segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Administração CBB: coagir é fundamental!


Há muito tempo minha maior preocupação é o desenvolvimento do basquete, de como ele ocorre nas escolas, nos clubes de bairros, como o poder público desenvolve projetos esportivos que atendam a comunidade e que, entre esses projetos, esteja contemplado o basquete. Eu sempre trabalho pelo basquete, mesmo que seja preciso ampliar o leque de ação e trabalhar por todos os esportes. Por isso comecei a estudar as políticas públicas,  fiz uma especialização focada nisso e participei da Conferência Nacional de Esporte, entre outras ações na área.
Entretanto, quando leio notícias de jornais como a folha de São Paulo ou no UOL ou declarações de técnicos de outros países, como os NBA/WNBA que são orientados por rígida legislação e sabem os riscos que correm com qualquer declaração que possa levá-los a um tribunal, eu me assusto com quem comanda o basquete brasileiro. Não adianta me dizerem que estou sendo pessoal, pois não fui eu quem publicou a matéria disponível no link abaixo. Não é pessoal. É gerencial. E uma empresa que se prese deve trabalhar com ética. A CBB faz isso? As declarações da técnica do Atlanta Dream são falsas? Se são, eu sugiro que a CBB abra o devido processo legal, pois atinge todos do basquete brasileiro. Isso vai ocorrer? Claro que não e sabemos por quê...

Se me perguntarem o que eu penso disso eu direi que é muito provável que a CBB tenha feito o que a técnica americana esta declarando: chantagem, ameaças e pressões sobre a Iziane e a Érika. Como Iziane tem personalidade forte, claro que não aceitou. E Hortência ficava declarando que a jogadora viria... A própria atitude da equipe de deixar as portas abertas para Érika jogar as finais da WNBA se a equipe atingir essa fase é prova suficiente para mim. Ou o caro leitor vai me dizer que uma atleta que abandona a equipe na véspera da final de um torneio que envolve milhões de dólares teria a porta aberta para voltar e,  pior ainda, jogar na mesma temporada e, quiçá, a final da competição? Nem no torneio do condomínio eu deixaria, imaginem na WNBA...
Depois de tudo isso, fazem como no caso do masculino, agem como Pilatos, colocam-se como vítimas e tentam nos empurrar contra os atletas - nós que cotidianamente divulgamos, trabalhamos, formamos os atletas e buscamos dias melhores para a modalidade. Muita atenção depois dessa temporada de seleções... 
Eu afirmo aqui que nunca mais vou criticar um atleta por negar-se a jogar na seleção, principalmente enquanto esse povo que aí está permanecer no comando do basquete brasileiro, seja por eleição ou por aceitar participar do "time" que não tem patrocínios por que as camisas de basquete não tem mangas ou que cria um método revolucionários que tem o básico: mostra direitinho o que todos sabemos, mas que os técnicos não conseguem desenvolver por causa da pressão pró-resultados que nossa cultura assumiu acima dos fundamentos, da leitura de jogo, enfim, da formação permanente do atleta.
Qual será o futuro de nosso basquete? Como nosso esporte foi ficar tão corrompido? Leiam a matéria no UOL e tirem as próprias conclusões, pois aqui vocês leram o meu pensamento, cheio de idissioncrasias...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eufórico, mas com os pés no chão


