terça-feira, 31 de agosto de 2010

Unbelievable!!!

Eu sou muito crítico: penso que técnico estrangeiro na seleção brasileira de basquete não é o caminho ideal, pois desvaloriza nossos técnicos, nosso trabalho. Mas hoje, estou revendo minha posição com base no resultado do jogo com os EUA. Não baseado no placar magnífico (só dois pontos!!!), mas no conjunto da obra, no trabalho tático, que estava excelente - pecamos com as 4 faltas do Huertas e sem substitutos a altura, reduzindo o poder de ataque do Leandrinho que teve que organizar o jogo. Mas isso é outro problema, uma discussão que já vem se arrastando. O que importa é que quando jogaram no esquema tático estipulado, o resultado foi um jogo ponto a ponto - estivemos 8 pontos na frente e somente 4 atrás no final. A defesa foi magnífica. Os turnovers é que preocupam, pois mostram afobação. Mas isso também é corrigível.
O que importa é que a seleção tem comando. Os atletas formaram um grupo, uma equipe, não apenas um time. Marquinhos teve outra postura, marcou muito bem - cito por causa da passagem anterior pela seleção e para confirmar o que penso: são jovens, precisam de novas oportunidades. Não sei se cada um acreditou 100% que era possível encarar os EUA, mas o resultado mostra que conseguiram muito no dia de hoje: conquistaram o respeito do torcedor brasileiro. De agora em diante olharemos os jogos torcendo e sabendo que são capazes, não mais com aquela interrogação questionando quando que vai tudo por água abaixo.
Isso não significa que mudei de idéia em relação ao técnico da seleção ser um estrangeiro ou sobre a má convocação dos armadores - na hora que precisávamos Nezinho e Raulzinho nem entraram. Estavam lesionados como Varejão? O significado dessa postagem é reconhecer que Magano é um magnífico a beira da quadra e conseguiu fazer o que os outros (os técnicos brasileiros, que defendo) não conseguiram fazer até agora. Com a mesma geração e sem Nenê e Varejão em quadra. Vamos imaginar quando os dois se juntarem a esse grupo... Talvez em Londres-2012. O primeiro pedido de tempo que ele pediu foi na hora certa, quando começava aquele momento que tememos: o da descrença e que tudo vai por água abaixo. Colocou a seleção no jogo de novo. Mesmo sem microfones, quando ele rabisca na planilha e colocava o indicador na ponta da testa, dava para entender o que ele queria.
Então, essa fase de Rubén Magnano e Fernando Duró a frente da seleção tem que ser transformada em aprendizado, de formação de novos e competentes técnicos do basquete brasileiro - não aquele cursinho da ENTB. Se a CBB escolher quem serão os beneficiados desse processo, certamente irá reduzir o alcance do efeito multiplicador do que podem ensinar, mas se massificar a atuação, interação e aprendizado com eles, o resultado, certamente, será positivo. Já penso que o que ele conquistar, deve lhe dar o direito de usufruir da conquista no futuro, ou seja, se ganhar a vaga olímpica, deve ser o técnico lá e se trabalhar pelo basquete brasileiro como citado acima, deve ser valorizado por isso. Lamentavelmente nossos técnicos de ponta, dos clubes do NBB, não ministram cursos pelo Brasil, fica tudo nas mãos do Barbosa, que nem dirige mais equipes.
Finalmente, precisamos trocar nossa emotividade e baixa auto-estima pela razão e pela confiança de que somos capazes. Precisamos ler/ouvir uma crítica de quem é do meio esportivo e reflitir sobre a mesma sem começar a fantasiar um adversário, alguém do contra ou alguém que quer nos derrubar, tomar nossa posição. Somos capazes disso e quando as coisas acontecem, como hoje, percebemos que podemos mudar o status quo e evoluir. Sim, nosso basquete deu um salto e vai crescer muito mais quando a força defensiva se concretizar, enraizar-se na alma de nosso jogador e usarmos o nosso poder de atacante - o desejo de sempre atacar - para penetrarmos, rompermos a defesa adversária e reduzirmos os arremessos de longa distância. Apesar do índice de aproveitamento de 3 pontos ser quase o mesmo dos EUA, arremessamos 11 vezes a mais que os Estados Unidos dos três pontos, ou seja, erramos muitas bolas dessa região quando poderíamos infiltrar e permitir os arremessos de média e até de 3 pontos em melhores ocndições. Por isso a bola do Huertas no final, infiltrando e não arremessando, foi uma escolha corretíssima, mesmo errando os lances livres - nosso aproveitamento foi medíocre nos lances livres: 50% é muito baixo.
Mas enfim, o jogo de hoje nos colocou em outro nível e espero que de lá, para nos tirarem, tenham que suar muito, como fizemos hoje com os EUA. Inacreditável, pois pensei que não veria, tão cedo, a seleção brasileira de basquete fazer os americanos correrem, seus técnicos sairem do circo midiático e atuarem como tal (até suando Coach K estava) e fazê-los comemorem o final do jogo com se fosse a vitória do campeonato. Parabéns a todos na seleção brasileira. Mantenham o foco e que venham os europeus...

