quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jogos Militares: para militares ou para profissionais?


Eu não concordo com a omissão. Os jogos são militares, a grana que os bancou é pública, sai do meu imposto também. Mas isso é o de menor importância. Significativo mesmo foi a evolução do Brasil em relação a primeira edição dos Jogos Militares (1995) e a edição de 2007: 3.800%. 
O salto que o Brasil deu na classificação geral fez com que ultrapassasse a China, país comunista, que vive uma ditadura, logo com exército forte e com mais de 1 bilhão de habitantes, ou seja, pelo menos 5 vezes mais que a nossa população.

O Brasil jogou dentro das regras? É provável que sim, já que existe a figura do militar temporário no Brasil, mas também só existe uma maneira de sê-lo: na idade do alistamento militar optar pelo NPOR se tiver o ensino médio completo e matriculado ou cursando o ensino superior ou ir para a tropa, ser reco, recruta e soldado em agosto. Uma vez lá, o trabalho é ser destaque e galgar espaço, permanecer temporário por algum período, como soldado ou como cabo ou sargento. Isso ajuda muita gente. Não há dúvidas! Mas ajuda o esporte brasileiro essa nova metodologia?
O Brasil usou de expediente paralelo, ou seja, abriu editais que não existiam (creio que passarão a ser permanentes) para mostrar algo que não é: uma grande nação esportiva que até nas forças armadas mantém atletas de altíssimo nível. Não somos isso.
As vezes eu percebo uma vontade tremenda de atalhar, de tirar a parte ruim, esquecer do árduo trabalho necessário em busca da efemeridade de partirmos direto para as vitórias, os pódiuns, a auto-estima lá no alto, nas nuvens. Hein pessoal, não dá!
O resultado dos jogos militares são dos talentos selecionados por editais e, no caso do basquete, só os atletas do técnico da Seleção Militar nos últimos anos conquistaram tal espaço. Ninguém mais se interessou por essa boquinha?
Já que cheguei no basquete, o que penso é se se criamos os monstros? Temos que eliminá-los. Descuidamos da formação de base? Temos de reiniciá-la. Há dificuldade com a credibilidade da modalidade? Vamos trabalhar para desenvolver a modalidade e reconquistar a credibilidade. Temos verbas públicas? Verbas olímpicas? Vamos aplicá-las na multiplicação dos pães, ou seja, mais quadras, mais bolas, mais clubes trabalhando com o basquete.
Patrocinador quer o nome vinculado com a vitória. É isso que dá retorno de venda, de exposição. Mas aposto que não há patrocinador que queira seu nome vinculado a fraude, a doping, a vitória desleal...
E a primeira sensação que tenho é essa: a vitória nos jogos militares foi falsa, forjada. Nenhum país muda tanto em quatro anos. Será que seremos essa potência em quatro anos, ou seja, em 2015?
O que me segura nessa crítica é que as forças armadas podem ser um caminho extra para o desenvolvimento do esporte, mesmo que a custo do espaço competitivo dos militares de carreira e do fim das competições militares no máximo nível possível entre unidades brasileiras. Um movimento de décadas que mantém ativa fisicamente uma das forças militares mais pacífica do mundo. Sim, temos competições onde os militares disputam jogos em suas regiões, armas e chegam a nível nacional. Esses militares perderão o espaço para contratados, assistirão "jogos militares" com atletas profissionais representando o Brasil e as forças armadas por que estas estão lhes proporcionando treinamento adequado, função que deveria ser do COB e das confederações.
Portanto, de um lado temos o benefício para o esporte, para os atletas do segundo escalão, e de outro os militares de carreira que perderão sua expressão máxima de patriotismo-esporte e a própria expansão da prática esportiva como referencial no país, pois será o esporte dos mesmos reinando e a extensão das diversas manifestações esportivas eclodindo pelo país.
É isso que me leva refletir sobre o tema, sem deixar de reconhecer que venceram os jogos, mas pergunto: nossos atletas profissionais-militares jogaram contra quem mesmo?
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