terça-feira, 24 de julho de 2007

Renovação constante é a solução


A novidade dos preparativos para o pré-olímpico é a forma de convocação e definição do time americano. Após anos de muitas e necessárias negociações para que atletas da NBA integrassem a seleção norte-americana, neste ano tivemos 17 atletas submetendo-se a um acampamento pré-seletivo, como nos tempos de draft ou de universitários. Atletas conhecidos mundialmente, como Jason Kidd (New Jersey Nets), Kobe Bryant (Los Angeles Lakers), Carmelo Anthony (Denver Nuggets) e LeBron James (Cleveland Cavaliers), se encontraram na sexta-feira e no sábado (20 e 21/8) submetendo-se a avaliação de técnicos como se estivessem em busca de um lugar, de uma oportunidade e de um pouco de adrenalina. Seria o charme da olimpíada que mobiliza tal participação?

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Seu João (1939-2007)

Muitos me questionarão sobre a temática desse blog. Ele expõe as minhas necessidades de buscar um amplo debate sobre o basquete, mas não pode fugir da expressa e irrevogável limitação do ser humano. Nesse momento meu coração se enche de dor e escrever é a mais rápida forma para me recompor para auxiliar meus filhos e amada esposa.

Sim, Seu João fez a passagem. Era meu sogro e dizem que essas relações são sempre tumultuadas, mas a nossa sempre me ajudou a crescer como ser humano, como profissional, como pai. Sinto a sua perda como se fosse a perda de alguém do meu sangue. Não disse tudo que tinha a dizer. Infelizmente não pude dizer-lhe muito obrigado pela filha maravilhosa que se tornou minha esposa. Muito obrigado pelo amor que tinha pelos meus filhos. Muito obrigado pelo carinho de suas palavras e apoio em momentos difíceis.

Todas as lutas que me envolvo tornam-se insignificantes frente a absoluta sensação de impotência desse momento. Era um ser especial, simples, discreto e preocupado com todos. Era o mais discreto dos sogros, que me amparou no início de minha vida com a Celia (assim, sem acento), que fazia o que estava ao seu alcance para ajudar, orientando e nunca impondo vontades.

Pela diferença óbvia de idade não convivi com ele nos tempos de guri, mas sei que foi um aluno dedicado da Escola Técnica de Pelotas, um funcionário exemplar da CEEE e um atleta, em ambas as entidades, que se manteve ativo enquanto pôde e que passou essa paixão para as filhas e filho. Depois de formado e empregado, não virou as costas para sua mãe e seus irmãos. Ajudou todos. Nunca foi um egoísta. Foi no esporte que conheci a Celia.

Tinha fome pelo conhecimento. Um homem que visualizou na informática uma possibilidade de aprendizado, um homem que aos 65 anos monta uma rede doméstica para divertir-se e alegrar os netos só pode ser um visionário. Brincando no computador aprendia e passava ensinamentos. Acompanhavas as notícias e falava com o Yannick e com o João (neto e filho que moram longe de Pelotas). Que nesse momento o espírito de João Luís Flores Chagas, amado e dedicado pai, respeitado sogro possa ser amparado por uma corrente espiritual composta por entes queridos e que o reencontro com os seus lhe seja proveitoso e abrande o choque da passagem. Que ele possa, na condição de livre da matéria, visitar-nos e ver o crescimento de seus netos e que nós, genros, nora, filhas e filho consigamos formar estes com a mesma retidão de caráter que caracterizava o Seu João. Estar escrevendo é a mais pura representação da imobilidade de ação nesse momento. Que Deus o abençoe e muito, muito obrigado por ter compartilhado parte de seus dias comigo.

sábado, 7 de julho de 2007

Talentos desperdiçados...

