sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Entrevista com um mito

 
Sérgio Pacheco, exemplo de pessoa e profissional
      
   No esporte não apenas os atletas fazem história e são importantes, os técnicos e árbitros também marcam gerações do esporte. Quem não se lembra de Dick Bavetta, o árbitro da NBA que mais apitou jogos na história da liga e se retirou após 39 anos de serviços. Pois bem, aqui em nosso país temos um árbitro que é uma personalidade do basquete, e que com certeza deve entrar para a história do esporte, estou falando de Sérgio Pacheco.
   Para quem não conhece, Pacheco é o árbitro mais conhecido de nosso país, já atua no esporte a um bom tempo e é excelente profissional, tive a oportunidade de lhe fazer uma entrevista pela internet e trago a vocês a nossa conversa. 
   Mais Basquete: Fale um pouco sobre a sua carreira.
   Sérgio Pacheco: Comecei a jogar basquete no Circulo Militar de Campinas, mais tarde me transferindo para o Tênis Clube de Campinas e depois Clube Campineiro de Regatas e Natação. Nessa época também comecei com as artes marciais, Karatê, Kung Fu, Boxe (Vice Campeão Paulista) e Tae Kwon Do, onde foi Campeão Brasileiro e Sul Americano. Aos dezesseis anos me transferiu para o Esporte Clube Palmeiras, vindo depois a jogar no Esporte Clube Pinheiros até a categoria adulta (profissional). Em 1988 cursei o Curso de arbitragem da Federação Paulista de Basketball e em 1996 me tornei árbitro Internacional de Basquete.
   Mais Basquete: Como entrasses no mundo do basquete e porque escolhesses ser árbitro?
   Sérgio Pacheco: Quando parei de jogar basquete, para não ficar longe das quadras e do meio, eu resolvi fazer um curso de arbitragem. Comecei como mesário, e de tanto me encherem... (kkkk), fui para quadra, mas jamais pensei que a minha vida profissional como árbitro, fosse ser muito melhor do que a de jogador.
   Mais Basquete:  Qual o jogo mais importante em que atuasses e qual que mais te marcou?
   Sérgio Pacheco: Não houve um jogo mais importante. Todos os jogos são importantes, depende muito do ponto de relação de importância que fazemos.
Lógico que apitar duas finais mundiais foi muito especial, mas também fazer um Vasco e Flamengo, final de primeiro turno carioca, vinte e duas mil pessoas no antigo Maracanãzinho foi muito importante, uma vez que ambos os times eram os dois melhores times do Brasil. O Vasco voltando de Mac Donald Open em Paris, onde acabará de jogar contra o Santo Antônio Suprs. O time inteiro era o ex-time de Franca com Chuí, Fernando Menutti, Demetrius, Vargas, Rogério, etc., no melhor das suas fases. Já o Flamengo com Oscar, recém-chegado da Itália, Cai, Rato, Robin Davis, Pipoca, etc., no melhor das suas carreiras. Pela primeira vez na televisão, a Emissora ESPN ia usar 18 câmaras em jogo de basquete... Mas Madison Square Garden, com quarenta e quatro mil pessoas, U.S.A. X Porto Rico, e nos Estados Unidos jogando com Irveson, Vicent Cart, Tim Duncan, Jason Kid, Elton Brand, etc., etc... Como a semifinal do Paulista, entre Franca e Barueri, Franca com aquele time de cima antes de irem pro Rio, e Barueri com Oscar e companhia, e o primeiro jogo da serie Barueri ganha dentro de franca, e Oscar fez mais de cinquenta pontos, a grande maioria no segundo tempo. Como pelo paulista Piracicaba X Ponte Preta, de um lado Magic Paula, e do outro a rainha Hortência... E outros desafios... difícil de dizer.
   Mais Basquete: Se souberes, quantos campeonatos apitasses e qual mais te marcou.
