sexta-feira, 26 de novembro de 2010

RS fora com histórico 0 x 5!

Belíssimo trabalho a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro Sub-17 Masculino pela Multiweb da UFSM. Assim pude captar as impressões da gurizada e dar minhas opiniões, que trago para o meu blog.

Antes de mais nada, cabe destacar que cada gestão tem suas preferências, apostas e investimentos que julgam correto, mas nem sempre são os necessários. Nesse momento, o RS está pagando o ônus das escolhas que fez para o sub-17 masculino, que inclui os comentários coletados da caixa de mensagens durante a transmissão do jogo RS 78 x 114 SP (quinta derrota em cinco jogos) e postados abaixo. Essas escolhas podem se refletir no Sub-19, mesmo sendo um “Copão” Sul-Sudeste – os jogos ocorrerão em Santa Cruz do Sul, de 13 a 18 de dezembro – há questões político-financeiras envolvendo a convocação da seleção e a comissão técnica. Mas três coisas me chamam a atenção:

  1. a seleção sub-19 esta convocando, entre 22 nomes, 11 dos 12 moleques que jogaram o sub-17 em 2009, quando ficaram em terceiro lugar, sob o comando da mesma comissão técnica – a atual tem mais um técnico de Santa Cruz do Sul e, ambos os auxiliares, não trabalham nessa faixa etária;
  2. Augusto Schneider, com passagem pelo Flamengo e hoje atleta de Osório (esta servindo o exército, por isso está no RS), pré-convocado para a Seleção Brasileira Militar, terceiro cestinha do atual estadual sub-19, não foi sequer convocado. É um baixinho: 2m fácil; e
  3. Maxwell Dias Ribeiro, ex-atleta do PBC, foi atleta do Kelvin Soares em 2009 e 2010 na equipe de Joinville, campeão catarinense (2009 e 2010), Campeão dos Joguinhos Abertos 2010, Campeão Sul Brasileiro 2010 Sub-19 sequer foi sondado.

De minha parte, não fico feliz com o desempenho do RS, nem com os comentários que publico abaixo, mas que julgo necessário fazê-lo para que os dirigentes vejam que críticas que faço são semelhantes as das pessoas que estão vendo o campeonato pela internet e, ao mesmo tempo, captarem a imagem que o RS esta passando para os outros estados. Um erro não é o fim do mundo, mas é preciso coragem e corrigí-lo para ir adiante e buscar as vitórias que sempre queremos para nossas seleções. Quando falo em “um erro…” me refiro as questões que envolvem a não convocação de atletas que tiveram bom desempenho no sub-19, sendo sub-17, especificamente um ala-armador e um pivô de 2m que joga em minha equipe adulta, mas que não serve para o embate com os moleques de 17 anos, na visão do técnico da seleção gaúcha.

Infelizmente, a partir dessa sexta-feira, os jogos continuarão sem o RS envolvido. Transmissão das semi-finais, as 18h (SP x RJ) e as 20h (SC x DF).

Os comentários que me chamaram a atenção a partir do terceiro quarto do jogo e que comecei a copiar, são os seguintes:

  1. “20:41:40 - Rose/São Leopoldo-Rs diz: pergunta aí? prq escolheram um tec. tão ruim prá treinar esses meninos”;
  2. “20:46:49 - Bruno/RP diz: Onde fica Rio grande do sul ? SUHASHHSUAHSAHSUHSUHAUSHASHUASHSSHU LIXOS”;
  3. “20:47:09 - Nice/joinville SC diz: Carlos o jogo está uma vergonha pros gauchos”;
  4. “20:55:20 - luis/df diz: rs só perde,pra q quis sediar o campeonato?”;
  5. “21:18:22 - sniper/santa maria diz: ridiculo este rs”;
  6. “21:23:53 - Nanda/Porto Alegre diz: Mas que técnico mais ruim esse do Sul! Não merece ficar no ano que vem!”;
  7. “21:25:04 - munhoz/santa maria diz: rio grande do sul , muito fraco , perdeu todos jogos”;
  8. “21:29:43 - pedro/rs diz: O time do União fazia melhor que esta seleção. Pelo menos no entrosamento e por ter PIVO que pega rebote”; e
  9. “21:31:56 - SP/SP diz: OLHA QUE O RS TÁ TREINANDO FAZ TEMPO, E SP NÃO TREINOU NENHUMA VEZ...QUE DUREZA”.

Pensem na mensagem que o basquete gaúcho esta passando para os outros estados. Pensem na cena final do jogo: São Paulo reunida de um lado da quadra (certamente falando do jogo, dos objetivos conquistados) eCampeonato Brasileiro Sub-17 Masculino. Santa Maria-RS, 21 a 27/11/2010.  os atletas gaúchos do outro lado, dando “pacote” entre si e, em um atleta em especial, sem demonstrar qualquer sentimento de frustração pela derrota. Onde esta a liderança nesse momento? Isso após essa surra e a desclassificação. Mas, sobretudo, pensem no resultado de quadra que falam mais do que qualquer coisa que eu possa dizer de contra o desempenho da seleção, contra a FGB ou qualquer pessoa que se julgue ofendida por eu me posicionar. Pensem nos resultados obtidos:

  • 21/11 – RS 63 x 81 DF (-18 pontos);
  • 22/11 – RS 74 x 84 MG (-10 pontos);
  • 24/11 – RS 48 x 66 CE (-18 pontos);
  • 25/11 – RS 78 x 114 SP (-36 pontos).

Eu quero o melhor para o basquete gaúcho e brasileiro. Não há como querer melhorar as coisas e não se manifestar, não contribuir com críticas e sugestões - envio muitas para o presidente e vice-presidente da FGB. E tu, caro leitor, o que quer para o nosso basquete?

domingo, 21 de novembro de 2010

Brasileiro pela internet… Calma, é de base!

Durante a semana recebi e-mail da FGB sobre o Campeonato Brasileiro Sub-17 Masculino que ocorrerá de 21 a 27/11/2010 em Santa Maria no RS. A notícia era que os jogos seriam transmitidos pela internet, resultado da parceria da FGB com Corinthians Atlético Clube (Santa Maria-RS), Prefeitura de Santa Maria e com a Universidade Federal de Santa Maria.
Essa iniciativa poderia ser utilizada nas transmissões das finais dos Campeonatos Estaduais de Base do RS, bem como dos jogos adultos que não forem transmitidos pela TV. Mas esse é um novo passo…
Para assistir aos jogos, dois por dia ao vivo, entrem no link do Multiweb, do CPD da UFSM, específico para esse evento (http://200.18.45.6/web/cpdeventos/cbb/). hoje, domingo (21/11). Para saber o carnê dos jogos, visitem o site da Confederação Brasileira de Basketball e acompanhem os jogos, resultados e estatística do Campeonato.
Finalizo parabenizando o Catila, o Corintians de Santa Maria, como chamamos aqui no RS, a FGB e o pessoal do CPD da UFSM. É uma ação que merece destaque e um exemplo a ser seguido nos próximos nacionais de base pelas federações sedes. Assim que eu tiver os jogos que serão transmitidos em cada dia, divulgo aqui e no twitter (@carlosalex).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Smash small de Alberto Bial

Hoje eu tive uma experiência surreal. Convidados a dez atrás para cobrir a vaga deixada pelo Java Basketball, enfrentamos Joinville em nosso primeiro jogo no Sul-Brasileiro de Clubes contra a equipe de Joinville – quando eram três equipes, nosso planejamento era elevar o nível da equipe e contratar um técnico e jogadores mais experientes. Java, assim como Campo Mourão, devem ser suspensos por uma ou duas edições do Sul-Brasileiro de Clubes e/ou da Copa Brasil.

Mas nossos adversários são de uma equipe profissional, com folha salarial estimada em R$ 250 mil mensais. O técnico Alberto Bial merece parabéns. Não pelo desempenho de seus atletas, mas pela maneira que conduziu o jogo: estaria com medo de seis atletas, dois da categoria sub-17 e de nossa modesta equipe, o Pelotas Basketball Clube?