“Os heróis e os medrosos sentem exatamente o mesmo medo. Simplesmente os heróis reagem a ele de um modo diferente.” (Stephen Brunt)
Quinta-feira, 22h30min, jogo-treino de duas equipes. O PBC não estava envolvido, o frio tinha dado lugar a uma temperatura agradável, apesar das doenças respiratórias, rubéola, bronco-pneumonias e pneumonias que este último mês deixou em Pelotas. Então, por que sair de casa? Fui lá buscar o dvd do Magic Johnson emprestado e observei muito os jovens que ali estavam. Adolescentes em transição para a vida adulta, envolvidos com namoradas, maromba, faculdade, pré-vestibulares e com o basquete. Vidas em formação que passaram a adolescência brincando com a bola, sem uma formação esportiva consistente — a visão do esporte recreativo nas escolas é limitante e excludente, pois nesse processo quem não sabe não aprende por que o “treino” é recreativo e quem sabe quer jogar com quem sabe, não quer ensinar os menos habilidosos.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um mágico e um técnico formador de gente

Acabo de ver um dvd sobre parte da história de Magic Johnson (http://www.magicjohnson.org/) e logo vim ler meus e-mails e ver como anda o blog, digitar o próximo texto que me veio durante um jogo-treino de duas equipes de Pelotas que assisti hoje. Bem, mas aí encontro o depoimento de Cesare Augusto Marramarco, um de meus técnicos na infância/adolescência e de longe o mais querido — nunca esqueço o Paulinho do SESC-Bagé, mas ele foi conselheiro, amigo, professor e não técnico, pois no SESC não era equipe. Pois bem, as duas coisas me levaram aos anos 80, meus primeiros passos no basquete, as primeiras transmissões da NBA pela Bandeirantes, o meu jeito de confrontar o poder e sair perdendo, as besteiras corrigidas com energia pelo Marra e o feedback carinhoso da Leda, sua esposa, justificando as decisões do técnico. Nos treinos foi ele que se preocupou em formar o homem através do atleta e não usar o moleque em prol dos necessários resultados que uma equipe precisa.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Nenhuma novidade, somente convite à ação

Ontem foi o dia de comemorar a liberdade para os norte-americanos. Lá onde o maior, mais organizado e cobiçado basquete do mundo é jogado. Lá onde índios, nativos e negros foram massacrados por séculos. Lá onde os gases poluentes e as land hovers estão ajudando no aquecimento global e o governo se nega a assumir tratados internacionais para preservar a vida no planeta. Com seis bilhões de habitantes estamos entrando em extinção. Mas lá continua sendo a Meca do basquete e dez em cada dez basqueteiro sonha em jogar no melhor basquete do mundo. Dez em cada dez trabalhador sonha em ter o melhor emprego e o maior salário que sua qualificação pode lhe dar. Só o Oscar abriu mão de jogar no Nets, ganhar uma fortuna, para defender o Brasil em olimpíadas e mundiais — lá na NBA onde o salário mínimo é em torno de US$ 700 mil, ou seja, um jogador de ponta brasileiro leva duas ou três temporadas para igualar esse mínimo e sem ter as mesmas mordomias extras e espaços para marketing e merchandising que significa mais dinheiro.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Pra começo de conversa

Tenho pensado, nos últimos dias, o que me trouxe até o esporte, até o basquete. Além da paixão nacional dos brasileiros ser o futebol, especialmente nos anos 70 e início dos anos 80 do século passado, acabei sendo um aficcionado pelo basquete. Em minha cidade — por toda a minha infância e adolescência — a praça de esportes não teve tabela e quadra de basquete; hoje é lotada cotidianamente por streeters. Quadras próprias só nas escolas e no Colégio Auxiliadora, onde joguei meus melhores 2 x 2, peladas de final de tarde de sábados. Quando vim estudar em Pelotas a coisa ficou pior: basquete só no CEFETRS, por solidariedade do Prof. Giovane Petiz, pois não tinha idade para as equipes escolares. Algumas vezes treinei no pelotense, com a Profª. Milene. Hoje a praça modelo enche todas as tardes. Então, como cheguei até aqui? Como estou envolvido com o basquete, com controvérsias e ainda sonhando com dias melhores?