   Sérgio Pacheco: Convocado para um Torneio Amistoso em Sidney, Melbourne e Adelaide, com as Seleções femininas da Austrália, Rússia, Japão e Brasil. Foi ao seu primeiro Campeonato Mundial feminino Juvenil, em 1997 , Natal – Brasil. Viajou com a Seleção Feminina Adulta Brasileira, para uma fase de preparação em Portugal e Espanha em 1998. Convocado pela FIBA para o Campeonato Mundial Adulto Feminino em 1998, realizado nas cidades de Munster, Wuppertal, Karlsruhe, Rotenburg, Dessau, Bremen e Berlin –Alemanha. Convocado pela COPABA para o Centro Americano como Árbitro neutro, realizado em Maracaibo – Venezuela. Foi ao Pan Americano Inter Clube em General Pico – Argentina. Participou das fases do Sul Americano de Times em Mar Del Plata, Bolívia, Paraguai. Convocado pela COPABA para o Pan Americano de Seleções, em 1999, Winnipeg – Canadá. Foi à Copa América Sub – 21, (classificatório para o Mundial da categoria) Ribeirão Preto – Brasil. Convocado para a Copa América Adulta Masculina, (classificatória para o mundial da categoria) na Patagônia  –  Argentina. Participou do jogo Amistoso entre os times  dos astros OSCAR X MAGIC JHONSON. Foi a Copa 500 ANOS, realizada no Rio de  Janeiro,  com  as  Seleções  Adultas masculinas  da  Argentina,  Brasil, Portugal, Rússia, e Grécia. Convidado pela NBA para dar um Curso para a Seleção  Norte  Americana  Masculina  Adulta, como  preparação  para  os Jogos Pré Olímpicos. Apitou um amistoso  no MADISON SQUARE GARDEN entre as Seleções adultas do USA X PORTO RICO. Apitou a final do SUPER FOUR  em  Buenos  Aires,  em  que  participaram  as Seleções  Adultas Masculinas  da  Lituânia,  Argentina,  Porto  Rico  e  Brasil. Convocado  pela FIBA  para o Goodwill  Games  em Brisbane  –  Austrália. Convocado  para  o Sul Americano de Seleções Adultas Masculinas, classificatórias para o Pré Olímpico,  e  Pan  Americano  de  Seleções. Campeonato  realizado  em Montevideo – Uruguai. Arbitrou  a  pedido  do jogador  Oscar,  o  último  jogo  do  ídolo,  (jogo despedida),  realizado  em Brasília  entre  os  “AMIGOS  DO  JOGADOR”. Convocado  pela  FIBA  para  o Campeonato  Mundial  Sub  –  21,  Argentina, onde arbitrou a semi final entre Austrália X Lituânia. Convocado pela FIBA para  o  Campeonato  Mundial Inter Clubes  Adulto  Masculino,  Rússia. Convocado  pela  FIBA  para  o Campeonato  Mundial  feminino  Adulto  de Seleções em São Paulo, onde arbitrou a final entre as seleções da Austrália X  Rússia.  Convidado  pelo COB para  carregar  a  TOCHA  DOS  JOGOS  PANAMERICANOS na data de sete de Julho de 2007, quando a mesma passou pela  cidade  de  Campinas. Convidado  pela  PREFEITURA  MUNICIPAL  DE CAMPINAS, para participar no MURAL COMEMORATIVO DOS ESPORTISTAS CAMPINEIROS  QUE DEFENDERAM O  PAÍS,  como  história  da  cidade. Convocado  pela  FIBA  para  os  Jogos PAN-AMERICANOS  BRASILEIROS,  que foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. Convocado pela FIBA para o MUNDIAL  DA  UNIVERSIADE,  em Agosto de  2007  em  Bangkok,  onde arbitrou  a  Final  masculina  entre  as seleções da  Lituânia  X  Rússia. Convocado pela FIBAAMERICA para o Centro Americano de Seleções, como árbitro neutro, no México em Cancun 2008. Convocado em 2009 pela FIBA para  o  MUNDIAL  UNIVERSITÁRIO  na  Sérvia, Belgrado,  onde  arbitrou  a semifinal USA X RUSSIA. Árbitro Revelação da Federação Paulista no ano de  1995.  Melhor  árbitro  da  federação  paulista em  2005  e  2010.  Melhor árbitro  da  Liga  Profissional  Brasileira  (Novo Basket  Brasil)  em  2009, 2010,2011, 2012 e 2014.
