domingo, 19 de maio de 2013

Hepatite C, Energéticos e Doping

Glucoenergan[1] e a Thiaminose[2] eram utilizadas pelos jogadores de futebol (ampola + seringa = injetável), em busca da elevação da resistência aeróbia dos atletas, ou seja, corriam mais e cansavam pouco. Assim, acreditavam, elevavam o nível de suas habilidades com resultado direto no jogo.

Lembro que tomávamos Cebion C (pó + água = "suquinho") que equivale aos repositores energéticos de hoje. Não mantém relação com esteróides ou ganhos exorbitantes de força e massa muscular. Mas hoje me parece que era doping do mesmo jeito, com o atenuante de que, em nosso caso, não havia efeito colateral, compartilhamento de agulhas - na pior hipótese escapávamos de uma gripe e ilusoriamente melhorávamos nosso jogo. Talvez um efeito placebo.
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Claro que, sem refletir e sem debate sobre o que é doping, ainda hoje um tema delicado, buscávamos, ser mais do que éramos. Agradeço muito que nossos técnicos eram responsáveis e nunca nos passaram qualquer tipo de anabolizante ou droga e fico feliz porque dos atletas de minha idade que conheci e vivi em nossa Bagé, não tenho conhecimento do uso de anabolizantes. Ganhamos e perdemos com nossos corpos, com nossas habilidades e fragilidades e com o efeito placebo do Cebion C+ - lembro-me de comprarmos e tomarmos o tal Cebion C+, sem esconder, sem imaginarmos que buscávamos elevar nossa resistência de forma artificial. 
Parece-me que era um remédio para estados gripais e poderia ser equivalente a maltodextrina, Gatorade: um repositor energético, porém menos eficaz.
Hoje escrevo por que o doping é um tema que me preocupa. Mas também quero contribuir com a saúde das pessoas, dos ex-atletas e deixar um alerta: vençam com suas próprias forças. Vitória forjada no doping, no ganho ilegal e desleal de força certamente não dá prazer e honra ao vitorioso e, como consequência, essa busca inconsequente pode deixar marcas na saúde do atleta que irá surgir muitos após o feito.

Isso esta correndo com jogadores de futebol dos anos 1960, 1970 e 1980. Infelizmente, para estes, o uso e compartilhamento de seringas de vidro, má esterilização, um vírus desconhecido e o resultado são muitas mortes pelo país, consequência da Hepatite C e escancaradas no RS por Zero Hora nesse domingo (ZERO HORA | 19 de maio de 2013 | N° 17437 |  HEPATITE C: Dos onze, sobram três).

Sei que doping é um tema delicado e concomitantemente importante porque, em algum momento, queremos superar nossos limites. Em algum momento qualquer coisa pode ajudar a elevar o nível e valorizar nossos treinos. A linha tênue da ética esportiva esta prestes a ser quebrada nesses momentos. Busca-se ser melhor que o grandalhão do outro lado e o caminho é a fraude, tendo êxito ou não. Busca-se por algo que não é nosso. E assim começa o doping. Os que não acreditavam nisso, na superação independente dos meios, estão vivos. Os que aceitavam pacificamente e não averiguaram os efeitos daquele ritual e negligenciaram os necessários cuidados com as próprias vidas, a hepatite C já levou ou esta quase recolhendo.

O engraçado nisso é que não teríamos mais uma opção de debate sobre o doping se o efeito não fosse devastador. Teríamos, mais uma vez, o silêncio hipócrita de nossa sociedade, onde muitos sabiam da busca da vitória a qualquer preço, mas não utilizam a experiência para educar nossos jovens.
Hoje o basquete não é mais ingênuo. É de se lamentar isso. Hoje os anabolizantes estão nos vestiários, nos torneios e campeonatos sabe-se quem são os usuários pelo ganho rápido e excessivo de massa muscular. E agora essa galera é denominada de jovens com perfil atlético, ou seja, atletas privilegiados geneticamente, altos fortes e com “facilidade”  para desenvolver massa muscular. Mas eu desconheço, no Brasil, seleção de atleta de basquete por biótipo, qualidade da alimentação e exames de falanges distais. Acontece ao acaso: o grandão que quer jogar vai para o volei ou para o basquete. E ele precisa de massa muscular. Como fazer esse milagre?
Dessa maneira, enquanto o cara não cai em um exame antidoping, ele é deus. Mas quando cai, ele conhece o inferno e, geralmente, é uma queda solitária. Enquanto isso não ocorrer, lhe dê bomba. A hipocrisia reina da mesma forma que a maconha circula nos ambientes esportivos como "relaxante", esquecendo-se de mencionar o ciclo criminoso que o "coitadinho" do usuário patrocina e do efeito nas gerações futuras que veem aquilo e passam a acreditar que é o correto.
Novamente agradeço por meu filho sonhar e lutar para ser jogador de basquete, mas refugar todas as ofertas insanas de ganhar força e massa rapidamente - já seria um atleta fisicamente destacado se tivesse cedido às primeiras ofertas e se, quando nos perguntou, disséssemos que poderia fazê-lo. Orientamos e ele sobrevive, abaixo de pancadas, mas encarando os adversários com sua própria constituição física e habilidade técnica.

http://www.quebreosilencio.com.br/index.php/diagnostico/
No futebol do passado, as orientações de enfermeiros disseminaram a Hepatite C, causando mortes mais pela ignorância (de ignorar o quão mortal é a doença) e medo do preconceito ("é doença de gay, é coisa de alcoólatra”) do que pelo efeito mortal a curto e médio prazo – normalmente o vírus fica incubado por até quatro décadas, por isso as mortes estão correndo nos últimos anos.
Se o leitor jogou futebol ou conhece alguém que jogou nesse período, indique a busca por exames que podem detectar e podem levar a cura de uma doença mortal.
Quer saber mais? Clique nos links dessa postagem ou visite a página que criamos para informar sobre a Hepatite C
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[1] GLUCOENERGAN era uma injeção intravenosa, misturada com Fostimól ou Energisan e servia como  estimulante para os jogadores.
 [2] THIAMINOSE é uma solução glicosada hiperosmótica contendo Vitamina C e Vitamina B1. A indicação principal é como energético e a indicação complementar é como auxiliar no tratamento das doenças infecciosas dos estados de sensibilidade e debilidade orgânica. Também utilizada na prevenção e tratamento das intoxicações hepáticas.

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