P.S.: as fotos são do site da FIBA e, por mais que eu quisesse colocar de nossa seleção atacando, só tinham fotos dos EUA no ataque e nós na defesa. Isso não mostra o nível do jogo e quem correu atrás a maior parte do jogo. A CBB deve conversar com o pessoal da FIBA sobre isso.

domingo, 29 de agosto de 2010

Mais Basquete pode virar livro

Eu tenho selecionado as melhores postagens para montar um livro de meu posicionamento sobre o basquete brasileiro, sobre o esporte e as políticas públicas para o esporte e para o lazer. Um dos meus amigos que acompanha as escolhas, me mandou um e-mail hoje me indicando para inscrever o Mais Basquete no Prêmio Blog Books e resolvi inscrever o mais basquete. fui ver e é exatamente isso: um prêmio onde uma editora publicará as postagens do blog no formato de livro. É o que vou fazer, melhor ainda se for editado pela Singular Digital.
Então, leitor, clique no link abaixo e transforme o Mais Basquete em livro. O link vai levá-lo as diversas categorias da premiação, basta escolher Esportes, procurar por Mais Basquete e votar.



terça-feira, 24 de agosto de 2010

No lugar do jovem talentoso, a experiência...

Eles são os campeões e nós, nos últimos anos, os idolatramos. Tanto isso é verdade que contratamos um técnico de lá. Falo da Argentina. Então, trago a experiência do atual técnico da seleção argentina para a Mision Turquia 2010, ao justificar a escolha de Luis Cequeira Junior (armador, 25 anos, 1,80m) no lugar do lesionado Juan Pablo Cantero. O grande talento na atualidade, na posição, é Juan Manuel Fernández, um armador de 19 anos, 1,90m e que joga na NCAA. Não se trata, portanto, de uma solução caseira, reserva em seu clube. Trata-se do próximo Ginobili, que assim como Lucas Bebê, Ícaro Parisoto e outros jovens no Brasil foi aproximado da seleção adulta da Argentina. Leiam o que disse Hernandez:
Argentina vs Líbano, 2010.

“[Luis Cequeira] Junior fue el base del Sudamericano, pertenece a este proceso, ya conoce bien los sistemas defensivos y ofensivos del equipo. Me parece que es la mejor opción porque está en un gran momento de madurez y físicamente óptimo. Lamentamos muchísimo lo de Cantero, no sólo como jugador sino también como persona, como pasó con Figueroa”. Sobre este tema, completó: “Elegí a Cequeira y no a Juan Fernández porque no me parece un buen momento para que tome una posta tan caliente, con tanta presión, a tan temprana edad y sin haber jugado tanto en el Sudamericano” (http://turquia2010.cabb.com.ar/noticias_ficha.asp?not=3868).