Nada justifica marcar pressão, rodar nos estilos defensivos e incentivar cravadas em uma equipe amadora. A não ser a vontade de se mostrar superior, quando se é e não se precisa fazê-lo, pois é visível o desequilíbrio existente. Pavonear, como dizem alguns em minha terra era sua meta. Para mim, isso é anti-esporte. Isso é o smash-small que afunda, corrompe, corrói e destrói nosso esporte. Já passara por isso, em um confronto com o Clube Municipal (Rio de Janeiro) pelo Sul-Americano de Clubes promovido pela SOGIPA em 2005 – fomos para dar experiência aos nossos jogadores e enfrentamos uma equipe forte, bem treinada e um técnico disposto a dar uma “tunda de pau” no adversário.

De parabéns não irônico estão meus seis moleques, dois da categoria sub-17. Enquanto outros permaneceram fiéis a seus compromissos acadêmicos, profissionais e festeiros – lembram, somos uma equipe amadora buscando a transição para o semi-profissionalismo e, quiçá, profissionalismo – Vitor Viana, Rafael Soares, Paulo dos Santos, Augusto Coscioni, Luciano Lopes e Yannick Soares vieram e enfrentaram a fera. Não os atletas, mas o seu técnico, tanto que dois ou três disseram em quadra que era ordem do chefe massacrar.

Pessoal, temos que valorizar quem se importa e se empenha pelo nosso basquete. A superioridade era tanta, mas tanta, que fazer o que foi feito mostrou a boçalidade, a arrogância e falta de bom senso de um técnico que quer ser o líder de nossa seleção brasileira. Não fosse o sobrenome famoso e as portas abertas por desembargadores em SC e pelo irmão na TV, estaríamos livres de muita porcaria que somos obrigados a ouvir via sportv e do fiasco que protagonizou recentemente na China – vamos lembrar que sua equipe se envolveu em tumulto semelhante no torneio abertura do NBB-2, em Joinville, ano de 2009, na final contra o Flamengo. É fácil culpar o adversário, como fez na mídia nos últimos dias, pois o técnico chinês está do outro lado do mundo e não tem acesso a globo e seus diversos portais.

A CBB tem que rever tais regalias e enviar uma seleção ou não enviar clube algum com o nome de nosso país.

Por isso, foi um dia surreal.

A parte significativa de nosso dia foi a ação solidária realizada pelo Caxias do Sul Basquete. Inesquecível. Eles são a razão de estarmos em Caxias do Sul aprendendo e dialogando com atletas, técnicos e dirigentes de outras paragens. Parabéns ao Clube Juvenil, ao Rodrigo Barbosa pela organização. São atitudes dessa magnitude que mostram que há solução para o nosso esporte. Precisamos de mais pessoas assim: abnegadas e solidárias.

P.S.: amanhào coloco uma fotos…

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Campeonato Sul Brasileiro de Clubes 2010

Quarta-feira, 13/10/2010. Dia de trabalho, correria e ainda a organização para mais uma viagem do Campeonato Estadual Adulto. Chego em casa e vou ler meus e-mais. Surpresa! O presidente da FGB nos envia um convite para que o Pelotas Basketball Clube dispute o Campeonato Sul Brasileiro de Clubes no lugar do Java Basketball, já que somos o terceiro colocado do Campeonato Estadual de 2009. Surpresa, alegria, irritação se misturam e se confundem…

Surpresa por que não esperávamos mais por esse convite, ainda mais quando as federações do sul (PR, SC e RS) mudaram a fórmula da competição - em função da CBB ter retirado o subsídio da arbitragem na competição – e nos ter tirado o direito adquirido em 2009.

Alegria por podermos cumprir com o que tínhamos divulgado em nossa cidade que, sabemos todos, é onde estão nossas relações e confiança (ou desconfiança) no trabalho que realizamos. Ao divulgar que participaríamos e depois sermos alijados do evento, perdemos credibilidade que se estende aos patrocinadores para as competições desse ano, especialmente as adultas que demandam maior quantidade de recursos.

Irritação por ser informado há oito (08) dia do evento, quando solicitamos que nossa equipe fosse incluída no evento sem tempo hábil de poder se organizar, reforçar o grupo, buscar patrocínios de peso que cobrissem esses custos.

Talvez a responsabilidade das mudanças que levaram a redução do Campeonato Sul Brasileiro de Clubes seja da CBB mesmo, que muda as regras do jogo no meio do caminho. Talvez as federações não percebam a força que possuem e aceitem essas mudanças. Talvez os clubes não possuam organização que lhes permita eleger o representante de seus interesses e não alguém que representa os próprios interesses ou apenas de A ou B.

Entretanto, dois dias depois desses fatos e sentimentos, o que deve ser destacado é que apesar de tudo isso, Gilson Kroeff, presidente da FGB, cumpriu com a palavra de seguir a ordem de classificação para as vagas do Sul Brasileiro de Clubes, pois poderia ter favorecido outros clubes com estruturas significativas quando comparadas conosco. Isso, cumprir a palavra, deve ser louvado em um dirigente esportivo.

Críticas em relação ao que ocorre no basquete gaúcho? As tenho, mas quando as coisa são realizadas dentro do que fora estabelecido, devem ser exaltadas.

Faço isso nessa postagem.

Campeonato Sul Brasileiro de Clubes
Caxias do Sul – 21 a 24/10/2010

DATA

HORÁRIO

EQUIPE A

PLACAR

EQUIPE B

21/10

18h

Pelotas Basketball Clube

x

Joinville

23/10

16h

Pelotas Basketball Clube

x

Campo Mourão

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Londres-2012: participar por estatística?

“Uma conquista sempre vem de um trabalho bem feito” ou “as vezes um trabalho é bem realizado e não tem conquista, que foi o resultado agora. Acho que o trabalho foi muito bem realizado, brilhantemente realizado, mas não conquistou. Então vamos aprender a analisar: trabalho é uma coisa e resultado é outra” são frases de Lula Ferreira, no dia 8/9/2010.

Essas declarações se juntaram a reflexão que tenho realizado sobre o basquete brasileiro – desde a mudança da administração, a promessa de novos tempos, os interesses políticos os objetivos na busca desenfreada por uma vaga olímpica, o possível fracasso na conquista de vaga em Londres com a justificativa que o trabalho é para 2016, quando teremos (agora, tínhamos) a vaga garantida, entre outros. Todos dizemos que há anos não participamos, que desde 1996 não nos fazemos presente e por aí circulam nossos discursos. É impossível pensar em uma dessas questões se unir com as demais citadas e outroas e ainda outras demandas…

Mas agora, a questão principal é: o que buscaremos quando os jogos olímpicos forem no Brasil? Afinal pensávamos que a vaga para os jogos no Brasil estava garantida com seis (06) anos de antecdência. Não esta! A FIBA tirou a garantia da vagas para o Reino Unido e ainda não desenhou o sistema de disputa para o Rio-2016, mas a vaga, hoje, não é mais garantida.

E agora, CBB? Eu sei, vocês estão preocupados com os jogos de Londres-2012, afinal o mandato da atual gestão será (ou já esta?) colocada a prova em maio de 2013 e pode nem ser mantido até o mundial de 2014. Então, o que importa são os resultados imediatistas, pois a eleição exige que o cidadão tenha triunfos a mostrar. Pode ocorrer, é claro, deles ocorrerem. Mas pelo que vimos, o mais certo é que não teremos moleza dos adversários e dificilmente conquistaremos vaga, afinal estamos ficando experts em não participar dos Jogos Olímpicos – quando começarem os jogos de basquete em Londres, serão 16 anos sem participação no basquete masculino.

Entretanto, ações efetivas, como renovação e, principalmente, massificação do basquete – função da CBB, não do COB, segundo o Nuzman – e equipes competitivas não ocorre com o estalar dos dedos. Vários países nesses mundiais – masculino e feminino – eram fregueses de carteirinha do Brasil, como as vitoriosas Espanha e Argentina.

Portanto, precisamos de um programa que atenda todo o Brasil e tenha, entre seus objetivos, a formação de atletas de basquete. A CBB – e algumas das federações estaduais – esperam pelos clubes e estes, cambaleantes, fazem o básico: algumas equipes para participar de competições estaduais, projetos de renovação para que tenham novos atletas nos próximo anos. Mas massificação não ocorre no Brasil.