Confesso: eu estou eufórico! A classificação bateu fundo em meu coração de basqueteiro, que desde muito cedo sempre viu o Brasil nos Jogos Olímpicos – meus pais investiram no esporte, como saúde, como boas redes de relacionamento, como educação e como distanciamento do mundo do crime, das drogas e da violência, por isso me doeu muito não ver o Brasil em Sydney, Atenas e Pequim e, mesmo em Atlanta 1996, o basquete já não foi bem e focamos apenas na despedida do Oscar, mas ali já mostrava a decadência que nos mantiveram 16 anos longe do palco olímpico.
Não adianta um ou outro leitor postar críticas por eu estar comemorando a classificação da seleção. Para estes tento explicar minha origem e a imensa paixão que tenho pelo basquete que julgo justo querer ter clubes, uma identidade municipal ou mesmo regional para torcer é um desejo que manterei vivo até o último minuto dessa vida. E para concretizá-lo, vejo como necessária a mudança no paradigma administrativo da entidade CBB e na gestão do esporte basquete.
Cabe aqui um parênteses: Nunca planejei ser a voz do basquete brasileiro, por que várias vozes fazem o grito mais alto e retumbante. Manterei meu posicionamento de cobrança e denúncia, como me disse ontem um interlocutor.
E nesse espaço, cabe destacar o que escreveu José Cruz no Blog do Cruz em “A vitória dos atletas e o lado oculto da gestão do basquete”. Leiam o que ele escreveu e saibam que concordo ipsis litera com o que ele expõe em seu artigo.
Vou acrescentar mais uma pergunta aos questionamentos do Cruz, relacionada à declaração do presidente da CBB, Sr. Carlos Nunes, que quer, ter espaço na mídia com Presidente da CBB e como cidadão comum. Ora, o cidadão comum continuaria com sua pequena fábrica de plástico em Pelotas. Mas ele disse, ao final do jogo de domingo (11/9/2011):
Carlos Nunes disse que o cidadão Carlos Nunes não levaria Nenê e Leandrinho [á Londres 2012]. O presidente da CBB, então, não age como cidadão quando gerencia pessoas e os recursos do nosso basquete? Todos sabem o que é o ser cidadão, certo?
Reflitam sobre isso e talvez compreendam por que pessoas como José Cruz, Marcel de Souza e a ESPN Brasil continuam com seus posicionamentos editoriais de elogiar os bons desempenhos, mas sem omitir-se da realidade nua e crua: ainda faltam respostas e mudanças!

sábado, 10 de setembro de 2011

Londres 2012: eles conseguiram!


(Foto repetida, mas vale muito!)

"Eu tenho tanto, pra lhe dizer"... Então vou deixar para amanhã e aqui vou colar a postagem do Alberto Murray sobre o basquete brasileiro. Todos sabem quem é Alberto Murray? É, talvez, o único brasileiro que foi a todos as edições dos jogos olímpicos, um defensor do esporte, denunciante das malandragens dos gestores esportivos, especialmente as do COB e do projeto de perpetuar-se no poder colocado em prática por Nuzman na última eleição do COB. Detalhe: ele falou em público e perdeu a cadeira que tinha no COB.
Como é neto de um ex-presidente do COB, conviveu com grandes atletas. Leiam o depoimento dele sobre o basquete.

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ALBERTO MURRAY OLÍMPICO
www.ESPN.com.br/albertomurrayneto


Basquete é o esporte jogado que eu mais aprecio. É o único jogo que segundos podem fazer a diferença. É muito emocionante.
Eu ví e vivi a geração vencedora de Oscar, Marcel, Fausto, Carioquinha, Hélio Rubens, Marquinhos, Ubiratan e tantos outros. Não ví o Brasil ganhar medalha olímpica. Mas a nossa equipe estava invariavelmente entre as 5 forças do basquetebol mundial.
Cheguei a ir à final de campeonato paulista no Ibirapuera cheio, com o público pagando ingresso.
E, claro, tem a geração anterior, de Amaury e Vlamir, que não ví jogar e que é cheia de glórias.
Depois de 96 (quando começou a era Nuzman, apenas para não perder o custume e para que não nos esqueçamos da "coincidência") o basquete do brasil passou a ser um retumbante fracasso, de jogo e de público.
Apareciam bons jogadores aqui e ali, tivemos bons treinadores, mas o jogo em equipe não encaixava. O Brasil passou a virara saco de pancadas de seleções que nunca foram motivo de muita preocupação.
Os jogos dos campeonatos estaduais e do nacional ficavam à míngua da atenção do público e da mídia.
Quando antes sabíamos de cor os números das camisas de cada jogador da seleção, após o início da era Nuzman, o basquete do Brasil passou sua pior época. Um fracasso retumbante.
As próprias estrelas que surgiam davam de ombros para a seleção, haja vista o que fazen Nenê e Leandrinho. A seleção não significava nada nem para eles.
Apesar de todo descaso e falta de apoio, foi com muita luta, muito trabalho e esforço redobrado que, hoje, depois de 16 anos, participaremos, novamente, de um certame Olímpico.
Todo esse grupo de jogadores valentes, Rubem Magnano e sua comissão técnica merecem todos os nossos cumprimentos.
A melhor fase que lí, ou ouvi, nesses dias de Pré Olímpico, vem do próprio Ruben Magnano, na Folha de São Paulo.
"Estão olhando para cima, quando se tem que olhar para baixo", diz o técnico do Brasil.
Para que não passemos outro grande período afastados da elite do basquete mundial, temos que popularizar essa modalidade, de forma a, também como assevera Magnano "quadruplicar o número de crianças no basquete". Não há outra fórmula.
A partir de agora, muito cuidado com uso político indevido dessa vitória.
Este é apenas o recomeço de uma história que, em 1.996, foi abruptamente interrompida.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Brasil 73 x 71 Argentina, 07/set/2011