Olha, minha crítica não é direcionada ao Raulzinho, pessoalmente, mas sim ao processo. Quero aproveitar e parabenizar o empenho, a dedicação e a maturidade que esse jovem vem adquirindo nos últimos anos e dizer que ele esta correto em querer os melhores jogos, as melhores competições. Mas minha crítica é a CBB que pode colocar a carreira de um talento promissor ladeira abaixo. Ser empurrado, apadrinhado, por vezes, amolece o ser humano - as coisas vem fácil, para quê dedicação? Temos um exemplo clássico disso: Nezinho, apadrinhado por Lula (o ecnico, nào o presidente) e pelo que se esperava dele pela herança genética. Contra a Austrália não marcou nada. Bastava um corte e ele ficava para trás. E aí, Varejão, Splitter e Muriilo cobrindo ou fazendo falta para recuperar o espaço perdido. Pior que isso: Nezinho pode vir a ser titular, caso Huertas não suporte a dor no joelho noticiada dias atrás - nesse caso também temos duas hipóteses: ou ele vai jogar no sacrifício (e comprometer o joelho, a carreira) ou ele vai dosar o empenho (prejudicando a seleção). Espero que tudo dê certo nessa situação, mas a convocação do Raulzinho nos criou dois problemas:
  • se Huertas se lesionar, Nezinho será o titular e terá que permanecer tanto tempo em quadra quanto ocorre nos clubes onde joga - isso compromete a qualidade do jogo dele;
  • Nezinho titular, Raulzinho terá de jogar mais tempo do que o esperado - penso que com a aexperiência que possui, Rubén Magnano, estava projetando um ou dois minutos em quadra com o intuito de dar-lhe experiência. Agora, será o primeiro a jogar;
  • Ao escolher Raulzinho e descartar Hátila, Rubén Magnano desconsiderou as possibilidades de Nenê, Varejão e Splitter se lesionarem e ficarem fora da seleção. Nenê já foi, Varejão teve dores nas costas e ficou fora por quase duas semanas e Splitter também se lesionou. Ainda bem que Murilo tá jogando um bolão...
Portanto, estamos em uma perigosa situação. Como técnico e analista das questões burocráticas, legais, técnicas e táticas da seleção fico preocupado. Como torcedor, não quero nem pensar em qualquer das situações acima. Vai dar tudo certo... Esse é o perigo no Brasil: o excesso de fé e a reduzida labuta.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Copa Sub-23... de futebol!!!

Parece que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) visualiza a importância de fortalecer a base e ampliar o contingente de atletas formados até 23 anos, a idade olímpica. Tanto é que esta organizando a Copa Sub-23, com a presença de 10 grandes clubes brasileiros, divididos em dois grupos: Avaí, Vasco, Fluminense, Palmeira e Inter e o grupo B tem Santos Botafogo, Atlético Mineiro, Flamengo e Corinthians. Enquanto isso na CBB (Confederação Brasileira de Basketball)...

 

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

15 equipes disputarão o 3º NBB 2010/2011

Como resultado do prazo dado ao CECRE/Vitória (ex-Saldanha da Gama), a Universidade/Rio Claro e ao Iguaçu Basquete, a terceira temporada da Liga Nacional de Basquete voltará a ter quinze (15) equipes, como na primeira edição. O Conselho de Administração da LNB recusou a participação de Universidade/Rio Claro e Iguaçu Basquete Clube, pois não cumpriram os requisitos financeiros e técnicos.
O Centro Capixaba de Referência ao Esporte (CECRE) que recebeu da LNB a franquia que era do Saldanha da Gama, participará como CECRE/Vitória, por cumprir as solicitações da LNB (planejamento para a próxima temporada e garantias financeiras para este campeonato), através das parcerias realizadas naquele estado e com a Metodista/São Bernardo – a equipe paulista disputa o campeonato da FPB e se mudará para Vitória, onde será a sede da equipe para todos os jogos do NBB.
Na mesma reunião ficou definido que o formato de disputa é o mesmo de 2009/2010, ou seja, 5º ao 12º disputam quatro (04) vagas para as quartas-de-final, seguido de semi-final e final, disputados em melhor de cinco jogos. A idéia de uma final única, porém, permanece para ser implantada na disputa de 2011/2012 ou posteriormente.
Deixo as seguintes perguntas:
  • Iguaçu Basquete Clube e Universidade/Rio Claro perdem a franquia por terem se ficado afastado por três edições do NBB?
  • A LNB tentará equalizar, para as próximas temporadas, as diferenças de participação regionais – veja o gráfico, esse campeonato para um Sudestão e dois agregados?

As equipes do 3º NBB (2010/2011) serão: Lupo/Araraquara, Assis Basket, Itabom/Bauru, CECRE, Uniceub/BRB/Brasília, Flamengo, Vivo/Franca, Winner/Limeira, Minas Tênis Clube, Araldite/Univille/Joinville, Pinheiros/SKY, São José/Unimed/Vinac, Paulistano/Amil, Vila Velha/Cetaf/Garoto/UVV e Unitri/Universo/Uberlândia.