Precisamos, no citado programa, que a CBB se preocupe com a criação de escolas de formação de atletas com capacidade para atender centenas de jovens e não apenas poucos privilegiados. Um centro de treinamento é até necessário, mas muito maior é o apoio aos clubes formadores, a busca de novos espaços em cidades que tem história na modalidade para que recomecem seus projetos e equipes.

É preciso atitude. Mudança. Transformação. Novos paradigmas na formação do basquete brasileiro e não depoimentos como aqueles que Lula Ferreira deu ao Sportv ao ser questionado sobre a seleção masculina. A quem ele quis agradar? Quem ele tentou enganar?

sábado, 2 de outubro de 2010

Colinas e Magnano são a ponta do iceberg

colinas Carlos Colinas e sua consciência tranquila e o grande Rubén Magnano são escolhas de vocês. Se eu escrevesse uma linha contra em março, era crucificado... e o fui. Agora a culpa é deles? NÃO!!! Eles são profissionais e vieram atrás do que a CBB podia fazer por eles: dólares e euros.

A CBB deveria ter pago o Bassul e o Hélio Rubens metade do que gastou com esses retumbantes fracassos, pegar a outra metade e investir em projetos sociais. Nada de Núcleo Basquete do Futuro, que é presente para os amigos, que são os contemplados com núcleos que recebem verba da Eletrobras ou das subsidiárias dessa, o que dá na mesma.

A responsabilidade desses fracassos - nos mundiais - começam com Brito Cunha, que bagunçou tudo, passam por Grego, Carlos Nunes (que foi um bom estudante), e chegam nos despreparados Hortência e Vanderley - o que esses dois dirigiram na vida? Isso se chama dar nome aos bois. Mas vai ver estou sendo radical demais...

O que eu me questiono é se vamos esperar perder as vagas para Londres-2012 para dizermos algo mais contundente e trabalhar para que ocorram mudanças? Para que a formação de base passe a ser o foco principal? Para que a CBB invista nas equipes que tem projetos de base?ruben_magnano-foto-gaspar_nobrega

Hein, essa vagas estão perdidas, pois somos tão fracos, tão limitados que precisamos torcer pelos Estados Unidos para aumentarmos a chance de irmos aos Jogos Olímpicos antes de sermos sede. 

Também não penso que seja uma má idéia a CBB pegar as equipes da base e ajudá-las - a Liga Nacional de Basquete esta fazendo isso, ao criar um NBB Sub-20 com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte. 

Dinheiro pra isso a CBB tem - vem da Lei Agnelo-Piva, dos repasses do COB, da Eletrobrás e agora do Bradesco, da Nike e todas aquelas empresas que aparecem no site da confederação (total de 10)... Ou vocês acham que as logomarcas estão lá por caridade da CBB? 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tribunal de Justiça Desportiva do Basquete Gaúcho

Amanhã, 15/9/2010, é um dia histórico. A Federação Gaúcha de Basketball instalará seu Tribunal de Justiça Desportiva como determina a Lei 9.615/1998 (alterada pela Lei nº 9.981/2.000). É a primeira grande mudança oficializada no nosso basquete, saindo das necessárias ações do cotidiano – sabemos que outros projetos estão em processo de elaboração e contribuirão com o crescimento do basquete gaúcho.
Segundo o Sr. Gilson Kroeff, presidente da FGB, o TJD do Basquete Gaúcho surge de uma parceria da FGB com a Faculdade de direito da ESADE e é uma iniciativa pioneira no esporte brasileiro. Esse convênio será vantajosa para ambas as partes: a FGB terá uma estrutura física (cartório, estagiários, material de escritório e etc..), fazendo com que tenhamos um Tribunal bem estruturado e a ESADE possibilitará aos seus alunos o convívio diário com as atividades de um Tribunal Desportivo, incluindo parte das atividades extra-curriculares dos alunos da Faculdade de Direito. Também teremos integrantes da ESADE serão auditores do TJD do Basquete Gaúcho.
Além disso, a isenção e imparcialidade da ESADE dará credibilidade ao TJD do Basquete Gaúcho e fará com que todos os envolvidos na modalidade (clubes, atletas,  árbitros e a própria FGB) tenham uma fiscalização sobre suas atitudes.
O Sr. Gilson concluiu informando que além do Convênio a ser assinado entre as partes no próximo dia 15, outras parcerias estão sendo estudadas no sentido de beneficiarmos os filiados da FGB e os alunos da ESADE.
Tudo isso direciona-se para a legislação brasileira citada no início dessa postagem, já que os órgãos da Justiça Desportiva são autônomos e independentes das entidades de administração do desporto. Dessa maneira, as melancias vão se acomodando na carruagem, cabendo a cada parte a realização do seu trabalho, sem interferência ou poder excessivo sobre o conjunto administrativo do basquete gaúcho.
A administração da FGB deve ser parabenizada pela iniciativa – surgida um ano após assumir a gestão da entidade e 12 anos após a obrigatoriedade de criação de um TJD nas federações estaduais. Deve mais: ser incentivada a buscar outras ações que profissionalizem o basquete gaúcho, pois isso atrairá investimentos e mostrará a seriedade que estão tratando o nosso esporte. Mostram com essa iniciativa, Gilson e Carlos Eduardo Thunm, e com a promessa de que outras projetos estão em desenvolvimento, interesse em resolver as necessidades do basquete gaúcho. Aguardarei notícias dos novos projetos.
Abaixo o convite para a assinatura do convênio FGB/ESADE e a lista inicial de auditores informados pela FGB, sem a identificação do seguimento que cada um representa (FGB, clubes, OAB, árbitros e atletas):

  1. Mauro Pippi da Rosa (ex-jogador e advogado);

  2. Roberto Juchem (ex-jogador, filho de ex-jogador e advogado)

  3. Rafael Maffini (ex-jogador, Advogado e Professor Universitário da PUC, AMAFE, IDC e outras)

  4. Daniel Dáló de Oliveira (ex-jogador, advogado e Professor Universitário da PUC)

  5. Luciano Hocsman (ex-jogador, advogado e Vice-Presidente da Federação Gaúcha de Futebol).

  6. Newton Motta (ex-jogador e advogado)

  7. Daniel Cravo de Souza (advogado, especialista em Direito Desportivo, advogado e Diretor do Sport Club Internacional).

  8. Nei Breitman (ex-jogador e advogado)
TJD_Basq_Gaucho

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Turquia 2010 após a derrota – parte 2

No esporte, respeito se conquista com vitórias. Derrota é sinônimo de fracasso. César Cielo disse isso quando avaliou que os resultados de julho/agosto passado não eram os esperados e que precisa ver o que estava fazendo errado nos treinamentos para obter melhores resultados nas próximas competições. reconheceu que fracassou em seus objetivos.
Portanto, fracassamos na Turquia. Se olharmos pelo lado dos resultados, ó vencemos os fracos e inexpressivos Irã e Tunísia e aquele jogo com a Croácia. O debate público e a avaliação interna precisam ocorrer agora. Na véspera dos jogos, com técnico definido e convocação realizada não é o momento mais correto. Por isso falo agora, dou minhas humildes sugestões no período de (re)construção da equipe, da elaboração do cronograma para 2011. Avaliarei em silêncio durante as competições que vierem e voltarei a me posicionar após a próxima competição. O bombardeio de críticas deve ser feito agora e lembrem-se que só quem se importa faz críticas, põe o dedo na ferida, se expõe. No caso, pelo bem do basquete.
Agora, o que penso do Brasil na Turquia-2010.
Temos seis (06) atletas revelados por Hélio Rubens entre 1999/2002 e ainda tem um que nunca – sim, NUNCA – defendeu o Brasil em um mundial e que qualificaria esse grupo significativamente. O nome dele é Maybyner Rodney Hilário (Nenê). Então, esses sete atletas ainda foram convocados para a Turquia 2010 e podem ir tanto ao Pré-Olímpico de Mar del Plata em 2011 como aos Jogos Olímpicos de Londres-2012, se conquistarem a vaga em 2011.