Parabéns! Belíssima vitória... De lavar a alma terminar na frente da Argentina, aliás, jogar o tempo todo na frente é bom demais!
Um dos motivos para criar esse blog é esse: acreditar que resultados como o de ontem são possíveis e por querer o basquete espraiado pelo país. Por isso mais basquete que se pode traduzir por mais basquete nas quadras públicas (onde existem, né?), nas escolas, nos clubes, nas federações, na mídia... Mas acima disso, mais basquete, mais brasilidade, mais raça em quadra com a camisa da seleção. E precisamos de sangue novo para acalmar as precipitações e expurgar o tal complexo de vira-lata. Sim, nós podemos! Já provamos isso em Londres-1948, Roma-1960, Tóquio 1964...
Finalmente temos um grupo focado em um objetivo – isso fica claro nas entrevistas e no semblante frustrado/preocupado frente a derrota para a República Dominicana. Um grupo a fim de levar o Brasil para onde sempre deveria estar e de colocarem seus próprios nomes na história dos Jogos Olímpicos.
Minhas críticas são sempre – e seguirão sendo assim – ocorrem no sentido de alertar, cobrar, reivindicar, exigir melhorias e crescimento de nosso basquete. Isso é missão e obrigação da CBB. Então, faça! Se eu, como tantos outros técnicos e desenvolvedores de pequenos projetos, faço o trabalho da formiguinha, me sinto no direito de cobrar de quem tá na ponta de cima que faça o seu. Mas também faço isso por querer ver o Brasil lá, entre os melhores - e quiçá o melhor. Exponho-me, enquanto muitos técnicos com maior influência se calam diante de atrocidades administrativas, para cobrar a necessária reconstrução do basquete brasileiro. Isso é para meus filhos e netos e para os filhos de todo o brasileiro que quiser jogar basquete.
Parabéns ao Splitter, pela humildade e dedicação à seleção. Está fazendo o trabalho sujo, pesado, duro na defesa. Pontuar vem com calma – antes de o Rafael detonar no segundo tempo tivemos duas bolas do Splitter que giraram no aro e saíram. Uraca pura! Mas também muita pressão da defesa sobre ele. Isso abriu para os demais irem pontuando, inclusive com assistências do próprio Splitter, com destaque para aquele passe pelas costas... Genial!
Parabéns ao Marcelinho Machado que tanto cobro os exageros dos três pontos e ontem ele conseguiu dar só dois arremessos, sair sem pontuar, mas dar assistência e contribuir muito na defesa, mas muito mesmo! Temos que ver o jogo além das estatísticas...
Grande a força do Alex que já nos primeiros segundos mostrou que Manu não teria uma noite fácil.
Huertas, sempre definindo na hora que precisamos de pontos, mas ontem ele mostrou por que é destaque na Espanha: soube ver de quem era o jogo e largou a bola para o guri. Isso é função do armador e bem executada quando todos esperavam bolas no Splitter, no Guilherme e no Alex e ele mudou o rumo do jogo – sabemos que os pivôs, principalmente os mais novos, fazem o trabalho sujo e pouco são servidos para pontuar. Armador tem que saber ver isso e essa postura foi significativa para o resultado do jogo e para o grupo da seleção.