* Postagem baseada em release de Guilherme Buso, Assessor de Comunicação da Liga Nacional de Basquete.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Basquete, esporte coletivo - parte II

Acabo de assistir no sportv entrevista com Rubén Magnano. Fico contente com minha postagem de ontem, “Basquete, esporte coletivo”. Sabe por quê? Por duas frases: “solidariedade no ataque” e “igualdade e respeito a todos”, do novato a estrela – e temos 6 ou 7 grandes nomes ali. As frases destacadas resumem a elaborada coleta de dados que fiz para o que foi postado ontem.
Foi dessa forma que a Argentina chegou ao título olímpico de 2004 e se manteve entre as quatro melhores equipes do mundo.

 

Rubén Magnano espera montar uma seleção de basquete com um jogo mais solidário

domingo, 8 de agosto de 2010

Basquete, esporte coletivo

Posso não concordar com uma palavra do que dizes,
mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las.


Tenho visitado o blog da Liga Nacional de Basquete com bastante frequência nos últimos dias. Minutos atrás encontrei* indicação para o site do Oscar e o vídeo que ele postou ontem. Não vi ninguém falar nada no twitter ou mesmo em outros blogs. Talvez por discordarem do que nosso ícone da modalidade fala no vídeo, talvez por não considerarem importante suas ideais do jogo ou, ainda, por concordarem explicitamente com a fala do ídolo, pois vejam o que publicou o editor do território: “quando as lendas falam, resta a nós, meros mortais, nos calarmos para ouvir”.

Me dou o direito de discordar disso – a frase do editor do Blog da LNB – e do que transcrevo abaixo, que faz parte do vídeo. Nas palavras de Oscar (exatamente como esta no vídeo): 
eu só espero que os pivôs joguem o que tem que ser jogado. Não é por que alguém jogou na NBA ou na Europa é que esta qualificado a querer todas as bolas. Por favor! Pivô tá lá pra pegar rebote. Tá lá pra marcar. Tá lá pra fazer bloqueio e se sobrar faz algumas cestas. É isso que eu espero dos nossos pivôs, que é grande força da seleção brasileira. Se os nossos alas, alinhas e armadores, etc. souberem que lá embaixo tem pivôs hábeis e que podem jogar bom basquete e os pivôs estarem sabendo seu papel qual que é (nós somos) nós temos condições de lutar pelas 4, 5, no máximo, lugares no mundial. Eu sei disso. Tenho certeza. Basta que todos se concentrem.
 É por declarações desse tipo, querendo que os atuais jogadores perpetuem uma forma errada de jogar e por ter efetivado isso na seleção e nos clubes por onde jogou que já definiram Oscar como o “único jogador que conseguiu transformar um esporte coletivo em individual...".
Eu considero isso um absurdo. Talvez Oscar não perceba como os brasileiros o enxergam, o ídolo que ele é, ou talvez, por se ver como um ídolo queira impor seu método fracassado de jogar basquete – ele é meu ídolo pela forma apaixonada e guerreira que jogava cada segundo com a camiseta da seleção, nem tanto pelo desempenho em quadra (eu sempre gostei mais de Guerrinha, Pipoka, Israel, Nilo, Carioquinha, Marcel...). Com certeza Oscar precisa observar outros ídolos, como Pelé, Tostão, Michael Jordan ou mesmo aqueles (Israel, Rolando e Cadum) que ele trata no vídeo como serviçais de sua capacidade de pontuar – que nem era lá essas coisas. Hoje compreendo o que passaram Gerson, Pipoka, Israel, Rolando, Cadum, Guerrinha... Muitas vezes Oscar se impôs pelo espírito guerreiro, por não desistir, por motivar e liderar o time, como no Pan de 1987 que não valorizamos sua imaginária superioridade ante os demais colegas de equipe. Muitas vezes ele nos irritou pelo exemplo negativo perante árbitros, colegas de equipe e adversários. Isto visto em jogos pela TV e em jogos vistos in loco (finais do brasileiro entre Corinthians SP e Corinthians SC e jogos amistosos da própria seleção), mas a mídia nos empurrou o total de pontos que ele marcou e o transformou em herói. Nós tínhamos um grande time nos anos 1980 (lembro-me de Guerrinha, Nilo, Cadum, Marcel, Maury, Israel, Josuel, Pipoka, Rolando...) e não ganhamos tantos jogos e tantos títulos como merecíamos. Comparando alguns dados para essa postagem percebi o porquê: individualismo exacerbado.
Seleção, em minha humilde posição de ex-atleta de base, educador e técnico do interior, penso que é o conjunto dos melhores jogadores e não 11 serviçais trabalhando duro para o sucesso de apenas um. Talvez Oscar tenha sido incentivado a pensar no próprio êxito e esquecer o que há de mais lindo no esporte: a coletividade como sinônimo de equipe e a superação que leva ao sucesso – vitórias. Quem se sente preterido, subvalorizado não consegue dar o máximo de si, pois não se enxerga capaz de ir além do que esperam dele – talvez o esforço de Isarael nos rebotes fosse para dizer: “hein, quero jogar no ataque! Passa uma bola” ou a marcação feroz de Cadum significasse: “eu me estraçalho para marcar, me deixa ter o prazer de atacar, de pontuar algumas vezes, mesmo que não pontue tanto quanto você Oscar” (para mim esse é o grande prazer do basquete). Ao contrário disso só se alguém acreditar que atletas são super-heróis – no sentido de possuírem poderes especiais – e não seres humanos. Será que algum leitor acredita nessa hipótese?
Por outro lado Oscar reconhece – e eu também aceito isso, mas valorizo mais os técnicos brasileiros – que Rubén Magnano é um dos grandes técnicos do mundo – eu acrescento Hélio Rubens nessa lista – e que sabe o que esta fazendo. Então vamos falar da Argentina no Mundial de 2002 e Jogos Olímpicos de 2004? Vejamos**:

