sábado, 31 de julho de 2010

Seleção, treinos aberto e os técnicos (Parte 1)

Alguns comentários no Blog Rebote, mantido pelo Rodrigo Alves, e referentes aos dois dias de treino me levaram a responder o questionamento sobre a presença dos técnicos nos treinos abertos que a CBB realizou essa semana. Fui escrevendo, escrevendo... e a postagem ultrapassou o espaço para comentários. Então trago para cá, para o mais basquete e vou postar em duas partes; sendo a segunda até o meio-dia de domingo (já escrevi, mas prefiro deixar espaços entre as postagens). Nesse período, olhem os vídeos e links que sugiro na postagem. Então vamos a parte 1.

Primeiro me respondam: já viram Phil Jackson vencer algum título da NBA sem grandes estrelas no time? Chicago quando era só Jordan não ganhou nada e o Lakers não foi só Shaq ou é só Kobe. Então, com um grande time, um técnico com personalidade, liderança, plano de trabalho e as condições ideais – inclusive de vida resolvidas, como as citadas em relação a Rubem Magnano – dão a tranquilidade para vencer jogos e conquistar títulos. Então, me parece injusto dizer que com a base que a seleção brasileira tem hoje, com a disposição dos atletas para jogar um técnico brasileiro não seria capaz de conquistar ótimos resultados – eu penso sempre em estar entre os quatro primeiros, depois desse objetivo penso passo a passo: vencer a semi-final e, quiçá, vencer a final.

Segundo. Me corrijam se eu estiver errado: a Argentina criou uma liga há mais de 25 anos. Os técnicos se uniram para qualificar o basquete local e transformar o país em uma potência, começando por deixar de ser um saco de pancadas e conquistar espaço no basquete mundial. De quem? Do Brasil! A Argentina ficou sem medalhas no Campeonato Sul-Americano de 1980 até 1993. Sem medalha, não falo de título. Portanto, nesse período nós vivíamos o auge da era Oscar e eles trabalhando para "revolucional El básquetbol argentino; una idea que merece seguir creciendo". Depois disso, ficamos paralisados, a espera de milagres do Brito Cunha ou do Grego e que ocorreu todos nós vimos e não gostamos. Nós estivemos estacionados e eles estudando. O que poderia acontecer? Eles crescerem... E cresceram. Nossos técnicos, os de ponta e os apadrinhados, vivem uma briga de egos que assusta – muitos querem saber onde vão por o nome na formação da Escola de Técnicos e alguns querem a certificação da Escola Nacional de Treinadores de Basquete (ENTB) da CBB. Além disso, ninguém mexe um pé de sua casa se a grana não for boa o suficiente para que valha o esforço de ensinar no interior do Brasil, para massificar ou revolucionar o basquete brasileiro. A ENTB é uma falácia. O primeiro curso foi divulgado vinte (20) antes de ocorrer em São Paulo, foram de 3 dias de palestras, coisas que não dizem respeito ao técnico foram trabalhadas e cobraram R$ 800,00. Para quê? Para certificar os técnicos da NBB – e quem mais fosse lá – com o Nível III; o máximo que existirá. Ou seja, começaram pelo telhado... Eu quase fui, só pela certificação.

Terceiro. O Rodrigo disse bem: Paulo Murilo foi, no mínimo, a revelação da Liga Nacional de Basquete de 2009/2010. Mas ninguém disse isso, nem a liga fez qualquer tipo de homenagem ou mesmo citação em seu site. O aposentado professor universitário, jornalista, pegou um time capenga e venceu Brasília, o campeão. O time dele não arremessa de três pontos. Joga com dois armadores e 3 pivôs móveis. O detalhe que a revelação até quatro (04) anos atrás desenvolvia o mesmo trabalho em categorias de base: foco nos fundamentos, correção das deficiências dos atletas. Portanto, ele vem falando disso há anos no blog dele. Paulo Murilo é da geração de técnicos campeões. Ele tem 70 anos, começou cedo e auxiliou o Kanela, vivenciou nossas vitórias e viu nossa derrocada. Ele colocou na internet dois jogos: Saldanha da Gama x Joinville e vs Brasília. Não sei como a LNB e a Globo não pressionaram para tirar os vídeos do ar. Por enquanto, olhem os dois jogos e observem: marcação e giro no ataque. Mas também leiam o blog Basquete Brasil do final de janeiro ao final do returno da LNB e vejam que ele foi o único técnico que relatou seus treinamentos, fotografou e divulgou os treinos e viagens. Todos os dias. Se ele tivesse assumido esse time no início do returno, ouso dizer, teria classificado o Saldanha entre os doze (12) times ou mesmo entre os oito (08) equipes que participaram do play-off.

