terça-feira, 24 de maio de 2011

Ofensa da torcida: não reagir!

A NBA puniu, nessa segunda, Joakin Noah (Chicago Bulls), em US$ 50.000,00 por ter respondido a ofensas que vieram da torcida. Em vídeo divulgado na internet, Noah mandou o torcedor longe e o chamou de bicha.


As pessoas precisam ter em mente que atletas não são deuses. Temos o direito de, ao pagar o ingresso, torcer pelo nosso time. Mas isso não é uma credencial para ofender os adversários, a mãe do juiz ou a cor da pele de um atleta. Essas atitudes são claramente uma tentativa de desequilibrar emocionalmente o ofendido. Mas, toda ação gera uma reação. É simples assim.
Quem esta envolvido com a organização do basquete e esta no centro da atenção do evento, merece respeito. Afinal, ele é um dos motivos de eu estar ali, na arquibancada, torcendo para o time A ou para o time B.
Por pensar assim – e eu aprendi da forma mais dura essa questão aos 13 anos – eu não concordo com a torcida do MEU Grêmio Football Porto-Alegrense ofendendo o Zé Roberto de macaco, assim como escrevi sobre a atitude racista do argentino que jogava no Grêmio dois anos atrás. Eu penso que sirvo para ir a Porto Alegre, comprar o ingresso e vibrar junto com descontrolados que ficam felizes em ofender o adversário de forma cruel e desumano e esquecem – TODOS que gritam isso da arquibancada – que há muitos afro-descendentes nas arquibancadas do Olímpico torcendo pelo Grêmio.
Entretanto eu não posso esperar que um atleta, no calor do jogo, seja civilizado e convide o ofensor para um cafezinho e uma troca de ideias sobre racismo ou homofobia ou a história de vida da mãe do juiz ofendido. Eu espero que se controle e engula o sapo, mas é difícil...
Em entrevista, o atleta do Bulls disse:
"Eu quero pedir desculpas. Eu tinha cometido a minha segunda falta. Fiquei frustrado. Ele disse algo que foi desrespeitoso para comigo e eu perdi minha calma. [...] As pessoas que me conhecem sabem que eu sou um cara de mente aberta. Eu não estou aqui para feri o sentimento de ninguém. Eu só estou aqui para ajudar a ganhar um jogo de basquete."
"Não é sobre o que o fã disse. Eu venho lidando com isso por um longo tempo. Às vezes eles dizem coisas que excedem um pouco os limites. Mas ainda assim, cabe a nós não reagir. Se reagimos, eles ganham. E eu reagi”.
Luol Deng (Chicago Bull) disse que Joakin Noah tem que fazer um trabalho melhor e controlar a sua emoção, mas que o fã deveria ter sido retirado do jogo. [...] Nós somos seres humanos [grifo nosso]”.
O que a NBA quer são comportamentos que sirvam de exemplo para a comunidade e não gerem prejuízo financeiro aos clubes. Pensando no próprio negócio, David Stern (NBA), acaba contribuindo na formação dos atletas e passa uma mensagem positiva para a sociedade americana.
Claro, torcer com inteligência é raro hoje em dia – e David Stern deve lembrar-se dos dias que passava escondido os portões da Madison Square Garden para ver os jogos e torcer pelo Knicks.
Entretanto, isso deve se basear nas pesquisas que demonstram que em grupo as pessoas perdem o controle e usam como desculpa o anonimato de estar na massa. Hoje em dia, não dá pra usar esse argumento, seja em estádios de futebol (vejam casos do Curitiba em 2009, do Hawai na Copa do Brasil semanas atrás ou mesmo do Michael do Voleibol que foi duramente ofendido por TODO o ginásio com palavras homofóbicas), seja em ginásios de vôlei ou basquete.
Perceberemos que não existem mais torcedores como Robin Ficker, fã dos Bullets. Conta a lenda que Charles Barkley (Phoenix Suns) o levou nas finais de 1993 e o colocou atrás dos bancos do Bulls, apenas para infernizar, com inteligência, mudança no volume da fala e demais ações que pudessem desestabilizar os jogadores mais instáveis do Chicago – imediatamente penso no Dennis Rodman tentando se controlar...
Portanto, se tu não queres ser ofendido, não ofende. Torce pelo teu time. Vaia o adversário. Seca o arquirrival. Desestabiliza emocionalmente o atleta, com piadas, mas nunca com palavras que ofendam de qualquer maneira o íntimo da pessoa. A disputa esportiva aflora essa adrenalina, mas temos que controlá-la, sejamos técnicos, atletas ou torcedores. Eventualmente um palavrão vai acontecer, mas só a própria consciência de que aquilo não era necessário irá nos transformar em pessoas melhores.
Fonte das citações: Site da NBA, em 24/05/2011 (http://migre.me/4CA0Q). 
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