  • No Mundial de 2002, quatro jogadores fizeram mais de 100 pontos na competição, um deles era Center/pivô (2,08m), dois eram alas-pivôs (2,03m e 1,93m) e um era escolta (1,98m);
  • Cinco jogaram mais de 20 minutos por jogo e quatro jogaram entre 16 e 20 minutos por jogo, ou seja, os nove (09) atletas que mais jogaram ficaram entre 13 e 24 minutos no banco, em média – isso mostra coletividade, pois ninguém foi absoluto;
  • Os demais (três atletas) jogaram quase 8 minutos por jogo e contribuíram com 8,8% dos pontos da Argentina na competição;
  • Quem mais pontuou (127 pontos) foi o armador e o segundo maior pontuador, com 120 pontos, foi o pivô;
  • Média de idade de 25,83 anos, sendo o mais velho com 31 anos e o mais novo com 22 anos (Scola);
  • Média de altura (trabalho de garimpo, segundo Sérgio Hernandez, atual técnico da Argentina) de 1,98m, sendo o mais alto com 2,08m (o pivô titular) e o mais baixo com 1,82m (o armador reserva);
  • Para os jogos olímpicos de 2004, apenas duas mudanças: saíram Leo Palladino e Lucas Victoriano e entraram Walter Herrmann e Carlos Delfino;
  • Essas duas trocas aumentou a média de altura para 2,00m e baixou a idade para 24,91 anos;
  • Entre os cinco principais cestinhas da Argentina: um era o pivô (5), outro era o pivô de força (4), dois alas (3) e um escolta (2);
  • Nos rebotes, os destaques foram: dois pivôs (5), um pivô de força (4), um ala (3) e um armador (1);
  • Nas assistências os destaques foram: Um armador (1), dois escoltas (2), um ala (3) e um pivô (5);
  • A Argentina utilizou 22 atletas do Mundial de 2002 aos Jogos Olímpicos de 2008;
  • Somente cinco destes participaram das quatro competições: Fabricio Oberto, Emanuel Ginobili, Luis Scola, Andrés Nocioni e Leo Gutierrez;

·        Percebe-se que a seleção  (escolhidos entre os melhores) de Magnano – elogiada por Oscar – foi montada para jogar de forma coletiva, em prol dos objetivos do jogo: pontuar mais que o adversário, determinar o limite de pontos que poderá sofrer abaixo da meta ofensiva, óbvio, e evitar a concentração da defesa adversária em um ou dois jogadores, mas tornar toda a equipe uma ameaça para a defesa adversária . O resumo acima mostra isso: coletividade.
Então, no jogo coletivo da Argentina, comandada por Magnano, o armador e o escolta pegam rebotes, os pivôs e os alas fazem assistências e todos pontuam. Foi assim que a Argentina chegou ao segundo lugar no mundial de 2002 e a medalha olímpica de 2004 – depois disso ainda ficaram em quarto lugar no mundial de 2006 e bronze nos jogos de Pequim/2008.
Enquanto isso, pagamos a conta da era da individualidade e se deixarmos continuaremos com essa herança por muitos anos. Penso que precisamos desmistificar o dito mito e cairmos na real: Oscar foi medíocre! Vejam Oscar em 1996, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, comparando com Giniboli em 2004, Jogos de Atenas, pois foram os líderes de suas seleções – vou procurar minha superbasket que destaca as estatísticas dos jogos dos atletas e que mostra os índices baixos do Oscar (foi lá que me dei conta, pela primeira vez, do custo/benefício do “mão santa”):