  • Dois desses atletas estão na NBA e dois na Europa. Na NBA, Varejão e Leandrinho, não são “o cara” em suas equipes, mas são parte significativa da equipe, como titulares ou sexto-homem. Nossos pivôs no mundial (Varejão e Splitter) são ótimos defensores, dominantes nos rebotes e capazes, técnica e fisicamente, de jogar na área restritiva do adversário com êxito. Temos o Nenê, esse sim o pivô (5) típico, junto com o Splitter, mas ele nunca defendeu o Brasil em mundiais e não merece ser esquecido, pois teve coragem de se envolver na politicagem da CBB e se opor a gestão anterior, que não é tão anterior assim, pois parte do pessoal permanece e o assessor do grego é o atual presidente;

  • Leandrinho, um ala-armador (posição 2) com bom arremesso, mas que esta habituado a jogar com movimentações/chaves que o colocam em condições de realizar um backdoor ou um jump equilibrado. O outro ala, membro dessa lista de 2002, é um guerreiro, um dos melhores defensores do nosso basquete, que contribui nos rebotes, na condução de bola… E ainda pontua com qualidade. Teve passagem na NBA, mas lesões o trouxeram de volta para o Brasil;

  • Da Europa veio o nosso armador, Huertas, que é mais um definidor (é o que faz no Caja Laboral) do que um organizador do jogo para a sua equipe. Não é um Teodosic (Sérvia) ou Prigioni (Argentina) que pontuam, mas o mais importante é servir os colegas, elevando a pontuação da equipe. Não é, também, um mal jogador ou o maior destaque dessa equipe. É, sim, um jogador que merece estar na seleção brasileira;

  • Guilherme Giovannoni. Esse ala-pivô é um dos melhores do Brasil. Disciplinado, joga para a equipe o tempo todo e, mesmo quando esta no banco, se dedica ao time. É humilde, um cara de grupo e pontua quando os demais colegas estão em um dia ruim. Vejo como alguém sempre mal aproveitado na seleção;

  • Os reservas… Murilo Becker é um excelente ala-pivô, mas é utilizado como pivô (5) nos seus clubes, dificultando a adaptação. Para mim, desde que começou a ser convocado e mostrou versatilidade, deveria ter sido orientado a jogar aberto ou como pivô móvel;

  • Marquinhos é sensacional. O jogo que ele fez contra os Estados Unidos o credenciaram para ter mais espaço em quadra. Não foi o que ocorreu. Jogou 28 minutos contra EUA e para o jogo seguinte já perdeu 12 minutos. Contra Croácia e Argentina? Só 5 e 9 minutos, respectivamente. Fez 16 pontos contra os EUA, foi mal contra a Eslovênia, então recupera o atleta psicologicamente e o coloca mais tempo contra a Croácia. Não, o atleta foi sendo colocado no fundo do banco, sem espaço em quadra;

  • Armadores reservas: Nezinho nem deveria estar na seleção, por ter se recusado a jogar em 2006. Mas vamos perdoá-lo, pois todos somos humanos. Assim, resta a pergunta: o que ele faz na seleção? Ele é mais definidor do que armador e um péssimo defensor. Precisamos de um armador experiente, para cadenciar o jogo? Helinho (Franca) é o nome. Nem foi cogitado e levaram dois armadores que nào contribuiram no momento de mudar o ritmo e a filosofia do jogo. Raulzinho, não vou nem falar, mas indicar a leitura da minha postagem de 24/8: No lugar do jovem talentoso, a experiência... O guri é dedicado, mas foi uma vaga que poderia ser preenchida por armadores mais velhos ou jovens, mas mais velhos que o Raulzinho, como Jefferson (Paulistano), Ícaro (EUA), Ian (Flamengo, 2,00m, armador!!!). Todos esses – e outros – devem ser considerados e trabalhados para 2012 e 2016;

  • JP Batista. A pior das convocações. Eu penso que os técnicos de base da CBB tiveram influência demais nas indicações da seleção sub-18 no início do ano e usaram isso no adulto. Não tínhamos, no Brasil, alguém que pudesse dar descanso ao Splitter e ao Varejão que não perdesse um passe de peito no meio da quadra? Fala sério… Rídiculo! Temos pivôs na NCAA, como Douglas Kurtz (University of Hawai’i,  tem 2,17m - 122Kg), Renan Leichtweis (Bilbao, Espanha), Luiz Paulo “Lupa” (era atleta do E. C. Pinheiros e hoje estuda/joga Marshalltown Community College, tem 2,10m - 113Kg), entre outros.
Pois bem… É bem possível que cinco dos seis jogadores (incluir Marcelinho Machado) que formam a base dessa equipe adulta (Varejão, Splitter, Leandrinho, Alex e Giovannoni) desde 2002 esteja no pré-olímpico de Mar del Plata em 2011. Ainda temos como certos Huertas, Murilo e, possivelmente, Nenê. Os outros voltam a disputar uma das quatro vagas restantes. Precisamos encontrar um armador capaz de organizar o jogo para a equipe nesse período e a pergunta é se a CBB vai olhar para os muitos atletas brasileiros que estão na Europa e na NCAA e, ainda, se na hora da convocação não vão criar uma briga com a CBDU por causa da Universíade de 2011 (Shenzen, China, de 12 a 23/agosto), como foi em 2009.
Espero que lá eles façam a sua parte e vençam seus jogos sem precisar que outro país o faça por eles – ontem tivemos que torcer pelos EUA quando a Turquia se aproximou do placar e os comentaristas das tv’s voltavam a explicar a importância dos EUA vencerem o campeonato mundial para facilitar o nosso trabalho pela vaga olímpica. Isso é um indicativo que deixa claro que tem algo errado quando torcemos contra os outros para obtenhamos o título, a vaga. Ligar o sinal de alerta, reavaliar tudo – do técnico aos atletas, passando pelo acompanhamento do maior número de atletas com potencial de seleção que estão fora do Brasil – são ações para serem concretizadas agora. Não em abril ou maio de 2011.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

NBB Sub-20 com verbas da Lei de Incentivo ao Esporte

É a melhor notícia que recebi nos último dias: a Liga Nacional de Basquete consegiui aprovar no Ministério do Esporte projeto referente a Lei de Incentivo ao Esporte onde precisará buscar recursos para o NBB Sub-20. Querem iniciar em 29/10/2010, junto com o NBB-3. Sensacional idéia, já debatida aqui no Mais Basquete no post Nacional Sub-20, sub-22 ou sub-23... A hora, é agora! em 04/10/2009 e em outras ocasiões. É o pirmeiro passo, significativo, para a transição da base para o adulto e para a renovação do basquete brasileiro.

A CBB deve ser a primeira a querer repassar recursos que recebe do COB para essa competição, afinal, a LNB esta fazendo uma coisa que deveria ser construída pela CBB. Mais ainda: foi eficiente na aprovação do projeto para captação de verba via Lei de Incentivo ao Esporte.

Sr. Kouros e toda administração da LNB estão de parabéns pela primeira conquista. Agora, tem que conseguir as empresas que queiram participar do projeto NBB Sub-20. O mais importante é que a iniciativa abre espaços para que esses jovens possam ser preparados para a profissionalização ao mesmo tempo que completam seu desenvolvimento.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Turquia 2010 após a derrota – parte 1

