sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Smash small de Alberto Bial

Hoje eu tive uma experiência surreal. Convidados a dez atrás para cobrir a vaga deixada pelo Java Basketball, enfrentamos Joinville em nosso primeiro jogo no Sul-Brasileiro de Clubes contra a equipe de Joinville – quando eram três equipes, nosso planejamento era elevar o nível da equipe e contratar um técnico e jogadores mais experientes. Java, assim como Campo Mourão, devem ser suspensos por uma ou duas edições do Sul-Brasileiro de Clubes e/ou da Copa Brasil.

Mas nossos adversários são de uma equipe profissional, com folha salarial estimada em R$ 250 mil mensais. O técnico Alberto Bial merece parabéns. Não pelo desempenho de seus atletas, mas pela maneira que conduziu o jogo: estaria com medo de seis atletas, dois da categoria sub-17 e de nossa modesta equipe, o Pelotas Basketball Clube?

Nada justifica marcar pressão, rodar nos estilos defensivos e incentivar cravadas em uma equipe amadora. A não ser a vontade de se mostrar superior, quando se é e não se precisa fazê-lo, pois é visível o desequilíbrio existente. Pavonear, como dizem alguns em minha terra era sua meta. Para mim, isso é anti-esporte. Isso é o smash-small que afunda, corrompe, corrói e destrói nosso esporte. Já passara por isso, em um confronto com o Clube Municipal (Rio de Janeiro) pelo Sul-Americano de Clubes promovido pela SOGIPA em 2005 – fomos para dar experiência aos nossos jogadores e enfrentamos uma equipe forte, bem treinada e um técnico disposto a dar uma “tunda de pau” no adversário.

De parabéns não irônico estão meus seis moleques, dois da categoria sub-17. Enquanto outros permaneceram fiéis a seus compromissos acadêmicos, profissionais e festeiros – lembram, somos uma equipe amadora buscando a transição para o semi-profissionalismo e, quiçá, profissionalismo – Vitor Viana, Rafael Soares, Paulo dos Santos, Augusto Coscioni, Luciano Lopes e Yannick Soares vieram e enfrentaram a fera. Não os atletas, mas o seu técnico, tanto que dois ou três disseram em quadra que era ordem do chefe massacrar.

Pessoal, temos que valorizar quem se importa e se empenha pelo nosso basquete. A superioridade era tanta, mas tanta, que fazer o que foi feito mostrou a boçalidade, a arrogância e falta de bom senso de um técnico que quer ser o líder de nossa seleção brasileira. Não fosse o sobrenome famoso e as portas abertas por desembargadores em SC e pelo irmão na TV, estaríamos livres de muita porcaria que somos obrigados a ouvir via sportv e do fiasco que protagonizou recentemente na China – vamos lembrar que sua equipe se envolveu em tumulto semelhante no torneio abertura do NBB-2, em Joinville, ano de 2009, na final contra o Flamengo. É fácil culpar o adversário, como fez na mídia nos últimos dias, pois o técnico chinês está do outro lado do mundo e não tem acesso a globo e seus diversos portais.

A CBB tem que rever tais regalias e enviar uma seleção ou não enviar clube algum com o nome de nosso país.

Por isso, foi um dia surreal.

A parte significativa de nosso dia foi a ação solidária realizada pelo Caxias do Sul Basquete. Inesquecível. Eles são a razão de estarmos em Caxias do Sul aprendendo e dialogando com atletas, técnicos e dirigentes de outras paragens. Parabéns ao Clube Juvenil, ao Rodrigo Barbosa pela organização. São atitudes dessa magnitude que mostram que há solução para o nosso esporte. Precisamos de mais pessoas assim: abnegadas e solidárias.

P.S.: amanhào coloco uma fotos…

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