terça-feira, 28 de agosto de 2007

O que está acontecendo?

Comecei a escrever este artigo após o primeiro jogo do Brasil no pré-olímpico. Era pra ser um por dia, mas os momentos em que a seleção sofre um apagão me constrangeram e deixaram aflorar o lado torcedor: quero o Brasil em Pequim e ponto final. Mas assim não dá, assim não vai rolar. Talvez eu esteja errado, mas o basquete praticado pela seleção brasileira é uma imitação barata da NBA. Foram cinco jogos até ontem e em cada um deles o Brasil centrou seu poderio ofensivo nas mãos do Leandrinho e ficou esperando milagres vindos do Nenê, mas que sem receber a bola em boas condições vai continuar tropeçando no cadarço e não vai fazer nada de espetacular, ou seja, pontos que ele não marca muitos — em outras seleções a média dele é de 10 pontos por jogo até 2003. Vai dominar parte dos rebotes, vai chamar a atenção no ataque, mas com a bola colada nas mãos do Leandrinho ou do Valtinho ou do Alex (quando recebe algum tempo em quadra) vai ser difícil. Confirmação disso foi a entrevista do Spliter dizendo que o time precisa passar mais a bola (leia no UOL Esporte).

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Manda quem pode, obedece quem tem juízo


“Chega sempre a hora em que não basta protestar:
após a filosofia, a ação é indispensável”.
(Vitor Hugo)
Estamos as vésperas do pré-olímpico e nossas ações direcionam-se mais como torcedores do que como críticos e técnico. Certamente farei minhas avaliações dos jogos, destacarei as filosofias de jogo adotadas pelas diferentes seleções e crescerei com isso. Meu trabalho evoluirá com isso.
Entretanto, o que me faz escrever hoje é a seleção gaúcha infanto-juvenil que disputará a Divisão Especial dos Campeonatos Brasileiros de Base da CBB. Já na convocação para o Grupo 4, realizado em Caxias do Sul, fui surpreendido com a não convocação de um atleta do Pelotas Basketball Clube. Minha primeira reação foi de indignação, mas contive meu ímpeto e fiz contato com a Federação local e com o técnico da equipe. Na segunda ligação consegui que o atleta fosse “convocado” para treinar na segunda fase de treinamentos, mas sem ter seu nome citado na convocação. Em benefício do atleta aceitei essa situação ridícula, sabendo que ele não permaneceria no grupo. Estava claro que o Grêmio Náutico União ficaria com 7 ou 8 vagas da seleção, mesmo que tenhamos tido outras equipes na competição de 2006 e até atletas que não disputaram o estadual de 2006 estivessem na relação final.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Êxodo

A base do esporte no Brasil vive em expansão. Minto. Vive em expulsão. Os atletas jovens são expulsos do país pela falta de estrutura dos clubes e das organizações que comandam o esporte. O basquete feminino inexiste, em função do grande número de atletas de ponta que vivem do basquete europeu e da WNBA. Cada vez mais jovens talentos vão terminar a formação de base no exterior, nesse caso na Europa ou no basquete universitário — nosso trabalho, nossa obrigação.
Infelizmente esse processo se reflete internamente, nos diferentes estados brasileiros. O centro do basquete é São Paulo e todos querem estar por lá. Não há política nos estados que desenvolva o basquete regionalmente e crie mecanismos que evitem esse sistema de transferência para um centro praticamente formado por seleções do que há de melhor no basquete brasileiro. 

terça-feira, 24 de julho de 2007

Renovação constante é a solução


A novidade dos preparativos para o pré-olímpico é a forma de convocação e definição do time americano. Após anos de muitas e necessárias negociações para que atletas da NBA integrassem a seleção norte-americana, neste ano tivemos 17 atletas submetendo-se a um acampamento pré-seletivo, como nos tempos de draft ou de universitários. Atletas conhecidos mundialmente, como Jason Kidd (New Jersey Nets), Kobe Bryant (Los Angeles Lakers), Carmelo Anthony (Denver Nuggets) e LeBron James (Cleveland Cavaliers), se encontraram na sexta-feira e no sábado (20 e 21/8) submetendo-se a avaliação de técnicos como se estivessem em busca de um lugar, de uma oportunidade e de um pouco de adrenalina. Seria o charme da olimpíada que mobiliza tal participação?

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Seu João (1939-2007)

Muitos me questionarão sobre a temática desse blog. Ele expõe as minhas necessidades de buscar um amplo debate sobre o basquete, mas não pode fugir da expressa e irrevogável limitação do ser humano. Nesse momento meu coração se enche de dor e escrever é a mais rápida forma para me recompor para auxiliar meus filhos e amada esposa.

Sim, Seu João fez a passagem. Era meu sogro e dizem que essas relações são sempre tumultuadas, mas a nossa sempre me ajudou a crescer como ser humano, como profissional, como pai. Sinto a sua perda como se fosse a perda de alguém do meu sangue. Não disse tudo que tinha a dizer. Infelizmente não pude dizer-lhe muito obrigado pela filha maravilhosa que se tornou minha esposa. Muito obrigado pelo amor que tinha pelos meus filhos. Muito obrigado pelo carinho de suas palavras e apoio em momentos difíceis.

Todas as lutas que me envolvo tornam-se insignificantes frente a absoluta sensação de impotência desse momento. Era um ser especial, simples, discreto e preocupado com todos. Era o mais discreto dos sogros, que me amparou no início de minha vida com a Celia (assim, sem acento), que fazia o que estava ao seu alcance para ajudar, orientando e nunca impondo vontades.