“Siempre se disfruta ganarles. Con este equipo somos uma familia
en estos momentos es cuando se Dan los extras de piernas, de corazón, de entrega.
Sabíamos que iba a ser un partido durísimo Pero contestamos como equipo y creo que
hicimos um gran trabajo”
(Site do Carlos Delfino, 7/9/2010, após o jogo como Brasil).
 BRA_ARG_HUERTAS_CRYAcabou. Meu lado de torcedor do basquete brasileiro, que vibra, que sonho, que projeta conquistas e alegrias semelhantes as que vive o nosso voleibol, consequencia da magnífica estrutura criada pela CBV, vai ter que esperar mais algum tempo. O voleibol também arranhou pódios, perdeu nos detalhes até se tornar frio, tático e se tornar vencedor.
Por outro lado, sou um professor de educação física que escolheu a profissão pelo amor ao basquete. Também sou técnico da modalidade. Mas eu sou um cara que se posiciona, não se esconde atrás da mesa ou do nome do clube que dirige para se omitir. Sempre fui assim. Hoje dou opinião, sugiro formas de desenvolver o esporte, arregaço as mangas e vou a luta pelo que defendo. Foi assim em 2007/2008 quando mobilizamos o basquete gaúcho com a criação da AGABAS. Por isso tem quase uma década que estou me posicionando contra a forma administrativa da CBB e da FGB – não pensem que não sofro revés por buscar modificar o status quo vigente que é prejudicial ao nosso basquete. Eu penso que é preciso desconstruir o que temos de estruturação, avaliar as sobras, proveitar o útil e construir um basquete vencedor. Iugoslávia fez isso nos anos 1960 e hoje dissolvida em sete países, por questões políticas, tem três seleções nesse mundial: Croácia, Eslovênia e Sérvia.
A experiência de trinta anos no meio do basquete e querendo vê-lo vencedor me faz um crítico cada vez mais indignado do desenvolvimento do basquete brasileiro. Penso na CBB como fomentadora da modalidade no país, utilizando a estrutura das federações – e até fortalecendo essas estruturas – para desenvolver projetos que massifiquem a prática da modalidade. Mas isso vou procurar falar, nos próximos dias, incluindo a organização do basquete brasileiro, das categorias de base, da constituição das seleções de base, do adulto masculino, do adulto feminino, da formação de técnicos, de Rubén Magnano e da nossa brilhante conquista nesse mundial: cargos administrativos nas comissões da FIBA. Não sou dos que acreditam que reconquistamos o prestígio internacional – éramos favoritos mais pelos nomes que compõem nossa seleção, especialmente do Sr. Rubén Magnano, do que por resultados significativos em quadra.
Sobre nossa campanha na Turquia, vou dizer três coisas hoje:BRA_ARG_SPLITTER_VAREJAO

  1. Esse grupo é qualificadíssimo pelo esforço de cada atleta para terem espaço no basquete brasileiro ou internacional. Nenê, o pioneiro na NBA, não teria saído do Brasil pela CBB e pelo Vasco. Foi na marra atrás do próprio sonho. E assim os demais atletas...

  2. Já era de conhecimento de todos a lesão no tornozelo do Anderson Varejão, que jogou com dores e não fugiu da luta. Hoje foi divulgado que Tiago Splitter também jogou no sacrifício, com problemas musculares na coxa direita (teve na esquerda durante os treinos no Brasil). Como os treinamentos eram secretos, onde ele era preservado e a comissão técnica não divulgou o fato, não sabíamos de nada, permitindo margem para avaliações erradas da participação do Tiago Splitter. Portanto, sobre os atletas brasileiros que integraram a seleção brasileira nesse Campeonato Mundial só quero parabenizá-los. Em especial aos nossos astros da NBA: Anderson Varejão, Leandro Barbosa e o “rookie” Tiago   Splitter. Estes atletas – desde 2002 – estão presentes nos mundiais, nas convocações e sempre que necessário sacrificam-se um pouco em prol de nossa seleção. Eu reconheço isso, pois acompanho o Brasil desde as Filipinas/1978 quando os jogos foram transmitidos ao vivo pela Globo. Tenho certeza que todo brasileiro percebe o mesmo. Não precisavam, pois já conquistaram dinheiro, espaço, respeito e fama internacionais fazendo o que os motiva: jogando basquete. Mas esse amor ao jogo, ao Brasil, os faz sempre presentes. Por isso merece ser reconhecida a dedicação. Se cito os “americanos”, tenho que incluir o Marcelinho Machado, o Alex Garcia e o Guilherme Giovannoni que formam os seis atletas que vem desde a época de Hélio Rubens na lista da seleção. Todos com experiência internacional.

  3. Analisem o quadro comparativo de nossas seleções de 2002, 2006 e 2010 para pensarmos em atletas. Abaixo da listagem, os resultados obtidos em cada campanha.
2002
2006
2010
Marcelinho Machado
Marcelinho Machado
Marcelinho Machado
Alex Garcia
Alex Garcia
Alex Garcia
Tiago Splitter
Tiago Splitter
Tiago Splitter
Anderson Varejão
Anderson Varejão
Anderson Varejão
Guilherme Giovannoni
Guilherme Giovannoni
Guilherme Giovannoni
Leandro Barbosa
Leandro Barbosa
Leandro Barbosa
Sandro Varejão
W. “Nezinho” dos Santos
W. “Nezinho” dos Santos
Vanderlei Mazzuchini Jr.
Murilo Becker
Murilo Becker
Demétrius Ferraciú
Marcelinho Huertas
Marcelinho Huertas
Helio Rubens Filho
Estevan Ferreira
J. P. Batista
Rogério Klafke
Caio Torres
Marquinhos Vinicius
Rafael Baby Araújo
André Bambu
Raul Togni Neto
5 atletas jogaram em 1998
6 atletas jogaram em 2002
9 atletas jogaram em 2006
4 vitórias
5 derrotas
Aproveitamento: 44,4%
1 vitória
4 derrotas
Aproveitamento: 20%
3 vitórias
3 derrotas
Aproveitamento: 50%
Eliminado nas quarta-de-final – na disputa de 5º a 8º lugares perdeu para Espanha e Porto Rico
Eliminados na fase de grupos – pelos critérios da FIBA foi classificado em 19º lugar
Eliminado nas oitavas-de-final - pelos critérios da FIBA foi classificado em 9º lugar



Ah, desculpem, mas faltou falar da citação lá no início dessa postagem: o que esta sublinhado serve, em número, gênero e grau para os atletas que estiveram na Turquia.
BRA_ARG_VAREJAO_DELFINO

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ainda o tumulto da final do NBB2

Eu fico assustado quando leio a respeito dos acontecimentos do quarto jogo da final do NBB2. O que ameniza a discussão das decisões da NBB foi que Brasília sagrou-se campeã. Foi isso e somente isso. Entretanto, me dou o direito de discordar do Dr. Rubens Calixto em seu artigo Confusão na final do NBB: uma decisão sábia, publicado no site da liga (clique no link e leia na íntegra). Uma decisão pedagógica com a qual concordaria, seria se o ginásio fosse interditado e o responsável pelo início do tumulto, o jogador Wagner, do Flamengo, também tivesse sido suspenso de imediato e os demais como foi posteriormente pela Comissão Disciplinar da liga. Penso que isso teria sido uma tentativa de equilibrar as decisões, pois como ocorreu só Brasília foi prejudicado. Cabe repetir a indignação do Jorge Bastos, diretor da equipe de Brasília depois que a LNB transferiu o jogo para Anapólis: "foi uma sacanagem! Fizeram uma reunião e o único prejudicado foi Brasília". Não creio que tenha sido intencional, apenas uma má decisão.
O único julgamento  que não foi preciptado foi relativo aos jogadores do Flamengo que ocorreu depois da final - se tivesse sido realizado antes do quinto jogo, certamente facilitaria a vitória da equipe de Brasília. Ao mesmo tempo, Brasília perdeu o mando de quadro imediatamente, já nas primeiras declarações da NBB. Quem foi punido, então? Os torcedores que não invadiram a quadra em um ginásio para 25 mil pessoas, foram expulsos da festa final do basquete brasileiro pela decisão da liga, pois em Anapólis o limite de público era de 6 mil pessoas(1). Se a decisão de não julgar os acontecimentos gerados pelos atletas do Flamengo pareceu justa do ponto de vista do espetáculo, também era justo julgar a segurança do ginásio na mesma data. O que ocorreu foi um favorecimento para o Flamengo, pois seus atletas puderam participar da final e Brasília não pode jogar no seu ginásio, no último e decisivo jogo da temporada. Não pode haver dois pesos e duas medidas. É bom a LNB ficar de olho, refletir sobre essa decisão e não prejudicar outros clubes por esse erro, pois os atletas poderão ser induzidos a provocar torcedores nos jogos fora de casa somente para que o adversário perca o mando de quadra.

_________________________

(1) Eu publiquei em Final do NBB: quarto jogo que a Arena HSBC comportava 6 mil pessoas. Erro que só percebi agora, escrevendo esta postagem. Corrijo e me desculpo com o leitor pela informação errada. Me apóio no site da Arena HSBC (Rio de Janeiro) para isso: lá cabem até 18 mil pessoas - e pela descrição dos espaços é possível 15 mil lugares em jogos. Vou fazer uma postagem específica dos ginásios do NBB-3 para o leitor saber onde jogam nossas equipes.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Unbelievable!!!

