sábado, 31 de janeiro de 2009

Parabéns aos Brasileiros Campeões de 1959

Em 1959 eu tinha, digamos, menos 10 anos. Em janeiro de 1959 quase menos 11 anos. Eu ainda não havia nascido, mas já estava lá, me preparando para algumas décadas na terra brasilis. Enquanto isso, o jogo que fui amar a partir de 1978, quando vi o Mundial da Filipinas na tv, buscando compreender o que tinha que ser feito no esporte que começaria a dar os primeiros dribles e quiques em 1979, dava sinais de sobrevivência e todos esperavam uma geração de vencedores com o surgimento de Oscar, Marcel, Gerson, mas foi ali, aos 8 anos, que vi o basquete masculino brasileiro subir no pódio. Em 1984 vi o vôlei na final e me perguntei pelo basquete. E assim tem sido, ano após ano.

Em paralelo ao fracasso do basquete masculino nas últimas três décadas, com exceção a Ary Vidal (1987) e a renovação que Hélio Rubens começava a provocar em 2000, somos a soma de muitos fracassos nesse período. Junto disso – e somado ao jeito brasileiro de não reverenciar o passado – as conquistas dos anos 50 e 60 ficam no esquecimento, longe de nossa memória coletiva que precisa ser aceita como a construção de algo – foi aquela geração, que hoje comemora 50 anos do primeiro título mundial, que colocou o basquete como segundo esporte da nação e foi essa geração, comandada pelo individualismo de Oscar, que começou a nossa transição para o quarto esporte do país, atrás do consagrado voleibol e do esporte que conquistar destaque em mundiais e olimpíadas, como foi o caso do tênis (Guga Kuerten), a Ginástica Olímpica (com Daiane do Santos, Daniele e Diego Hypólito) e hoje a natação, visivelmente impulsionado pelas conquistas de César Cielo.

Quanto a mim, na minha adolescência, nem sabia que tínhamos sido campeões. Até dias atrás alguns dos nomes que hoje circulam em minha mente e me fazem curioso de suas histórias sequer eram pronunciados. Quem vive no basquete tem que conhecer o passado. Tem que conhecer quem fez o basquete brasileiro forte e compreendeu a coletividade desse jogo, de maneira que hoje estamos aqui, buscando reerguer o que já tinha sido feito por Kanela e seus meninos, mas dessa vez os tendo como exemplos e como alicerce para que ao resultado seja forte, robusto e duradouro. Vamos esquecer o que tem sido feito de forma errada nessas três décadas. Vamos, a partir desse cinqüentenário, trabalhar arduamente pelo erguimento do basquete masculino e para não deixarmos o feminino cair, como parece estar sendo o destino traçado pela desorganizada CBB.

Falando nela, a entidade máxima de nosso basquete, a CBB, que a vergonha de não ter sido a primeira a divulgar um evento de peso para a data em questão não se repita. Que os 50 anos da conquista do bicampeonato, daqui a quatro anos, seja comemorado com festas que se estendam por todo o ano de 2013 e com muita ênfase no dia 25 de maio, quando comemoraremos a vitória sobre os Estados Unidos por 85 x 81. Portanto, a CBB, sob o grego comando, deveria ter assumido a festa, desde sempre e desde tempos atrás, se programando, divulgando e realizando homenagens mais do que justas aos nossos craques, trabalhando para que essas figuras e seu feito não sejam esquecidos. Nunca... Cabe a nós não deixarmos mais no passado nossas conquistas e trazê-las a luz do dia e não apenas com pequenas notas no site da entidade máxima do nosso esporte. Creio que nossos craques da bola ao cesto na terra do futebol são, analogamente, Pelés e Garrinchas do nosso esporte e devem ser reverenciados. Sempre. Em vida e in memorium.

Finalmente, devo dizer que ver a homenagem da NBB ontem me deixou feliz. Ver os vovôs sendo chamados de meninos, recebendo mimos e, para mim, o maior de todos eles: uma réplica das camisetas de 1959 foi sensacional. Parabéns ao organizador, Sr. Sérgio Maraca, ao Novo Basquete Brasil (NBB) e ao público que lá esteve presente. Parabéns aos basqueteiros do Brasil que devem se espelhar nesse exemplo. Mas, acima de tudo, minha gratidão aos campeões pelas inúmeras conquistas que obtiveram e que me fizeram sonhar com a verde-amarela em meu corpo – não aconteceu, mas foi um sonho bom que me mantém no basquete até hoje. Fico feliz de vê-los agraciados. Fiquem todos em paz...

Em pé (esq. para direita): Auxiliar-técnico Brás, Waldemar, Amaury, Otto, Edson Bispo, Zezinho, rosa branca, chefe da delegação Mariah Silva, Técnico Kanela. Agachados: Roupeiro Francisco, Fernando Brobró, Wlamir Marques, Boccardo, Jatyr, Algodão, Pecente e o Massagista Pertile.