Giovanonni, indiscutivelmente é um grande líder, mas os torpedos dos três precisam ser mais precisos, quando a movimentação em quadra deixar um jogador livre. E isso serve para Huertas, Marquinhos, Marcelino...
Marquinhos acordou a dois jogos e continua significativo para a seleção. Defende bem, participa do ataque distribuindo bolas ou definindo.
E o que dizer de Rafael Hettsheimer? Simplesmente a oportunidade bateu a sua porta e ele a pegou. Simples assim. Com simplicidade não ficou tremendo na defesa do Scola – desde o momento que entrou, marcou firme, forte e não intimidou-se com a força do nome. E foi pra cima: fez 9/11 bolas de 2 pontos e 1/2 lances livres. É um clássico pivô, pensemos nisso... O parágrafo pequeno não representa a grandeza do seu feito: o surgimento de um novo ídolo para o basquete brasileiro.
Magnano parou o jogo na hora certa no primeiro tempo e no segundo guardou os pedidos de tempo debitado para o final do jogo, usando os pedidos de Lamas para reorganizar e orientar a seleção – particularmente eu gosto de chegar no último minuto com, no mínimo, dois pedidos na manga... Sei lá, vá que seja necessário...
Para mim, seu maior feito – e pelo qual ele esta de parabéns – é o simples fato de ter tido coragem de renovar (com brasileiros, por favor!) dando oportunidade aos jovens talentos, como Augusto Lima, Rafael Luz e Rafael Hettsheimer. Essa renovação é importante para Rio-2016, mostra que podemos encarar as seleções das Américas e recompor a base da seleção. Com os reforços de Nenê, Leandrinho e Varejão seremos uma grande seleção. Claro, esse espírito de grupo não pode ser rompido e nem o "eu conquistei a vaga, eu vou" deve estar acima do Brasil, de sermos protagonistas em Londres ano que vem.
Enfim, foi uma grande noite. Entretanto, tudo isso não muda meu pensamento em relação a técnico estrangeiro, naturalização de jogadores, treinos fechados e o fato de eu crer que os destaques do NBB (Tischer, Teichmann e Olivinha) deveriam, no mínimo, ter sido testados nesse grupo e a experiência ser valorizada, como Helinho, pois estamos jogando com um único armador novamente – Huertas jogou 39 minutos, Luz 2 minutos e Nezinho é, realmente, o mascote, pois nem entrou. Talvez esse quarteto, nesse momento, desse uma versatilidade tática, distribuísse melhor o tempo de jogo, descansasse os titulares mais exigidos, dando-lhes minutos de folga aos que estão jogando acima dos 30 minutos e distribuindo melhor a responsabilidade da classificação.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um ano depois: o que aprendemos?