Eu sou muito crítico: penso que técnico estrangeiro na seleção brasileira de basquete não é o caminho ideal, pois desvaloriza nossos técnicos, nosso trabalho. Mas hoje, estou revendo minha posição com base no resultado do jogo com os EUA. Não baseado no placar magnífico (só dois pontos!!!), mas no conjunto da obra, no trabalho tático, que estava excelente - pecamos com as 4 faltas do Huertas e sem substitutos a altura, reduzindo o poder de ataque do Leandrinho que teve que organizar o jogo. Mas isso é outro problema, uma discussão que já vem se arrastando. O que importa é que quando jogaram no esquema tático estipulado, o resultado foi um jogo ponto a ponto - estivemos 8 pontos na frente e somente 4 atrás no final. A defesa foi magnífica. Os turnovers é que preocupam, pois mostram afobação. Mas isso também é corrigível.
O que importa é que a seleção tem comando. Os atletas formaram um grupo, uma equipe, não apenas um time. Marquinhos teve outra postura, marcou muito bem - cito por causa da passagem anterior pela seleção e para confirmar o que penso: são jovens, precisam de novas oportunidades. Não sei se cada um acreditou 100% que era possível encarar os EUA, mas o resultado mostra que conseguiram muito no dia de hoje: conquistaram o respeito do torcedor brasileiro. De agora em diante olharemos os jogos torcendo e sabendo que são capazes, não mais com aquela interrogação questionando quando que vai tudo por água abaixo.
Isso não significa que mudei de idéia em relação ao técnico da seleção ser um estrangeiro ou sobre a má convocação dos armadores - na hora que precisávamos Nezinho e Raulzinho nem entraram. Estavam lesionados como Varejão? O significado dessa postagem é reconhecer que Magano é um magnífico a beira da quadra e conseguiu fazer o que os outros (os técnicos brasileiros, que defendo) não conseguiram fazer até agora. Com a mesma geração e sem Nenê e Varejão em quadra. Vamos imaginar quando os dois se juntarem a esse grupo... Talvez em Londres-2012. O primeiro pedido de tempo que ele pediu foi na hora certa, quando começava aquele momento que tememos: o da descrença e que tudo vai por água abaixo. Colocou a seleção no jogo de novo. Mesmo sem microfones, quando ele rabisca na planilha e colocava o indicador na ponta da testa, dava para entender o que ele queria.
Então, essa fase de Rubén Magnano e Fernando Duró a frente da seleção tem que ser transformada em aprendizado, de formação de novos e competentes técnicos do basquete brasileiro - não aquele cursinho da ENTB. Se a CBB escolher quem serão os beneficiados desse processo, certamente irá reduzir o alcance do efeito multiplicador do que podem ensinar, mas se massificar a atuação, interação e aprendizado com eles, o resultado, certamente, será positivo. Já penso que o que ele conquistar, deve lhe dar o direito de usufruir da conquista no futuro, ou seja, se ganhar a vaga olímpica, deve ser o técnico lá e se trabalhar pelo basquete brasileiro como citado acima, deve ser valorizado por isso. Lamentavelmente nossos técnicos de ponta, dos clubes do NBB, não ministram cursos pelo Brasil, fica tudo nas mãos do Barbosa, que nem dirige mais equipes.
Finalmente, precisamos trocar nossa emotividade e baixa auto-estima pela razão e pela confiança de que somos capazes. Precisamos ler/ouvir uma crítica de quem é do meio esportivo e reflitir sobre a mesma sem começar a fantasiar um adversário, alguém do contra ou alguém que quer nos derrubar, tomar nossa posição. Somos capazes disso e quando as coisas acontecem, como hoje, percebemos que podemos mudar o status quo e evoluir. Sim, nosso basquete deu um salto e vai crescer muito mais quando a força defensiva se concretizar, enraizar-se na alma de nosso jogador e usarmos o nosso poder de atacante - o desejo de sempre atacar - para penetrarmos, rompermos a defesa adversária e reduzirmos os arremessos de longa distância. Apesar do índice de aproveitamento de 3 pontos ser quase o mesmo dos EUA, arremessamos 11 vezes a mais que os Estados Unidos dos três pontos, ou seja, erramos muitas bolas dessa região quando poderíamos infiltrar e permitir os arremessos de média e até de 3 pontos em melhores ocndições. Por isso a bola do Huertas no final, infiltrando e não arremessando, foi uma escolha corretíssima, mesmo errando os lances livres - nosso aproveitamento foi medíocre nos lances livres: 50% é muito baixo.
Mas enfim, o jogo de hoje nos colocou em outro nível e espero que de lá, para nos tirarem, tenham que suar muito, como fizemos hoje com os EUA. Inacreditável, pois pensei que não veria, tão cedo, a seleção brasileira de basquete fazer os americanos correrem, seus técnicos sairem do circo midiático e atuarem como tal (até suando Coach K estava) e fazê-los comemorem o final do jogo com se fosse a vitória do campeonato. Parabéns a todos na seleção brasileira. Mantenham o foco e que venham os europeus...

P.S.: as fotos são do site da FIBA e, por mais que eu quisesse colocar de nossa seleção atacando, só tinham fotos dos EUA no ataque e nós na defesa. Isso não mostra o nível do jogo e quem correu atrás a maior parte do jogo. A CBB deve conversar com o pessoal da FIBA sobre isso.

domingo, 29 de agosto de 2010

Mais Basquete pode virar livro

Eu tenho selecionado as melhores postagens para montar um livro de meu posicionamento sobre o basquete brasileiro, sobre o esporte e as políticas públicas para o esporte e para o lazer. Um dos meus amigos que acompanha as escolhas, me mandou um e-mail hoje me indicando para inscrever o Mais Basquete no Prêmio Blog Books e resolvi inscrever o mais basquete. fui ver e é exatamente isso: um prêmio onde uma editora publicará as postagens do blog no formato de livro. É o que vou fazer, melhor ainda se for editado pela Singular Digital.
Então, leitor, clique no link abaixo e transforme o Mais Basquete em livro. O link vai levá-lo as diversas categorias da premiação, basta escolher Esportes, procurar por Mais Basquete e votar.



terça-feira, 24 de agosto de 2010

No lugar do jovem talentoso, a experiência...

Eles são os campeões e nós, nos últimos anos, os idolatramos. Tanto isso é verdade que contratamos um técnico de lá. Falo da Argentina. Então, trago a experiência do atual técnico da seleção argentina para a Mision Turquia 2010, ao justificar a escolha de Luis Cequeira Junior (armador, 25 anos, 1,80m) no lugar do lesionado Juan Pablo Cantero. O grande talento na atualidade, na posição, é Juan Manuel Fernández, um armador de 19 anos, 1,90m e que joga na NCAA. Não se trata, portanto, de uma solução caseira, reserva em seu clube. Trata-se do próximo Ginobili, que assim como Lucas Bebê, Ícaro Parisoto e outros jovens no Brasil foi aproximado da seleção adulta da Argentina. Leiam o que disse Hernandez:
Argentina vs Líbano, 2010.

“[Luis Cequeira] Junior fue el base del Sudamericano, pertenece a este proceso, ya conoce bien los sistemas defensivos y ofensivos del equipo. Me parece que es la mejor opción porque está en un gran momento de madurez y físicamente óptimo. Lamentamos muchísimo lo de Cantero, no sólo como jugador sino también como persona, como pasó con Figueroa”. Sobre este tema, completó: “Elegí a Cequeira y no a Juan Fernández porque no me parece un buen momento para que tome una posta tan caliente, con tanta presión, a tan temprana edad y sin haber jugado tanto en el Sudamericano” (http://turquia2010.cabb.com.ar/noticias_ficha.asp?not=3868).

