segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Agir ou reagir? É hora da retomada!


Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las (Voltaire)
Não há soberba e não há arrogância de minha parte. Muito pelo contrário, há humildade, capacidade de argumentação e coragem em expor minhas próprias ideias. Há consciência que posso contribuir e aprender através do processo da escrita e do debate. Há nacionalismo. Correndo nas veias, junto com o basquete.
Soberba e arrogância ocorre quando não respeitamos e não aceitamos como legítimas a reflexão, o pensamento e as ideias que nossos interlocutores possuem. Debater no campo das ideias é fundamental. Não concordar é um direito que faz parte de nosso livre arbítrio e defender o direito da pessoa dizer o que pensa, é um dever, mesmo que suas palavras sejam contra minhas ações e meus interesses.
E nossos técnicos não estão defasados, do contrário não estaríamos exportando tantos jogadores para o exterior. Nossos técnicos estão sendo humilhados e tendo suas experiências na profissão desqualificadas através de uma comparação baseada apenas nos resultados e esquecendo a época de poucos recursos e tecnologia que vivenciaram com a atual abundância de recursos no esporte brasileiro.
Nossos técnicos conhecem o jogo. Foi deles a estratégia que nos deu a última vitória significativa em nível mundial – lembremos que naquela época, 1987, o basquete argentino estava no fundo do poço. O que mudou por lá? Gerenciamento profissional. E por aqui, o que houve?
Portanto, Rubén Magnano é um vencedor. Parabéns. Reconheço suas vitórias e conquistas e sei que não irei aprender com ele, pois os treinos são fechados para a imprensa e para os técnicos brasileiros. Por quê? O admiro pelo que fez por seu país e pela América Latina, mas o quero apenas como consultor, como sugere Mr. Larry Brown.
Por isso reconheço mais e admiro a luta de Marcel de Souza, Hélio Rubens, João Marcelo, Marcos Aga, Cesare Marramarco, Antonio Krebs Jr. (Pitu), Kelvin Soares, Walter Roese, Paulo Murilo, Paulão (Franca), Mário Brauner, Ary Vidal, José Medalha, enfim, todos os técnicos brasileiros que batalham cotidianamente contra o poder ao buscar formar seus atletas e manter o grande jogo (parafraseando Paulo Murilo) de maneira digna.
Então, Rubén Magnano e seus asseclas não precisam estar preocupados comigo, com o que escrevo, pois ele está no Olimpo, degraus – diria escadaria – acima de mim. Também não precisa calar minha boca com resultados, pois ele não foi contratado a peso de muitas barras de ouro para isso. Aliás, acrescento que foi contratado contra a minha vontade e da quase totalidade dos técnicos que fazem este país manter o basquete sendo praticado em muitos lugares onde o poder não se preocupa em dar atenção e recursos. Ou alguém acredita que o poder é que forma os atletas que vestem a camisa nacional?
Finalmente, penso que se Rubén Magnano vencer, reelege o poder vigente. Se perder, o que vamos fazer? Deixaremos tudo voltar ao início ou seremos hábeis e velozes na ação como não querem o poder instituído e o poder paralelo? Se aqueles que podem enfrentar a dupla – atual e antiga – esperarem muito tempo, será tarde novamente e serão mais quatro anos de grandes técnicos estrangeiros dominando e naturalizando americanos, alemães (a geração de 1986 é muito grande), espanhóis e nossos jovens serão apenas espectadores.
É hora da retomada! É o momento de puxar a rédea e não deixar o baio se largar campo afora. É hora de escolher um caminho: mais basquete nesse país ou caos contínuo?
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