Bem, além dos números destaco: 

  • Delfino fez 4/7 dos três pontos;
  • Jensen 3/6 dos três pontos e 15 pontos no jogo;
  • Leandrinho, Huertas e Marcelinho ERRARAM NOVE arremessos dos três pontos;
  • Scola fez 37 pontos - 13 bolas dentro e no entorno do garrafão;
  • Delfino e Prigioni não erraram lances livres;
  • Varejão pegou cinco rebotes. Splitter também pegou cinco rebotes;
  • Prigioni deu 8 assistências.



Então, fico com as perguntas:

  • além do Splitter, quem vai pegar rebotes?  
  • quem vai, EFETIVAMENTE, marcar o Scola?
  • quem vai marcar Nocioni, que tem tido ótimas noites nesse pré-olímpico?
  • o coach hermano vai conseguir conduzir o Brasil como deve (além do jogo do mundial, é visível o desconforto quando ele é anunciado e a torcida o chama de maestro...)?
  • Huertas vai dar assistências? Vejam o gráfico: foram SETE a menos que os hermanos em 2010;
  • COLETIVIDADE é o discurso. Vai acontecer hoje?

Torço que façamos um grande jogo, preferencialmente que vençamos os hermanos. Seria a demonstração de nossa mudança de mentalidade.


Os hinos estão sendo executados... Vamos ao jogo. Pra cima deles Brasil!



domingo, 4 de setembro de 2011

A CBB é do Brunoro

Somente um comentário: eu não leio a folha on line todos os dias. Deveria fazê-lo e, assim, poderia alertar o leitor na hora que as reportagens estão no ar. Fico feliz com a postura de buscar transparência no esporte brasileiro. O que vocês irão ler abaixo e podem continuar a ler no Blog do Cruz é mais do que eu esperava. Destaco que a eleição para a CBB ocorrerá em maio de 2013 e eu oro que surja alguém com coragem de por os podres no ventilador e correr com esse povo da Av. Rio Branco...


São Paulo, sexta-feira, 02 de setembro de 2011 
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Brasil faz encontro de 'terceirizados'

BASQUETE
Confederação da República Dominicana, rival de hoje, também é gerida por empresa privada


DANIEL BRITO
ENVIADO ESPECIAL A MAR DEL PLATA

O encontro entre Brasil e República Dominicana, em Mar del Plata, marca o duelo pela ponta do Grupo A do Pré-Olímpico. A competição vai até 11 de setembro e dá duas vagas para Londres-2012.
O duelo opõe, também, dois modelos semelhantes de gestão de uma confederação de basquete. Tanto na Fedombal (Federação Dominicana de Basquete), como na CBB (Confederação Brasileira de Basquete), uma empresa privada dá as cartas na parte técnica e administrativa.
No país caribenho é a Southgate, que também gere um time da liga de beisebol.
No Brasil, é a BSB (Brunoro Sports Business), do empresário José Carlos Brunoro, diretor de marketing da CBB e gerente da parceria Palmeiras/Parmalat nos anos 1990.
Mas a relação de Brunoro com a confederação é muito maior do que exige o cargo. "A gente [BSB] faz a gestão da confederação junto com o Carlos Nunes", disse Marcelo Doria, presidente da BSB, citando o presidente da CBB.
Foi Brunoro quem indicou o ex-jogador Vanderlei Mazzuchini para ser diretor de seleções masculinas da confederação. Em seguida, avaliou o nome do argentino Rubén Magnano para o comando do time que disputa este Pré-Olímpico.
Procedimento idêntico ocorreu no feminino, em que a também ex-jogadora Hortência foi alçada à condição de diretora do departamento feminino da CBB por Nunes.
"É difícil contar com a experiência do Brunoro e não ouvi-lo nos assuntos técnicos", justificou Doria.
Ao mesmo tempo em que atua no departamento técnico, a BSB opera na parte estrutural e até física da entidade. "A gente reformou a confederação inteirinha. Abrimos um espaço lá para a área técnica, porque, em capital humano, esse departamento cresceu 300%", adicionou.
"Temos vínculo como agência de marketing e empresa que, digamos, presta consultoria à confederação. E executa. Mas esse é o ônus que vem junto", falou Doria, em entrevista à Folha em abril deste ano, quando foi divulgado o faturamento da confederação em 2010: aproximadamente R$ 16 milhões.
Desse montante, disse Doria, 40% provêm da Lei Piva e de convênios com o Ministério do Esporte. Mais 25% foram captados via lei de incentivo do governo federal. O restante vem de patrocinadores.
Nike, Bradesco e Eletrobras, que é uma empresa do governo, estampam suas marcas nas camisas da seleção, nos campeonatos e no site oficial da confederação.
O balanço anual da entidade não revela quanto a BSB recebe. "O valor do contrato é variável. De acordo com o desempenho da BSB, assumimos o risco", resumiu Doria.
O vínculo entre BSB e CBB vai até 2014, último ano de mandato de Carlos Nunes, mas já há planejamento estratégico até os Jogos de 2020, cuja sede nem foi definida.

NA TV 
Brasil x R. Dominicana
18h Bandsports, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Sportv

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E nem era Porto Rico...