Olha, minha crítica não é direcionada ao Raulzinho, pessoalmente, mas sim ao processo. Quero aproveitar e parabenizar o empenho, a dedicação e a maturidade que esse jovem vem adquirindo nos últimos anos e dizer que ele esta correto em querer os melhores jogos, as melhores competições. Mas minha crítica é a CBB que pode colocar a carreira de um talento promissor ladeira abaixo. Ser empurrado, apadrinhado, por vezes, amolece o ser humano - as coisas vem fácil, para quê dedicação? Temos um exemplo clássico disso: Nezinho, apadrinhado por Lula (o ecnico, nào o presidente) e pelo que se esperava dele pela herança genética. Contra a Austrália não marcou nada. Bastava um corte e ele ficava para trás. E aí, Varejão, Splitter e Muriilo cobrindo ou fazendo falta para recuperar o espaço perdido. Pior que isso: Nezinho pode vir a ser titular, caso Huertas não suporte a dor no joelho noticiada dias atrás - nesse caso também temos duas hipóteses: ou ele vai jogar no sacrifício (e comprometer o joelho, a carreira) ou ele vai dosar o empenho (prejudicando a seleção). Espero que tudo dê certo nessa situação, mas a convocação do Raulzinho nos criou dois problemas:
  • se Huertas se lesionar, Nezinho será o titular e terá que permanecer tanto tempo em quadra quanto ocorre nos clubes onde joga - isso compromete a qualidade do jogo dele;
  • Nezinho titular, Raulzinho terá de jogar mais tempo do que o esperado - penso que com a aexperiência que possui, Rubén Magnano, estava projetando um ou dois minutos em quadra com o intuito de dar-lhe experiência. Agora, será o primeiro a jogar;
  • Ao escolher Raulzinho e descartar Hátila, Rubén Magnano desconsiderou as possibilidades de Nenê, Varejão e Splitter se lesionarem e ficarem fora da seleção. Nenê já foi, Varejão teve dores nas costas e ficou fora por quase duas semanas e Splitter também se lesionou. Ainda bem que Murilo tá jogando um bolão...
Portanto, estamos em uma perigosa situação. Como técnico e analista das questões burocráticas, legais, técnicas e táticas da seleção fico preocupado. Como torcedor, não quero nem pensar em qualquer das situações acima. Vai dar tudo certo... Esse é o perigo no Brasil: o excesso de fé e a reduzida labuta.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Copa Sub-23... de futebol!!!

Parece que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) visualiza a importância de fortalecer a base e ampliar o contingente de atletas formados até 23 anos, a idade olímpica. Tanto é que esta organizando a Copa Sub-23, com a presença de 10 grandes clubes brasileiros, divididos em dois grupos: Avaí, Vasco, Fluminense, Palmeira e Inter e o grupo B tem Santos Botafogo, Atlético Mineiro, Flamengo e Corinthians. Enquanto isso na CBB (Confederação Brasileira de Basketball)...

 

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

15 equipes disputarão o 3º NBB 2010/2011

Como resultado do prazo dado ao CECRE/Vitória (ex-Saldanha da Gama), a Universidade/Rio Claro e ao Iguaçu Basquete, a terceira temporada da Liga Nacional de Basquete voltará a ter quinze (15) equipes, como na primeira edição. O Conselho de Administração da LNB recusou a participação de Universidade/Rio Claro e Iguaçu Basquete Clube, pois não cumpriram os requisitos financeiros e técnicos.
O Centro Capixaba de Referência ao Esporte (CECRE) que recebeu da LNB a franquia que era do Saldanha da Gama, participará como CECRE/Vitória, por cumprir as solicitações da LNB (planejamento para a próxima temporada e garantias financeiras para este campeonato), através das parcerias realizadas naquele estado e com a Metodista/São Bernardo – a equipe paulista disputa o campeonato da FPB e se mudará para Vitória, onde será a sede da equipe para todos os jogos do NBB.
Na mesma reunião ficou definido que o formato de disputa é o mesmo de 2009/2010, ou seja, 5º ao 12º disputam quatro (04) vagas para as quartas-de-final, seguido de semi-final e final, disputados em melhor de cinco jogos. A idéia de uma final única, porém, permanece para ser implantada na disputa de 2011/2012 ou posteriormente.
Deixo as seguintes perguntas:
  • Iguaçu Basquete Clube e Universidade/Rio Claro perdem a franquia por terem se ficado afastado por três edições do NBB?
  • A LNB tentará equalizar, para as próximas temporadas, as diferenças de participação regionais – veja o gráfico, esse campeonato para um Sudestão e dois agregados?

As equipes do 3º NBB (2010/2011) serão: Lupo/Araraquara, Assis Basket, Itabom/Bauru, CECRE, Uniceub/BRB/Brasília, Flamengo, Vivo/Franca, Winner/Limeira, Minas Tênis Clube, Araldite/Univille/Joinville, Pinheiros/SKY, São José/Unimed/Vinac, Paulistano/Amil, Vila Velha/Cetaf/Garoto/UVV e Unitri/Universo/Uberlândia.

* Postagem baseada em release de Guilherme Buso, Assessor de Comunicação da Liga Nacional de Basquete.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Basquete, esporte coletivo - parte II

Acabo de assistir no sportv entrevista com Rubén Magnano. Fico contente com minha postagem de ontem, “Basquete, esporte coletivo”. Sabe por quê? Por duas frases: “solidariedade no ataque” e “igualdade e respeito a todos”, do novato a estrela – e temos 6 ou 7 grandes nomes ali. As frases destacadas resumem a elaborada coleta de dados que fiz para o que foi postado ontem.
Foi dessa forma que a Argentina chegou ao título olímpico de 2004 e se manteve entre as quatro melhores equipes do mundo.

 

Rubén Magnano espera montar uma seleção de basquete com um jogo mais solidário

domingo, 8 de agosto de 2010

Basquete, esporte coletivo

Posso não concordar com uma palavra do que dizes,
mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las.


Tenho visitado o blog da Liga Nacional de Basquete com bastante frequência nos últimos dias. Minutos atrás encontrei* indicação para o site do Oscar e o vídeo que ele postou ontem. Não vi ninguém falar nada no twitter ou mesmo em outros blogs. Talvez por discordarem do que nosso ícone da modalidade fala no vídeo, talvez por não considerarem importante suas ideais do jogo ou, ainda, por concordarem explicitamente com a fala do ídolo, pois vejam o que publicou o editor do território: “quando as lendas falam, resta a nós, meros mortais, nos calarmos para ouvir”.