http://blog.paulomurilo.com/2010/05/05/vencendo-as-limitacoes-num-grande-jogo/

http://blog.paulomurilo.com/2010/04/16/pensando-o-futuro/

terça-feira, 27 de julho de 2010

Notas sobre NBB e Copa Brasil... Brasileiro Sub-19 pra encerrar.

Enfim, a CBB se lembra de “nosotros”. E entendam “nosotros” todos nós, os clubes e equipes de basquete que não estão na liga nacional e se localizam em todos os extremos do Brasil. A princípio as equipes terão que participar da Copa Brasil Regional, classificando-se para Super Copa Brasil de Basquete que levará duas delas a Liga Nacional de Basquete, o NBB. E isso já começa esse ano, com duas vagas para 2011/2012. Com isso surge a possibilidade do Campeonato Estadual Gaúcho, por exemplo, ser mais forte nesse ano ou, se não houver vínculo hierárquico entre as competições, nem haver campeonato estadual, pois as equipes priorizarão a Copa Brasil Regional. Mas isso é um detalhe que a CBB pode resolver com uma simples frase no regulamento da Copa Brasil: “só poderão participar da Copa Brasil em suas respectivas regiões, as equipes que estiverem filiadas, inscritas e participando nos campeonatos estaduais de suas federações estaduais”.

Isso nos remete a proposta da LNB, concretizada no último dia 17. Trata-se da informação de que dezoito equipes, representando sete (07) estados brasileiros, mostraram interesse em participar do NBB 2010/2011, sendo que a equipe do Paraná (Londrina) esta licenciada para essa temporada e uma nova equipe foi formada por lá, Novo Basquete Londrina, mas não foi credenciada pela LNB, sendo sugerida sua participação na Copa Brasil para conquistar sua vaga. Destaco: decisão correta. Outras três equipes não apresentaram toda a documentação e receberam dez (10) dias para corrigir as informações que serão novamente analisadas. São elas: Universidade/Rio Claro (SP), Nova Iguaçu (RJ) e CECRE (ES), que rompeu com Saldanha da Gama. Então, o NBB 2010/2011 realizar-se-á com a participação  de quatorze (14) ou dezessete (17) equipes.

Entre os números de equipes por estado, surge a questão: com a criação da Copa Brasil, qual será o limite de equipes no NBB? Teremos duas novas franquias que se somarão as dezenove (19) franquias fundadoras, totalizando 21 equipes. Qual será o limite de equipes no NBB? Só com essa resposta nós saberemos quantos clubes ingressarão na LNB pela Copa Brasil.

Também é preciso saber se o objetivo é massificar a prática através do chamado “espelho”, ou seja, equipes de ponto, alto nível, que mobilizam torcedores, fãs, novos atletas, estendendo a participação dos clubes e regiões/estados não contemplados e que só tiveram espaço no basquete brasileiro na Nossa Liga de Basquete? Ou o objetivo é aumentar o número de clubes na LNB, independente de sua origem? Se o objetivo estiver contido na primeira questão, precisamos de mecanismos que bloqueiem o ingresso de dois clubes do mesmo estado na mesma edição da Copa Brasil. Se a resposta for a segunda, é certo que a recém formada equipe Novo Basquete Londrina, Americana, Barueri, Palmeiras, São Caetano, Metodista/São Bernardo (este que tenta parceria com o CECRE do ES) serão os primeiros na lista de inclusão da LNB, por todas as condições favoráveis a prática do basquete em SP. Mas depois de atingir o limite de clubes é preciso criar duas divisões (NBB e Copa Brasil) com acesso e descenso.

Vamos somente relatar que quando a NBA deixou o poder econômico determinar as contratações, sem o tal teto salarial de cada ano, o público reduziu e as disputas eram fracas. Lá eles querem manter as franquias espalhadas pelo país, por isso o presidente da NBA tentou manter Lebron James em Cleveland, pois não adianta vestir um santo e despir o outro.

