sábado, 1 de novembro de 2014

Bate papo com quem sabe

   
Excepcional pessoa e profissional, o professor e comentarista de basquete Byra Bello 
   Tive a sorte de realizar uma entrevista com alguém que sabe muito de basquete, uma lenda viva desse esporte que amo, um profissional exemplar que me deu a oportunidade de responder dúvidas sobre o nosso basquete. Estou falando de Byra Bello, comentarista de basquetebol do canal SporTV, já trabalha com o esporte a quase vinte anos, também foi um atleta e técnico, formado em Educação Física. Ninguém melhor para nos mostrar em que rumo anda o nosso basquete e expor sua opinião acerca do futuro no esporte. Agradeço muito a experiência e a paciência de responder essa entrevista, foi um grande prazer.


Mais Basquete: Fale um pouco sobre a sua carreira.
Byra Bello: Comecei a jogar basquetebol aso 11 anos no Riachuelo Tênis Clube. Depois do falecimento do meu pai em uma partida entre Riachuelo e Tijuca, categoria infanto-juvenil, em 1969, ele era diretor de basquete e eu estava jogando, fui para o Vasco onde joguei até os 33 anos.

Mais Basquete: Como conheceu o basquete e como entrou nesse meio?
Byra Bello: No Vasco fui campeão juvenil, bicampeão Aspirante e sete vezes campeão adulto. A partir de 1980 comecei a trabalhar, e ainda jogava, como técnico das divisões de base do Vasco. Fui campeão como técnico no Vasco na categoria juvenil, e duas vezes campeão no adulto (1987 e 1992). Antes de trabalhar como técnico no Vasco, fui técnico da Agremiação Atlética Universidade Gama Filho. Depois do Vasco passei rapidamente pelo Botafogo e Jequiá. Em 1973 fui aprovado, em 3º lugar, no vestibular em Educação Física para a Universidade Federal do Rio de Janeiro. O meu técnico no Vasco trabalhava na Universidade Gama Filho e ele perguntou se eu tinha disponibilidade para substitui-lo no mês de julho de 1973, eu estava apenas no segundo período da faculdade, em aulas para escolinhas de basquetebol. Aceitei o desafio e quando ele retornou, a instituição se pronunciou dizendo que gostaria que eu permanecesse. O Sr. Olímpio, meu técnico, achou muito legal e trocou todo seu horário para que eu pudesse ficar na parte da tarde, já que a faculdade era pela manhã. Pois bem foi o meu primeiro contato como professor de basquetebol. Apenas um detalhe, em setembro de 2014, fiz 41 anos como professor da Gama Filho, que como o amigo deve saber, foi descredenciada pelo MEC. Assim que me formei fui promovido a professor, antes era instrutor de basquetebol. Fiz concurso e fui aprovado para professor do Município, onde trabalhei com turma durante 20 anos. Ainda como professor do Município fui trabalhar fora de turma, na Secretaria de Esportes, onde mais tarde fui Subsecretário de Esportes do Município do Rio de Janeiro. Em 1985 fui aprovado para professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde trabalho até hoje na Licenciatura e Bacharelado do curso de Educação Física. Em 1995 fui chamado para dar aula, na mesma situação da UFRJ, na Universidade Estácio de Sá, onde leciono até hoje. Em 1995 fui convidado pelo SporTV para comentar jogos de basquetebol. São 19 anos no canal com 5 Olimpíadas e 5 mundiais.

Mais Basquete: Analisando o desempenho no mundial e os investimentos que são feitos no basquete, como achas que será o desempenho da nossa seleção nos Jogos Olímpicos do Rio?
Byra Bello: Creio que o Brasil poderá fazer um bom papel nos Jogos Olímpicos de 2016, na cidade maravilhosa, entretanto terá que jogar muito pois o nível do basquetebol mundial melhorou bastante. Na minha opinião o ouro já tem dono, USA. Os outros países vão disputar a prata. Claro que se os Estados Unidos vierem sem os jogadores da NBA, o caminho ao ouro se torna viável. Agora com os melhores da NBA, como sempre fazem em Jogos Olímpicos, aí nada feito, o ouro já tem dono. Esta análise serve também para o feminino.

Mais Basquete: De que maneira poderíamos fazer o nosso basquete ser altamente competitivo novamente?
Byra Bello: Trabalhando melhor nas categorias de base e facilitando mais o acesso ao basquetebol. Temos que aumentar o número de praticantes. Poucos meninos e meninas procuram o basquetebol. A oferta acessível ao povo é ridícula e temos carência de bons professores. Os nossos técnicos estudam pouco e com isso ficam desatualizados.

Mais Basquete: Acreditas que os americanos são superiores aos demais? Isso se atribui a que?
Byra Bello: Estão a pelo menos 50 anos na nossa frente. Profissionalismo, planejamento, seriedade e comprometimento. Temos no esporte brasileiro um sério problema de gestão.

Mais Basquete: Como avalias a importância da NBA e do Basquetebol Europeu (liga ACB e as demais) para a formação dos jogadores, visto que, nossa seleção tem melhores resultados quando atuam atletas dessas ligas.
Byra Bello: A NBA é uma liga altamente profissional. Digo que a NBA tem 30 equipes/empresas que trabalham para dar lucro. Aquilo não é clube é empresa. Tem dono que investiu e quer, antes de tudo, retorno financeiro. Agora mesmo estão preocupados com as seguidas lesões apresentadas pelas suas estrelas. Diminuir o número de jogos não será legal pois financeiramente vai ser uma medida contra. Então os caras já estão pensando em diminuir o tempo de jogo. Esta semana fizeram um jogo experimental com 4 quartos de 11 minutos. Falam em não ceder mais jogadores da NBA para as competições da FIBA, em virtude da fratura do Paul George, enfim, o investimento é alto e tem que ser administrado com profissionalismo.

Mais Basquete: O NBB conseguiu reerguer o basquete em nosso país?
Byra Bello: Acredito que sim. Internamente o NBB conseguiu resgatar a credibilidade do basquetebol junto a imprensa e parceiros, entretanto ainda falta a nossa seleção voltar ao pódio. Isso é fundamental para o seguimento do basquetebol.

Mais Basquete: A criação e o incentivo de uma Liga Universitária poderia trazer bons frutos?
Byra Bello: Não acredito, pois os jogadores são os mesmos. Nós não temos uma cultura de esporte escolar. O nosso esporte é clubistico. Este trabalho só daria resultado a logo prazo se tivéssemos o esporte na escola. Quem joga nos famigerados torneios universitários são os jogadores que jogam nos clubes. Isso é muito ruim.

Mais Basquete: Deixe um recado para nossos leitores.

Byra Bello: Muito obrigado pela oportunidade de poder me apresentar e contem sempre comigo. O Basquetebol é minha vida. Um forte abraço.

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