Me dou o direito de discordar disso – a frase do editor do Blog da LNB – e do que transcrevo abaixo, que faz parte do vídeo. Nas palavras de Oscar (exatamente como esta no vídeo): 
eu só espero que os pivôs joguem o que tem que ser jogado. Não é por que alguém jogou na NBA ou na Europa é que esta qualificado a querer todas as bolas. Por favor! Pivô tá lá pra pegar rebote. Tá lá pra marcar. Tá lá pra fazer bloqueio e se sobrar faz algumas cestas. É isso que eu espero dos nossos pivôs, que é grande força da seleção brasileira. Se os nossos alas, alinhas e armadores, etc. souberem que lá embaixo tem pivôs hábeis e que podem jogar bom basquete e os pivôs estarem sabendo seu papel qual que é (nós somos) nós temos condições de lutar pelas 4, 5, no máximo, lugares no mundial. Eu sei disso. Tenho certeza. Basta que todos se concentrem.
 É por declarações desse tipo, querendo que os atuais jogadores perpetuem uma forma errada de jogar e por ter efetivado isso na seleção e nos clubes por onde jogou que já definiram Oscar como o “único jogador que conseguiu transformar um esporte coletivo em individual...".
Eu considero isso um absurdo. Talvez Oscar não perceba como os brasileiros o enxergam, o ídolo que ele é, ou talvez, por se ver como um ídolo queira impor seu método fracassado de jogar basquete – ele é meu ídolo pela forma apaixonada e guerreira que jogava cada segundo com a camiseta da seleção, nem tanto pelo desempenho em quadra (eu sempre gostei mais de Guerrinha, Pipoka, Israel, Nilo, Carioquinha, Marcel...). Com certeza Oscar precisa observar outros ídolos, como Pelé, Tostão, Michael Jordan ou mesmo aqueles (Israel, Rolando e Cadum) que ele trata no vídeo como serviçais de sua capacidade de pontuar – que nem era lá essas coisas. Hoje compreendo o que passaram Gerson, Pipoka, Israel, Rolando, Cadum, Guerrinha... Muitas vezes Oscar se impôs pelo espírito guerreiro, por não desistir, por motivar e liderar o time, como no Pan de 1987 que não valorizamos sua imaginária superioridade ante os demais colegas de equipe. Muitas vezes ele nos irritou pelo exemplo negativo perante árbitros, colegas de equipe e adversários. Isto visto em jogos pela TV e em jogos vistos in loco (finais do brasileiro entre Corinthians SP e Corinthians SC e jogos amistosos da própria seleção), mas a mídia nos empurrou o total de pontos que ele marcou e o transformou em herói. Nós tínhamos um grande time nos anos 1980 (lembro-me de Guerrinha, Nilo, Cadum, Marcel, Maury, Israel, Josuel, Pipoka, Rolando...) e não ganhamos tantos jogos e tantos títulos como merecíamos. Comparando alguns dados para essa postagem percebi o porquê: individualismo exacerbado.
Seleção, em minha humilde posição de ex-atleta de base, educador e técnico do interior, penso que é o conjunto dos melhores jogadores e não 11 serviçais trabalhando duro para o sucesso de apenas um. Talvez Oscar tenha sido incentivado a pensar no próprio êxito e esquecer o que há de mais lindo no esporte: a coletividade como sinônimo de equipe e a superação que leva ao sucesso – vitórias. Quem se sente preterido, subvalorizado não consegue dar o máximo de si, pois não se enxerga capaz de ir além do que esperam dele – talvez o esforço de Isarael nos rebotes fosse para dizer: “hein, quero jogar no ataque! Passa uma bola” ou a marcação feroz de Cadum significasse: “eu me estraçalho para marcar, me deixa ter o prazer de atacar, de pontuar algumas vezes, mesmo que não pontue tanto quanto você Oscar” (para mim esse é o grande prazer do basquete). Ao contrário disso só se alguém acreditar que atletas são super-heróis – no sentido de possuírem poderes especiais – e não seres humanos. Será que algum leitor acredita nessa hipótese?
Por outro lado Oscar reconhece – e eu também aceito isso, mas valorizo mais os técnicos brasileiros – que Rubén Magnano é um dos grandes técnicos do mundo – eu acrescento Hélio Rubens nessa lista – e que sabe o que esta fazendo. Então vamos falar da Argentina no Mundial de 2002 e Jogos Olímpicos de 2004? Vejamos**:

  • No Mundial de 2002, quatro jogadores fizeram mais de 100 pontos na competição, um deles era Center/pivô (2,08m), dois eram alas-pivôs (2,03m e 1,93m) e um era escolta (1,98m);
  • Cinco jogaram mais de 20 minutos por jogo e quatro jogaram entre 16 e 20 minutos por jogo, ou seja, os nove (09) atletas que mais jogaram ficaram entre 13 e 24 minutos no banco, em média – isso mostra coletividade, pois ninguém foi absoluto;
  • Os demais (três atletas) jogaram quase 8 minutos por jogo e contribuíram com 8,8% dos pontos da Argentina na competição;
  • Quem mais pontuou (127 pontos) foi o armador e o segundo maior pontuador, com 120 pontos, foi o pivô;
  • Média de idade de 25,83 anos, sendo o mais velho com 31 anos e o mais novo com 22 anos (Scola);
  • Média de altura (trabalho de garimpo, segundo Sérgio Hernandez, atual técnico da Argentina) de 1,98m, sendo o mais alto com 2,08m (o pivô titular) e o mais baixo com 1,82m (o armador reserva);
  • Para os jogos olímpicos de 2004, apenas duas mudanças: saíram Leo Palladino e Lucas Victoriano e entraram Walter Herrmann e Carlos Delfino;
  • Essas duas trocas aumentou a média de altura para 2,00m e baixou a idade para 24,91 anos;
  • Entre os cinco principais cestinhas da Argentina: um era o pivô (5), outro era o pivô de força (4), dois alas (3) e um escolta (2);
  • Nos rebotes, os destaques foram: dois pivôs (5), um pivô de força (4), um ala (3) e um armador (1);
  • Nas assistências os destaques foram: Um armador (1), dois escoltas (2), um ala (3) e um pivô (5);
  • A Argentina utilizou 22 atletas do Mundial de 2002 aos Jogos Olímpicos de 2008;
  • Somente cinco destes participaram das quatro competições: Fabricio Oberto, Emanuel Ginobili, Luis Scola, Andrés Nocioni e Leo Gutierrez;

·        Percebe-se que a seleção  (escolhidos entre os melhores) de Magnano – elogiada por Oscar – foi montada para jogar de forma coletiva, em prol dos objetivos do jogo: pontuar mais que o adversário, determinar o limite de pontos que poderá sofrer abaixo da meta ofensiva, óbvio, e evitar a concentração da defesa adversária em um ou dois jogadores, mas tornar toda a equipe uma ameaça para a defesa adversária . O resumo acima mostra isso: coletividade.
Então, no jogo coletivo da Argentina, comandada por Magnano, o armador e o escolta pegam rebotes, os pivôs e os alas fazem assistências e todos pontuam. Foi assim que a Argentina chegou ao segundo lugar no mundial de 2002 e a medalha olímpica de 2004 – depois disso ainda ficaram em quarto lugar no mundial de 2006 e bronze nos jogos de Pequim/2008.
Enquanto isso, pagamos a conta da era da individualidade e se deixarmos continuaremos com essa herança por muitos anos. Penso que precisamos desmistificar o dito mito e cairmos na real: Oscar foi medíocre! Vejam Oscar em 1996, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, comparando com Giniboli em 2004, Jogos de Atenas, pois foram os líderes de suas seleções – vou procurar minha superbasket que destaca as estatísticas dos jogos dos atletas e que mostra os índices baixos do Oscar (foi lá que me dei conta, pela primeira vez, do custo/benefício do “mão santa”):

  • Oscar jogou, em média, 32,9 minutos – Ginobili 29,87 minutos por jogo;
  • Oscar marcou 219 pontos – Ginobili marcou 156 pontos;
  • No Brasil o segundo e o terceiro cestinhas marcaram 83 pontos cada e na Argentina 141 e 80, respectivamente;
  • Oscar acertou 47,5% dos arremessos de 2 pontos – Ginobilli teve 70,8% em 2004;
  • Oscar acertou 38,1% dos arremessos de 3 pontos – Ginobili teve 40,5% em 2004;
  • Oscar acertou 95,3% dos lances-livres – Ginobili teve 80,4% em 2004;
  • Na média geral Oscar arremessou 166 vezes, converteu 69, ou seja, 41,6% das tentativas;
  • Ginobili arremessou 85 vezes, converteu 49 vezes, totalizando 57,6% das tentativas;
  • Oscar deu 8 assistências (1 por jogo), em toda a competição – Ginobili deu 26 assistências (3,25 por jogo);
  • Oscar pegou 25 rebotes (3,12 por jogo) – Ginobili pegou 32 rebotes (4 por jogo) e é mais baixo que Oscar.


Ginobili arremessou um menor número de vezes, marcou menos pontos, pegou mais rebote, deu três vezes mais assistências e ficou menos tempo em quadra. Ou seja, foi mais produtivo para a sua seleção por que seu aproveitamento foi superior ao de Oscar.
Portanto, é o momento de pensar na seleção brasileira como a seleção dos melhores do Brasil, onde podemos ter o pivô que sabe dominar nos rebotes, mas também pontuar no ataque. Também o armador que sabe dar assistência e pegar rebotes. Ala que saibam arremessar de média distância e jogar no poste médio com a propriedade de um pivô. Assim como foi na Argentina nos últimos oito anos. Versatilidade e coletividade precisam ser as principais armas de nossa seleção, já que podem escolher quem vestirá nosso uniforme, diferente dos clubes, onde o jogo centraliza-se em 2, 3 ou 4 jogadores.
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Isso ocorreu na quarta-feira a noite e resolvi pesquisar os dados que divulgo nessa postagem.
** Dados baseados nas estatísticas contidas nos sites da FIBA relativos a cada uma das competições. São eles: Campeonato Mundial 2002Jogos Olímpicos de 2004Campeonato Mundial de 2006Jogos Olímpicos de 2008 e Jogos Olímpicos de 1996.