  • Oscar jogou, em média, 32,9 minutos – Ginobili 29,87 minutos por jogo;
  • Oscar marcou 219 pontos – Ginobili marcou 156 pontos;
  • No Brasil o segundo e o terceiro cestinhas marcaram 83 pontos cada e na Argentina 141 e 80, respectivamente;
  • Oscar acertou 47,5% dos arremessos de 2 pontos – Ginobilli teve 70,8% em 2004;
  • Oscar acertou 38,1% dos arremessos de 3 pontos – Ginobili teve 40,5% em 2004;
  • Oscar acertou 95,3% dos lances-livres – Ginobili teve 80,4% em 2004;
  • Na média geral Oscar arremessou 166 vezes, converteu 69, ou seja, 41,6% das tentativas;
  • Ginobili arremessou 85 vezes, converteu 49 vezes, totalizando 57,6% das tentativas;
  • Oscar deu 8 assistências (1 por jogo), em toda a competição – Ginobili deu 26 assistências (3,25 por jogo);
  • Oscar pegou 25 rebotes (3,12 por jogo) – Ginobili pegou 32 rebotes (4 por jogo) e é mais baixo que Oscar.


Ginobili arremessou um menor número de vezes, marcou menos pontos, pegou mais rebote, deu três vezes mais assistências e ficou menos tempo em quadra. Ou seja, foi mais produtivo para a sua seleção por que seu aproveitamento foi superior ao de Oscar.
Portanto, é o momento de pensar na seleção brasileira como a seleção dos melhores do Brasil, onde podemos ter o pivô que sabe dominar nos rebotes, mas também pontuar no ataque. Também o armador que sabe dar assistência e pegar rebotes. Ala que saibam arremessar de média distância e jogar no poste médio com a propriedade de um pivô. Assim como foi na Argentina nos últimos oito anos. Versatilidade e coletividade precisam ser as principais armas de nossa seleção, já que podem escolher quem vestirá nosso uniforme, diferente dos clubes, onde o jogo centraliza-se em 2, 3 ou 4 jogadores.
__________________________________
Isso ocorreu na quarta-feira a noite e resolvi pesquisar os dados que divulgo nessa postagem.
** Dados baseados nas estatísticas contidas nos sites da FIBA relativos a cada uma das competições. São eles: Campeonato Mundial 2002Jogos Olímpicos de 2004Campeonato Mundial de 2006Jogos Olímpicos de 2008 e Jogos Olímpicos de 1996.

domingo, 1 de agosto de 2010

Seleção, treinos aberto e os técnicos (Parte 2)

Viram os vídeos? Leram o blog do Paulo Murilo? Então, vamos a parte 2.

Quarto: se temos o Walter, profissional qualificadissimo, assistente na NCAA há 5 anos, atleta da NCAA, técnico de seleções universitárias brasileiras, técnico da seleção sub-18 que conquistou a vaga para o mundial sub-19, ex-atleta de seleção brasileira, excelente armador, para que trazermos o Magnano que, na reta final, nos impõe o auxiliar dele, outro argentino? Neto e João Marcelo, que são os que estão aprendendo ali, perderão espaço, além do chato rótulo de incapazes para assumir o posto de assistente-técnico de uma seleção adulta. E poderão estar do lado nos treinos, mas não planejarão junto o sistema de jogo, as formações. As funções deles os afastará de construir o time olímpico, se conquistarmos a vaga. Essa foi a grande sacada do Magnano: garantir o dele. E ele não tá errado nisso, enquanto profissional liberal, desde que faça o trabalho para o qual foi contratado – e com esse elenco, fará. Errada foi essa decisão da CBB, em não confiar em técnicos brasileiros para apaziguar a mídia e o basquete brasileiro... Não vai dar bom resultado... Vocês viram o que a Itália esta fazendo com o futebol? Reduziu o número de estrangeiros (não-comunitários) nas equipes do país. Logo após o fracasso na copa. A LNB aumentou o número de estrangeiros e a CBB contratou técnicos estrangeiros. Estamos sempre na contramão da história.