Pela diferença óbvia de idade não convivi com ele nos tempos de guri, mas sei que foi um aluno dedicado da Escola Técnica de Pelotas, um funcionário exemplar da CEEE e um atleta, em ambas as entidades, que se manteve ativo enquanto pôde e que passou essa paixão para as filhas e filho. Depois de formado e empregado, não virou as costas para sua mãe e seus irmãos. Ajudou todos. Nunca foi um egoísta. Foi no esporte que conheci a Celia.

Tinha fome pelo conhecimento. Um homem que visualizou na informática uma possibilidade de aprendizado, um homem que aos 65 anos monta uma rede doméstica para divertir-se e alegrar os netos só pode ser um visionário. Brincando no computador aprendia e passava ensinamentos. Acompanhavas as notícias e falava com o Yannick e com o João (neto e filho que moram longe de Pelotas). Que nesse momento o espírito de João Luís Flores Chagas, amado e dedicado pai, respeitado sogro possa ser amparado por uma corrente espiritual composta por entes queridos e que o reencontro com os seus lhe seja proveitoso e abrande o choque da passagem. Que ele possa, na condição de livre da matéria, visitar-nos e ver o crescimento de seus netos e que nós, genros, nora, filhas e filho consigamos formar estes com a mesma retidão de caráter que caracterizava o Seu João. Estar escrevendo é a mais pura representação da imobilidade de ação nesse momento. Que Deus o abençoe e muito, muito obrigado por ter compartilhado parte de seus dias comigo.

sábado, 7 de julho de 2007

Talentos desperdiçados...

“Os heróis e os medrosos sentem exatamente o mesmo medo. Simplesmente os heróis reagem a ele de um modo diferente.” (Stephen Brunt)
Quinta-feira, 22h30min, jogo-treino de duas equipes. O PBC não estava envolvido, o frio tinha dado lugar a uma temperatura agradável, apesar das doenças respiratórias, rubéola, bronco-pneumonias e pneumonias que este último mês deixou em Pelotas. Então, por que sair de casa? Fui lá buscar o dvd do Magic Johnson emprestado e observei muito os jovens que ali estavam. Adolescentes em transição para a vida adulta, envolvidos com namoradas, maromba, faculdade, pré-vestibulares e com o basquete. Vidas em formação que passaram a adolescência brincando com a bola, sem uma formação esportiva consistente — a visão do esporte recreativo nas escolas é limitante e excludente, pois nesse processo quem não sabe não aprende por que o “treino” é recreativo e quem sabe quer jogar com quem sabe, não quer ensinar os menos habilidosos.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um mágico e um técnico formador de gente

Acabo de ver um dvd sobre parte da história de Magic Johnson (http://www.magicjohnson.org/) e logo vim ler meus e-mails e ver como anda o blog, digitar o próximo texto que me veio durante um jogo-treino de duas equipes de Pelotas que assisti hoje. Bem, mas aí encontro o depoimento de Cesare Augusto Marramarco, um de meus técnicos na infância/adolescência e de longe o mais querido — nunca esqueço o Paulinho do SESC-Bagé, mas ele foi conselheiro, amigo, professor e não técnico, pois no SESC não era equipe. Pois bem, as duas coisas me levaram aos anos 80, meus primeiros passos no basquete, as primeiras transmissões da NBA pela Bandeirantes, o meu jeito de confrontar o poder e sair perdendo, as besteiras corrigidas com energia pelo Marra e o feedback carinhoso da Leda, sua esposa, justificando as decisões do técnico. Nos treinos foi ele que se preocupou em formar o homem através do atleta e não usar o moleque em prol dos necessários resultados que uma equipe precisa.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Nenhuma novidade, somente convite à ação

Ontem foi o dia de comemorar a liberdade para os norte-americanos. Lá onde o maior, mais organizado e cobiçado basquete do mundo é jogado. Lá onde índios, nativos e negros foram massacrados por séculos. Lá onde os gases poluentes e as land hovers estão ajudando no aquecimento global e o governo se nega a assumir tratados internacionais para preservar a vida no planeta. Com seis bilhões de habitantes estamos entrando em extinção. Mas lá continua sendo a Meca do basquete e dez em cada dez basqueteiro sonha em jogar no melhor basquete do mundo. Dez em cada dez trabalhador sonha em ter o melhor emprego e o maior salário que sua qualificação pode lhe dar. Só o Oscar abriu mão de jogar no Nets, ganhar uma fortuna, para defender o Brasil em olimpíadas e mundiais — lá na NBA onde o salário mínimo é em torno de US$ 700 mil, ou seja, um jogador de ponta brasileiro leva duas ou três temporadas para igualar esse mínimo e sem ter as mesmas mordomias extras e espaços para marketing e merchandising que significa mais dinheiro.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Pra começo de conversa

Tenho pensado, nos últimos dias, o que me trouxe até o esporte, até o basquete. Além da paixão nacional dos brasileiros ser o futebol, especialmente nos anos 70 e início dos anos 80 do século passado, acabei sendo um aficcionado pelo basquete. Em minha cidade — por toda a minha infância e adolescência — a praça de esportes não teve tabela e quadra de basquete; hoje é lotada cotidianamente por streeters. Quadras próprias só nas escolas e no Colégio Auxiliadora, onde joguei meus melhores 2 x 2, peladas de final de tarde de sábados. Quando vim estudar em Pelotas a coisa ficou pior: basquete só no CEFETRS, por solidariedade do Prof. Giovane Petiz, pois não tinha idade para as equipes escolares. Algumas vezes treinei no pelotense, com a Profª. Milene. Hoje a praça modelo enche todas as tardes. Então, como cheguei até aqui? Como estou envolvido com o basquete, com controvérsias e ainda sonhando com dias melhores?