Obs.: todas as fotos foram publicados no UOL, no Globo Esporte e na ESPN Brasil.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"Bando de velhos", mas como eu os queria na seleção

Enchi a casa de atletas e acabamos de ver Limeira e Franca. Jogaço! Mas ao final do jogo ouvi de um atleta a seguinte exclamação: “Bando de velhos!”. Mas que falta de respeito, tchê. Franca é a expressão da ousadia no basquete. O esquema tática, o jogo coletivo e o nível atlético de seus jogadores é contagiante. Respondi que o time ganhou tudo, mesmo com Márcio errando lances e com o banco sendo composto de moleques. Esse bando de velhos é o time que foi sacaneado pela CBB na Liga Sulamericana e no brasileiro – por que eu não consigo escrever um post sem citar a FGB e a CBB? Deve ser por que são eficientes administrativamente. Mas antes disso, lá e em outros clubes quando ainda eram jovens, esse bando de velhos conquistou títulos e, engraçado, agora, velhos, continuam vencedores. Interessante, não é? Eu quero esse bando de velhos na seleção. Já disse isso nas listas de discussão que participo e que Rogério, Márcio e Helinho deveriam estar na seleção, pelo menos não se negariam a jogar, não abandonariam a seleção e dariam o sangue pela amarelinha.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A pressão como estratégia do medo


“Nem sob os anos da ditadura a direita conseguiu desmoralizar a esquerda como essenúcleo petista fez em tão pouco tempo. Na ditadura, apesar de todo sofrimento,perseguições, prisões, assassinatos, saímos de cabeçaerguida e certos de que tínhamoscontribuído para a redemocratização do país. Agora, não. Esses dirigentesdesmoralizaram o partido e respingaram lama por toda a esquerda brasileira.”(Frei Betto, amigo histórico de Lula, em entrevista ao jornalO Estado de S. Paulo, em 24/8/2005)

O telefone toca. Alguém da capital querendo bater um papo. Entre vários tópicos do basquete, surgem algumas indicações de que é possível sim coagir sendo educado, cordial. Melhor, só dar o recado a pedido de alguém. Eu ainda fico em dúvida: aquele cara legal, de papo agradável, vinculado ao socialismo, está comprometido?  A preocupação dele sou eu? Nos encontramos uma vez na vida e trocamos alguns e-mails, por que esperar mais do que um monólogo? Um diálogo pressupõe uma conversação entre duas ou mais pessoas, um locutor e um interlocutor que se alternam em sua ação e a tal conversação pode ser espaço para um entendimento, para papo furado (à toa mesmo) ou para disputa de projetos históricos diferentes. Um diálogo é bem diferente de um monólogo e pressupõe entendimento entre as partes ou, pelo menos, respeito a posições contrárias.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

CBB e FGB definem: esteja pronto para o adulto aos 18 anos

Atualmente todos falam no Novo Basquete Brasil e na Liga Nacional de Basquete gerenciada pelos clubes. Desde muito tempo questiono o formato anterior e esperava por isso com alguma angustia, pois confesso que duvidava que ocorresse tão cedo. Mas o que está me preocupando é o calendário da CBB para 2009. Vocês viram? Dêem uma olhada (http://www.cbb.com.br/calendario.asp) e me digam: onde está contemplada a gurizada dos 18, 19 e 20 anos? Uma categoria Sub-20, desenvolvida e em ação para projetar novos talentos no nosso basquete? No RS, ao fazer 18 anos, o atleta deve estar pronto para conseguir firmar-se entre os adultos ou esquecer do basquete. Na minha época que com 19 anos se era adulto em todo o país, isso até era aceitável, mesmo eu já imaginando, lá no final dos anos 80, que deveria ter uma categoria posterior ao juvenil. Sabemos que o guri ainda está em fase de crescimento e que, nessa transição da adolescência para a vida adulta, não está fisicamente pronto para confrontos com adultos de 22 anos, quem dera com os experientes de 30 anos. Por isso ficam de fora do adulto. Por isso precisam sair do estado para terem espaço para jogarem no adulto com 19 anos. Isso ocorre com freqüência e alguns conseguem continuar no jogo, mas a maioria, também talentosa, acaba sendo descartada o que, do meu ponto de vista, é uma mostra de ineficiência administrativa e visão reduzida de massificação do basquete.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

2009: ano de fazer um novo fim

Ano novo, hora de agradecer pelo ano velho e pela oportunidade de vivenciar o novo começo que se aproxima. A vida é um círculo complexo e tão simples que nem percebo como ela vai-e-vem. Há 30 anos eu estava me preparando para a 4ª série do primeiro grau (hoje ensino fundamental) e logo conheceria o basquete no inverno de 1979 – daria meus primeiros arremessos e dribles na quadra da fundação Bradesco, minha escola. Hoje procuro ensinar outros que queiram aproveitar a magnitude desse jogo, mostrar-lhes que possuem poder de superação e que sentir-se-ão alegres com as conquistas... Mas acabamos envolvidos em artimanhas, em favorecimentos, os mesmos que me afastaram do basquete na década passada. Sublimei, mas não foi possível deixar o cara quieto, fazendo o que gosta tranquilamente...
“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.” (Machado de Assis)

sábado, 3 de janeiro de 2009

O dia que a CBFS deu uma lambreta nas demais confederações

Estou escrevendo meu post de ano novo, na velocidade das férias – queria que fosse o primeiro – e vou deixar os desejos de ano novo para ele (até terça publico). Felizmente precisei, por força do destino e o necessário reconhecimento de ações em prol da transparência e do desenvolvimento do esporte nacional, escrever essas poucas linhas e publicar parte do e-mail da Assessoria de Imprensa da CBFS. Sou obrigado a destacar que atitudes como as relatadas abaixo não fazem parte do cotidiano esportivo, com exceção de Magic Paula que devolveu o que sobrou das diárias do Pan de San Domingo e criou uma celeuma no ministério do Esporte – bom para ela e para o esporte paulista que acabou saindo de lá. Mas a CBFS nos surpreende com a seguinte mensagem:

30/12/2008 - COPA DO MUNDO 2008: CBFS DEVOLVE MAIS DE 3 MILHÕES AOS COFRES PÚBLICOS