LAMENTÁVEL!!!


Parabéns profissionais de Educação Física!


Eu me lembro da primeira professora de educação física que tive. Era 1978/1979 e nós tínhamos aulas de recreação com uma professora diferente do habitual para crianças da 4ª série. Ela nos colocava em círculos e ensinava-nos movimentos diferentes e divertidos: pulávamos em arcos, fazíamos rolinhos com o apoio, plantávamos bananeira, corríamos em sacos  e tocávamos no nariz e no joelho muito antes da Xuxa cantar "cabeça, ombro, perna e pé".
Mas isso era diversão e não percebia o quão importante seria na minha vida de adolescente. Às vezes jogávamos futebol, mas isso era raro. Certo mesmo eram as brincadeiras, os estafetas, o uso do próprio corpo nos exercícios e algumas corridas nas brincadeiras.
Em 1980 passei a ser aluno do Élbio Porcelis, o primeiro professor formal na 5ª série e técnico por dois anos de basquete, voleibol e handebol. Ele e a Fundação Bradesco (Bagé) abriram o mundo do esporte para mim. Troquei de escola e comecei a jogar basquete com o Orlando (professor FAT-FUnBa da hoje URCAMP), o Renato e o Pneu (atletas e alunos da mesma faculdade) o auxiliavam. Orlando dirigia o time de minibasquete e transportava a gente para o centro da cidade (muitas vezes até em casa) na sua veraneio depois dos jogos das rodadas do Campeonato Brasileiro Juvenil que teve em Bagé em 1983.
Passei por tantos outros, inclusive alguns da Escola Técnica Federal de Pelotas no final dos anos 1980.
Mas entre todos os professores e técnicos que tive, eu sempre destaco dois e isso não é desmerecer a importância dos demais, mas somente a convivência por longa data e a forma como se preocupavam comigo que os torna diferente dos demais.
Primeiro foi o Paulinho Oliveira, do SESC e do Colégio Auxiliadora aqui em Bagé (hoje estou aqui, no frio do pampa gaúcho com um sol magnífico!). Este fumante inveterado – atitude que o levou a morrer muito jovem – foi fundamental de meus 11 aos 16 anos, percebendo minhas qualidades técnicas e paixão pelo basquete, mas corrigindo os desvios com muita conversa. Paulinho me colocou embaixo da asa e me protegeu nos piores momentos. Salvou um jovem que poderia ter ido para caminhos tortuosos se ficasse sem esporte, sem o basquete, ocioso em uma cidade cheia de ofertas perigosas.
Impossível em todo dia do professor - especialmente no dia do profissional de educação física - não falar de Cesare Augusto Marramarco, um milico vindo de Porto Alegre e da SOGIPA que foi e é significativo em minha formação, padrinho do soldado Soares – por isso sempre o cito como formador de pessoas, como ele escreveu o texto e eu titulei na Revista Mais Basquete (ótima leitura; visitem o site). O Marra, como o chamamos até hoje, é casado com a Leda Tavares Marramarco, também professora de Educação Física, uma grande amiga, que é aquela mulher do técnico que fica de olho nos pupilos. Leda teve comigo duas conversas muito significativas nessa época e confiou em mim para guiar o time dela campeão invicto quando eu tinha 16 anos contra um time muito superior, dirigido pelo Élbio Porcelis. Ali eu vi que dava pra coisa, pois acompanhava os jogos escolares e conhecia as atletas. Bons tempos dos citadinos em Bagé.
Eles viram o talento esportivo, mas com a sensibilidade que já possuíam, acertaram no jovem e contribuíram positivamente com o homem que saiu de lá. Eu me sinto orgulhoso do que sou, da coragem de dizer o que penso, mesmo quando assumo as consequências de meus erros. Espero que eles orgulhem-se disso.
O Marra, foi meu técnico aos 13 anos e novamente aos 16, mas nosso vínculo era permanente mesmo nos anos que ele não me dirigia e quadra.
Lembro que um dia, em Santa Cruz, eu errei um passe e me desentendi com o pivô do meu time que disse que eu tinha que sair. Fiquei mal e pedi para sair. A frase do Marra ecoa ainda hoje: "se tu estivesse jogando mal eu já tinha te tirado...". Foi amizade? Foi estímulo? Confiança? Não sei, mas me lembro que foi um grande jogo, talvez o melhor de minha curta carreira!
Com ele também tive oportunidades no adulto aos 16 anos, jogando contra o Grêmio no ginásio da Caixa Econômica Federal em Porto Alegre. Também tive bons momentos ali...
Mas não pensem que minha amizade com Marramarco é essa: gratidão pela confiança e oportunidades. Ele valorizava meu esforço  e aprendizado, mas isso era a relação do técnico com o atleta e todos devem fazer isso, mesmo o mais carrasco dos técnicos. Nossos alunos e atletas não são peças; são gente com sangue quente e sentimentos.
Portanto, "a oportunidade faz o ladrão" e eu já disse que todo jovem enfrenta uma encruzilhada e a formação familiar, aliada a bons professores/educadores, é a única boa opção que lhe resta. Marramarco e Paulinho estão aí: num patamar especial por terem sido o que foram em minha vida. Sei que Paulinho já era um diferencial para outras pessoas e Marramarco é humilde e não fala, mas tem uma gama de ex-atletas que o considera demais e eu sou um deles, pois ele ainda é um referencial para mim. O melhor deles.
E através deles é que eu homenageio e parabenizo todos os professores e bacharéis de educação física nesse primeiro de setembro, desejando que cada um de nós sejamos o diferencial nas vidas de nossos alunos. Que seja de apenas um; uma vida bem encaminhada e aconselhada vale muito mais que os troféus que empoeiram na estante.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Será que o basquete de SP quer mudanças?