Um detalhe importante: ano passado, nas férias do basquete universitário americano, época que vem ao Brasil visitar familiares, Walter Roese veio a Pelotas, interagiu com alunos de educação física da ESEF-UFPel, com técnicos da cidade e não me cobrou nada. Ensinou, palestrou e ajudou o basquete gaúcho por três dias, com essa presença aqui e com o curso que deu em Porto Alegre também. Só pelas despesas. Sem prolabore. As pessoas não precisam fazer isso, mas depois de começar uma conversa, criar uma expectativa de que poderiam contribuir, manter a palavra, ser ético, honesto sobre as limitações de tempo e espaço é o mínimo que podem fazer. Quem viaja pelo Brasil pela CBB? Chico (Núcleo Basquete do Futuro) e o Barbosa. E só. Será que o Magnano, remunerado a peso de ouro, vai dar um curso em São Paulo após o mundial? Contar como foi esse primeiro ano no Brasil? Falar de planejamento? Explicar as escolhas? As decisões técnicas e as escolhas táticas? Só ele falando e interagindo com os técnicos brasileiros é que teremos alguma vantagem da vinda dele. Só dessa maneira é que uma formação em serviço ocorrerá e elevará o basquete brasileiro, já que não vejo grupos de estudos ou de discussão que se preocupem com o processo de formação... Creio que isso seja utopia...

Quinto: a reunião dos técnicos da NBB foi realizada para que cada um deles falasse sobre um tema. Por exemplo, vocês sabiam que a maioria dos contratos dos atletas são de 9 meses, ou seja, contrato de trabalho por tempo determinado, sem direito a clausulas trabalhistas? Eu não sabia... O atleta termina o NBB em abril e tem que correr para se sustentar por mais 4 ou 5 meses... Por isso existe o Milênio em SP nesse período... Como é que um atleta joga nessas condições? Claro que há exceções... Alguns recebem seus R$ 150.000,00 mês, por que conquistaram espaço e prestígio. A maioria corre atrás...

Sexto: o motivo da polêmica. Os dois treinos, no RJ, no último dia 26/7 e que foram divulgados na quinta-feira (22/7). E isso para estar lá na segunda. A primeira questão é que o RJ não é ali na esquina. A segunda o próprio Rodrigo já disse: Magnano não conversou com os presentes... O que teve de bom, então? Ver o Nenê, o Varejão, o SPliter, enfim, os atletas renomados de perto e o comportamentos dos novatos no meio deles. Sempre se aprende algo, o tempo todo. Mas não vejo vantagem concreta alguma nesse tipo de relação, apenas pelo prazer de estar perto de grandes jogadores vendo suas movimentações. A CBB tem que dizer: "Magnano, nessa fase de preparação, durante duas semanas, 4 técnicos do Sul, 4 do Nordeste irão acompanhar os treinamentos da seleção, do rair do sol ao toque de recolher". Aí, vai ter jantar, almoço, conversas informais e relação de aprendizado - já que somos a rapa do tacho e precisamos aprender com os hermanos... Do contrário, é só para a mídia ver e noticiar... Na época do Hélio Rubens, bastava combinar com a CBB e acompanhar os treinamentos da seleção. Até em viagens se tu tivesse interesse (e grana) era possível estar próximo e ver como funciona a organização. Conheço técnicos que fizeram isso.

Nosso basquete precisa profissionalizar-se e nossos técnicos precisam de estrutura para trabalhar. Precisamos nos unir e estudar. Mas unir não é só um amontoado dizendo "xiiisss" para fotos. E recomeçar, ensinar quem sabe menos, aprender ensinando, conversando. Crescer juntos.

Finalmente, eu acredito mais em Hélio Rubens do que em Magnano – este vai vencer, mas como já disse, com esse time, formado pela luta e coragem dos atletas brasileiros de irem para outros países construírem suas histórias, realizarem seus sonhos e se transformarem em ícones na Europa e na NBA, um bom técnico brasileiro também venceria.

Não pensem que vou secar a seleção para poder dizer “eu falei, eu avisei”, mas continuarei acreditando que não ganhamos nada, em termos de desenvolvimento de nosso basquete.