   Mais Basquete: Como é a relação com os atletas fora das quadras?
   Sérgio Pacheco: Não  existe  nenhuma  objeção.  Quadra  e  jogo,  fora dela somos  amigos, quando  viajamos  para  torneios  internacionais  em  que não apito  jogo  do Brasil,  jogamos  baralho,  comemos  juntos.  Tem  que saber separar,  e sempre fiz bem isso.
   Mais Basquete: A arbitragem do mundial foi criticada por comentaristas, como árbitro e especialista no assunto, o que achasses da arbitragem do 
mundial? E como avalias esse sistema de arbitragem em trio?
   Sérgio Pacheco: Acho  que  e  um  dos  esportes  mais  difíceis  de  serem arbitrados.  Quando você  tem  uma  competição  tão  pequena,  fica  muito difícil  padronizar tantos  árbitros  diferentes,  um  de  cada  região  do mundo,  muitos  novos, muitos com a mesma vontade de apitar, apitar, apitar, exatamente como eu  quando  comecei...  Como  já  estive  lá,  varias vezes,  sei  o  que  estou falando. Quanto  à  arbitragem em três juízes, isso só  melhorou o campo de visão e responsabilidade de cada um... basketball moderno.
   Mais Basquete: Como torcedor, como avalias o nosso desempenho? 
   Sérgio Pacheco: Bem melhor  do  que  nos  últimos  anos.  O  que  todo mundo  esquece  é  que fomos disputar um Campeonato Mundial, onde não existe mais ninguém bobo...  não  fomos  disputar  o  torneio  no  navio  de solteiros  contra separados...
   Mais Basquete:  Acreditas que a arbitragem em nosso país atua em alto nível?
   Sérgio Pacheco: Sem sombras de duvida, uma das melhores do mundo. Ainda temos sorte que  conseguimos  renovar  sem  paradas...  ou  seja, Gilson  Mini,  Lapoiam, Righetto,  Affini,  Zé  de  Oliveira,  Vinhaes,  Fontana, Piovesan,  Pelissari, Renatinho,  Pacheco,  Cristiano,  Benito,  as  mulheres, Tatiana,  Fatima, Andrea...
   Mais Basquete: Deixe um recado para nossos leitores.
   Sérgio Pacheco: Através do esporte e educação, temos a oportunidade de fazer do homem do  amanha,  formar  uma  personalidade  voltada  para  vida saudável, característica  do  homem  de  bem.  O  tempo  ocupado  com estudo  e atividades  físicas  tira  o  ócio  e  tempo  desprovido  de  boas atitudes, acabando operando na vida fácil e porta aberta para o descaminho.
A  sociedade  está  carente  de  atitudes  políticas  voltadas  para  esse lado, onde  as  escolas  integrais  no  estilo das  “American  high  scholl”, fazem  do ensino moderno, uma nova atitude de vida para os jovens. Foi na educação e no esporte, que eu me encontrei e consegui formar uma personalidade  com  pensamentos  distintos  e  coerentes  sempre pensando no bem, e na saúde
   Pessoas como Pacheco que marcam a história do esporte, esses devem ser aqueles exemplos a serem sempre lembrados para as novas gerações, pois é um exemplo de caráter, profissionalismo e humildade. Agradeço a oportunidade de te-lo entrevistado e conhecido mais sobre você, deixo aqui minha alegria como admirador e fã do seu trabalho.
Postar um comentário