Precisamos massificar e diversificar a prática. Não adianta criar uma segunda divisão e abrir a porteira somente para o já concentrado basquete paulista. Precisamos criar, reforçar e fortalecer outros centros de basquete pelo país.

Bem, outra notícia importante são os brasileiros sub-19, feminino e masculino, ainda esse ano. Resta especificar melhor se é de seleções ou de clubes e, se for de clubes, se é aberto aos interessados ou será somente para convidados, como ocorreu com um sub-17 realizado em 2007, em Novo Hamburgo-RS. De qualquer maneira é outra louvável decisão.

Em 19/05/2010 e 04/10/2009, já havia me posicionado em prol da gurizada de 20 anos, 22 anos e 23 anos. Resta, ainda, as demais faixas etárias. De qualquer maneira, a iniciativa é sensacional e merece destaque.

Opinião baseada em notícias divulgadas no site da Confederação Brasileira de Basketball, do UOL Esporte e da Liga Nacional de Basquete.

Links dessa postagem:

19/05/2010 --> Datas dos Campeonatos Brasileiros de Base

04/10/2009 --> Nacional Sub-20, sub-22 ou sub-23... A hora, é agora!

 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Basquete de rua... em Joinville

Basquete de Rua da Rádio Atlântida (emissora fm tradicional no RS e SC). Ocorrerá no próximo dia 31/7. O triste é que só ocorre em SC. Hein, Atlântida, temos basquete aqui em Pelotas também!


segunda-feira, 19 de julho de 2010

3ª Edição da Liga Nacional de Basquete: mais clubes, novas regras

Pouco mais de três meses nos separam do início da 3ª Edição da Liga Nacional de Basquete. Nesse período teremos o Sul-Americano Masculino (Colômbia, de 26 a 31/07) e dois campeonatos mundiais da modalidade, o masculino (Turquia, de 28/8 a 12/9) e o feminino (República Tcheca, de 23/9 a 3/10). Nossas esperanças são o bom desempenho e a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres e estão depositadas em técnicos estrangeiros, tanto no masculino quanto no feminino. Nos amistosos do masculino, não vi nada de novo: movimentações básicas e tradicionais.
Mas o que importa, nessa postagem, é a Liga Nacional de Basquete. Três dias antes da reunião que ocorreu no último sábado em São Paulo, a CBB publicou a nota oficial que determina a aplicação das mudanças de regras já aprovadas pela FIBA. A LNB destacou a utilização dessa mudança como um grande avanço, já que servirá como preparação para Londres-2012. Acrescento que pode, na pior das hipóteses, servir de preparação para o Rio-2016.
Entretanto, porém, todavia... A CBB informa que “as competições oficiais da Confederação Brasileira de Basketball, a partir de 1º de outubro de 2010, serão realizadas de acordo com as mudanças nas regras oficiais de Basquetebol” (Nota Oficial 119/2010). Ou seja, pelo texto da supracitada nota oficial, as competições nacionais (o feminino é organizado pela CBB), brasileiros de base e campeonatos estaduais terão a nova quadra somente em 1º/10/2012. Somente a LNB, por decisão própria e divulgada em seu site, iniciará a nova temporada com as alterações que só terão validade oficial a partir de 1º/10/2012. Isso realmente é positivo para o basquete brasileiro? A diferença de aplicabilidade da regras entre os nacionais masculino e feminino, produzirá algum efeito nos resultados de cada naipe? E a arbitragem, como se atuará com duas regras validadas ao mesmo tempo?
Finalmente, a notícia de que poderemos vir a ter dezoito equipes no campeonato da LNB é sensacional. Vejamos a origem e a diversificação na participação:
Fonte: site da Liga Nacional de Basquete, na notícia NBB pode ter 18 times, publicada em 17/07/2010 em (http://www.liganacionaldebasquete.com.br/lnb/interna.php?s=imprensa&p=102&cd=946).
Podemos perceber, na relação no final dessa postagem, que apenas o RS, entre os estados que possuem clubes fundadores da LNB, não terá equipe participando na próxima temporada. Em 2011/2012 o Bira/Lajeado terá de retornar para não perder a franquia da LNB.
Também temos o Fluminense, o Botafogo-DF e o Vasco da Gama que almejavam participar dessa edição, mas terão de conquistar vaga via Taça Brasil ou alterar o regulamento via mecanismo criado pela LNB que permita ingresso de novos clubes. Assim, existe a possibilidade desse novo/velho evento, a Taça Brasil, servir de acesso ao NBB. Não se sabe, ainda, se no primeiro ano serão abertos espaços para novas franquias ou se ocorrerá um quadrangular entre campeão e vice da Taça Brasil com os dois últimos colocados do NBB 2010/2011 para disputar duas vagas para a 4ª edição do NBB.
Vamos ver se todas essas regras estarão disponíveis logo.
Veja as dezoito (18) equipes inscritas para o NBB ou LNB 2010/2011:
1)     BRB Brasília
2)     Flamengo
3)     Vivo/Franca
6)     Pinheiros/SKY
8)     Itabom/Bauru
9)     Assis Basket
14) CECRE/Vitória (ex-Saldanha)
16) Uberlândia
17) Nova Iguaçu
18) Universidade/Rio Claro (novo nome da Ulbra)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pré-Mundial Sub-18 Masculino: Brasil 78 x 83 EUA