"Mas posso afirmar de cátedra: O Basquete também precisa de nós ou não? Somos honestos, transparentes, delegamos poderes, democratas e acima de tudo temos amor pelo Basquete e somos independentes financeiramente, resolvidos profissionalmente!" (Odair SABBAG)
Sabbag é candidato à presidência da Federação Paulista de Basketball e autor do pensamento acima. Eu não vejo as coisas com muitas diferenças de SP para o RS e provavelmente no restante do país. Mesmo que o candidato tenha outra profissão, que diga e prove que é financeiramente independente, não necessitas das verbas (como pessoa física) e das jogadas (cartola também joga, viu!?) que envolvem as federações, eu creio que terá dificuldade em alcançar o objetivo que traçou nesse momento.
Minha experiência mostra que:
  • o cartola profissional, como Carlos Nunes, que não possui emprego, não tem empresa, e vive para a federação 100% de seu tempo não consegue gerir a federação, pela falta de credibilidade que coloca no entorno de suas ações (afinal, esse patrocínio é para a federação ou para a sobrevivência do cartola?). Isso ficou claro quando o balanço da CBB deu negativo e todos perguntaram como era possível. Ou recentemente no episódio dos seguros dos atletas;
  • por outro lado, se o candidato está auge da vida profissional e a federação não lhe paga, ele precisa continuar trabalhando na sua empresa. Novamente não haverá gestão na federação, mas um conflito nas ações como cartola e como pai de família.

