêmios esportivos e honrarias importantes.  Ao longo de sua extensa carreira na NBA, participou do NBA All-Star Game dezenove vezes, integrou o All-NBA First Team  (honraria concedida aos melhores jogadores de uma temporada) em dez anos, e o All-NBA Second Team, em cinco.  Nos últimos dez anos de sua carreira, os Lakers disputaram nada menos que oito finais, tendo sido os campeões de cinco temporadas da NBA. 
Em 1984, Kareem-Abdul-Jabbar quebrou o recorde de Wilt Chamberlain como o maior pontuador da história da NBA, recorde esse que ele mantém até hoje, com 38.387 pontos.  Em 1976, começou a praticar ioga, para melhorar sua flexibilidade.  Nos últimos anos de sua carreira profissional, praticava também artes marciais, meditava antes dos jogos para reduzir o estresse, e se impôs uma dieta e treinamento diário bastante rígidos. 
Em 1989, aos quarenta e dois anos de idade e após vinte temporadas profissionais da NBA, Kareem Abdul-Jabbar anunciou que se retiraria de cena.  Em seu último jogo para os Lakers, todos os jogadores em campo usaram óculos de proteção em homenagem a ele, tendo todos também tentado pelo menos um “sky-hook” , o popular gancho, lance pela qual Kareem Abdul-Jabbar ficara conhecido.  Na época de sua aposentadoria, Kareem Abdul-Jabbar detinha o recorde do jogador que mais disputou partidas pela NBA, mais tarde quebrado por Robert Parish.
Kareem Abdul-Jabbar ficou conhecido como um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos.  Jogou na posição de centro, sendo implacável tanto no ataque, quanto na defesa.  Muito alto (2,18 m) e esguio, sua atuação combinava destreza, elegância a força física.  O fato de ser ambidestro foi uma vantagem a mais em sua carreira esportiva.  O “sky-hook” (lance no qual ele dobrava seu corpo inteiro, e não apenas o braço, para marcar um cesta) tornou-se sua marca registrada e era praticamente indefensável.
Após o encerramento de sua longa carreira, Kareem-Abdul Jabbar atuou como treinador em diversas equipes.  Em 2005, retornou aos Los Angeles Lakers na qualidade de Treinador Assistente Especial.  Em 1998, atuou também como treinador voluntário da Alchesay High School, na reserva indígena de Whiteriver.  Trabalhou intensamente contra a fome e o analfabetismo e, em 1995, passou a integrar o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A ditadura no COB e a acefalobraquia da CBB

Feliz 2012 para todos os leitores do Mais Basquete. Ando meu afastado. Espero que seja compreensível: trabalho, final de ano, festas, formaturas e uma época que prefiro deixar para reflexão, redução do estresse acumulado para iniciar o ano novo com a corda toda. E esse ano promete...

Então, para começar, reproduzo, ipsis litera, texto de Alberto Murray Neto, na esperança de que, assim como Odair Sabagg em São Paulo, surja alguém nesse basquete capaz de se opor a Carlos Nunes e ao Grego que, dizem, já reuniu a turma de antes e garante 18 votos para a eleição pós-Londres (de novo?). 
O que quero dizer é... a mesma coisa que o Alberto Murray Neto diz no texto abaixo.
Ótima leitura. Magnífico 2012 para todos e para nosso basquete!

A ANTI CANDIDATURA NO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO
Em 1.973 o Brasil vivia o auge da ditadura militar. Era uma época de terror, em que qualquer manifestação branda contra o establishment já colocava o sujeito em palpos de aranha. Foi nesse tenebroso cenário político que o líder da oposição, Ulysses Silveira Guimarães, lançou sua candidatura a Presidência da República. Ou melhor, a anti candidatura. A derrota do candidato democrata era certa. As garras da ditadura feroz aplacariam qualquer possibilidade de sucesso. O que mais importava naquele momento não era o resultado ilegítimo que emanaria do colégio eleitoral bastardo. Mas a coragem de um brasileiro que percorreria o Brasil denunciando as chagas e a desonra dos indesejáveis “patetas” que nos enfiavam goela adentro aquele Estado truculento. E assim foi. Ulysses percorreu toda a nação. Levou a palavra de revolta a lugares distantes. Viajou ao longo do Rio Amazonas. Subia em caixotes, engradados, juntava o povo e falava. Se cortavam a luz de onde Ulysses estava, ele não se apequenava. Elevava a voz e seguia seu rumo. A anti candidatura do Senhor Diretas foi tão significativa a ponto de, no ano seguinte, o MDB impor aos governistas da ARENA uma memorável lavada nas eleições municipais. Mostrou, claramente, que o povo rechaçava o regime militar.
Em primeiro de abril deste ano, encerra-se o prazo para inscrição de chapas para as eleições no Comitê Olímpico Brasileiro, que ocorrerão somente em outubro. Por incrível que possa ser, era mais fácil ser candidato de oposição a presidente da república durante a ditadura militar, do que se lançar ao mesmo cargo no nosso Comitê Olímpico. O estatuto do COB, moldado à imagem e semelhança de seu dono prevê uma série de ignomínias jurídicas que tornam praticamente impossível uma chapa de oposição. O estatuto obriga que pata ser candidato a presidente e vice da entidade, o indivíduo tem que estar eleito em algum dos poderes do COB por, pelo menos, cinco anos. Ora, se o sujeito foi eleito para os poderes do COB junto com os atuais mandatários, natural que por favor parte integrante e inseparável da patota, nunca lhe será oposição. Também está escrito que para o lançamento de uma chapa, são necessárias dez assinaturas de Confederações filiadas. Um escárnio.
Ainda assim, será muito importante para o Olimpismo do Brasil se alguém, um grupo, rebelar-se contra isso tudo e articular o registro de chapa de oposição. Mesmo que o registro seja negado (o que poderia facilmente ser contestado na Justiça, uma vez que entidade que vive de dinheiro público não pode cercear o direito de qualquer brasileiro de dirigí-la), o movimento oposionista é fundamental. Ainda que a derrota para os déspotas pudesse ser dada como certa, seria tão bom que alguém de coragem soltasse a voz aos quatro cantos do país, incitando o debate sobre a questão do esporte. Chacoalhando essas estruturas maléficas, velhacas, infectadas, podres e viciadas. Eu tenho certeza de que se surgir alguém com tal destemor, que lute sem medo e levante o tapete para abaixo do qual tem sido varrida a sujidade do esporte nacional, adeptos de bom calibre não lhe faltarão. O receio dos ditadores é que um corajoso comece a gritar. Porque muitos, hoje calados, engrossarão o coro dos descontentes.
Se na ditadura política do Brasil foi possível fazer o que fez Ulysses Guimarães, seguramente deve haver alguma mente destemida no campo esportivo que tenha dignidade e altivez para empunhar a bandeira das mudanças no Olimpismo do Brasil.
Vamos disseminar a idéia democrática da anti candidatura ao Comitê Olímpico Brasileiro. Não é possível que dentre as Confederações filiadas não haja alguém com esse desprendimento. Guardar para si o descontentamento não levará nada a lugar algum. Até porque, se houver algum bravo para assumir esse papel, terá saído na frente para suceder essa gente que está aí, na hora em que caírem como um castelo de cartas.
Pense nisso!

Alberto Murray Neto
Twitter: @albertomurray