Walter, não vi o jogo e não encontro vídeo do mesmo na internet. Perdi por uma causa justa: eu tinha treino do meu sub-19/adulto as 21h. Bem na hora do jogo da sub-18, lá no Texas, contra os donos da casa. Li que conseguistes uma façanha... Já sorri só de ver o placar. Mas eu estava preparando parte da postagem abaixo que perdeu o sentido e que reduzi por estar sendo divulgado após o jogo.
Hoje a seleção brasileira sub-18 jogou a final da Copa América contra os EUA. Pra mim não importava o resultado, pois o principal já foi conquistado: a vaga para o mundial sub-19 de 2011, na Letônia. Como já disse em vários posts anteriores, precisávamos garimpar e encontrar os jovens que defenderão o Brasil nas próximas competições, especialmente Rio-2016.
Não há o que criticar, mas elogiar o planejamento do Walter e da comissão técnica comandada por ele e que levou o Brasil a obter o resultado positivo que buscava – primeiro a vaga para o mundial e depois o título da competição. Com todas as mudanças – inclusive a própria troca da University of Nebraska para a University of  Hawai’i – o Walter  conseguiu impor seu estilo de jogo, sua capacidade técnica, leitura de jogo e liderança natural para conduzir uma seleção brasileira. Ele sabia, tenho certeza, da responsabilidade que colocavam nos seus ombros, mas estava pronto para esse passo. Provou isso ao vencer a Argentina na semi-final, mas referendou sua qualidade ao perder o jogo por detalhes para os EUA. Lembrem: em solo americano ele quase os venceu.
Em 2009 surgiu o boato que ele seria o técnico da seleção adulto. Deveria ter sido – lembro que postei que o interesse dele era outro e li várias declarações do Walter dizendo que era assistente-técnico do basquete universitário ... Sem precisar provar nada para ninguém e fazendo o trabalho passo a passo, Walter fez um estrago na Copa América Sub-18: conquistou a vaga para o mundial e quase deixou uma marca no título americano.
Certamente qualquer um de nós não conseguiria o que ele conseguiu nessa semana. Não adianta dizer que “até eu faria”, por que não seria verdade. A formação como técnico se deu na escola americana e ser um morador de lá, ser recrutador e assistente-técnico de universidades americanas lhe deram um savoir-faire que nenhum de nós tem. Mas ele tem. E carrega junto a formação na melhor escola de basquete do mundo: o basquete universitário americano e não um cursinho superfaturado de 4 dias.
Hoje eu queria abraçar o Walter, mas me sinto feliz em poder escrever essa postagem e transmitir a todos os jovens da equipe minha alegria com a conquista do Brasil e com o desempenho de todos para elevar o Brasil ao status de potência no basquete, começando pelas significativas vitórias sobre os rivais da América do Sul.
Parabéns Lucas Bebê, Arthur Casimiro (esse dava trabalho quando jogava contra pelo G. N. União), Cristiano, Gabriel, Bruno Irigoyen, Olintho, Durval, Felipe Taddei, Felipe Vezaro, Raulzinho, Davi e Ícaro (outro gaúcho que complicava, para os adversários, quando conduzia o Corinthians de Santa Cruz).