Por isso que minha proposta é de atualizar os estatutos das federações, incluindo pagamento de salário, oito (08) horas de trabalho de seus presidentes, com uma agenda pública, destacando quando viajou, foi a jogo, reuniões em busca de patrocínios, etc. (não precisa dizer com quem, mas sabemos que foi fazer algo e que isso estará em relatórios internos da federação para qualquer associado que quiser ver). E serve para os diretores. Hoje criar isso é muito fácil.
Há 25 anos não consigo ver diferente desses dois modelos: o cartola-papão e o cartola honesto com sua profissão paralela a federação – esse último geralmente é mais honesto – e acaba deixando laissez-a-faire o gerenciamento da federação por conta de suas atividades profissionais. Perdemos todos com isso. 
Bem, chegamos aos clubes. Eles querem mudanças? Eles querem desenvolver o basquete? Não posso falar por SP, mas no RS o que eles querem é não apostar na mudança por que sabem que serão perseguidos. Herança do antigo dono (o mesmo que vendeu a sede da federação sem autorização dos clubes), que demitiu o diretor de basquete da SOGIPA em 1994 quando este não votou nele e, mesmo assim, ele venceu. No dia seguinte foi cobrar da presidência da SOGIPA a ousadia. Isso na primeira eleição. Aí o medo foi criado e alimentado o dragão nos anos seguinte, tanto é verdade que conseguiu prorrogar a eleição de janeiro de 2009 para junho de 2010 ameaçando ser candidato no RS se a eleição local não passasse para data posterior a eleição na CBB. Os clubes toparam! Despacharam o inquilino do Bonfim (Porto Alegre-RS) para a Av. Rio Branco (RJ/RJ).
Aqui os clubes contentam-se com o trivial, pois os associados não são tantos, o esporte não é mais a opção de lazer e as rivalidades clubisticas não são as mesmas... A mudança na sociedade ajudou a afundar o basquete. Claro, somada a todos os fatores que cansamos de debater por aqui.
Quando o assunto é gastos e despesas, os clubes não somam UM + UM de forma correta. Se eles percebessem ou assumissem mesmo que pagar 2 nessa conta é o correto, as coisas funcionariam muito melhor, mas eles aceitam que a conta dê 3 ou até 4. Exemplo: no RS paga-se mais 20% do valor do transporte por ônibus, mais pedágio para os árbitros deslocarem-se em seus carros pelo interior na hora de arbitrar. Além disso, levam o valor da passagem dos demais caronas, transporte interno na cidade dos jogos, mas lá se deslocam caminhando (só em Caxias vão de carro).
O que ocorre é que poupam para trocar de carro a custa dos clubes e quando chegam no destino ainda fazem meleca (mas isso é outro tema).
UM + UM: alugar carros é mais em conta do que esse sistema, por que simplesmente se economiza os tais 20% e um carro pode ir a Santa Cruz do Sul na sexta e no sábado e domingo a Caxias com locação de final de semana, algumas reduções nas taxas... Qual o melhor sistema? Economizar nas despesas, em prol dos clubes, dos associados. Mas não, os diretores e presidentes preferem não mexer com os árbitros para que não "errem" em jogos dos que ousam pensar com a própria cabeça...
Como já disseram por aí, no meio do basquete, sobre mim: "ele não se dá com ninguém no RS". Na verdade, enquanto a preocupação for meter a mão, levar vantagem e fazer errado e não proceder a devida reflexão, serei um peixe fora d'água por aqui e no Brasil. Se queremos o melhor, temos que fazê-lo. É inconcebível que tantos queiram o melhor o pior se instale permanentemente como no basquete. Seremos todos burros?
Eu penso que tem dinheiro para todos no esporte, basta trabalhar de forma honesta, em uma rede de cooperação e sempre voltado para o crescimento da modalidade. 
O basquete é a única empresa onde o menos é melhor, onde reduzir o número de clientes (clubes) é sensacional e deixar os talentos morrerem sem ter onde jogar – perseguir os filhos de quem ousa discordar – e pegar dois ou três que só dizem amém aos técnicos para justificar uma renovação, mas que são desprovidos da coragem de serem homens, manterem suas próprias opiniões e pensamento em quadra... São robôs...
Isso é claro pra mim e é a única coisa que me faz balançar na forma radical de cobrar melhorias e mudanças: quando atingem os nossos filhos pelo que dizemos.
Em resumo: reduzindo o número de clubes e ligas, menores as chances de um Sabbag vingar, pois serão menos pessoas a perceber o que acontece e a buscar por mudanças...
Portanto, desejo ao Sabbag sucesso na louca ousadia de querer mais e, chegando lá, profissionalize a gestão, não vire para o outro lado, não se deslumbre com o COB e as ofertas tentadoras que baterão a sua porta. Use essas verbas para fazer SP ter mais basquete. O esporte precisa de espelho, não é o que dizemos? Que SP volte a ser esse espelho, agora em modelo de gestão.