segunda-feira, 13 de abril de 2015

Heróis do passado: Bill Russell

Lenda viva dos Celtics
   Nossa série fala hoje sobre um dos melhores pivôs da história, mito dos Celtics, o homem que possuí 11 anéis de campeão da NBA e que dá o nome ao prêmio de MVP das finais, Bill Russell. Um dos poucos atletas da história que possuí média de double-double em sua carreira, e o mais curioso é que têm média de rebotes maior que de pontos.
   No começo de sua vida como jogador, Bill Russell se esforçou para melhorar suas habilidades, mesmo sendo rápido, com um bom arremesso e mãos grandes, foi cortado da equipe de basquete de sua escola no segundo ano. Como calouro na escola McClymonds, quase foi cortado, mas seu técnico George Powles viu potencial atlético em Russell e o instruiu a treinar os fundamentos. Com um treinamento forte e com um estirão de crescimento que lhe ajudarama, Russell começou a se destacar e foi duas vezes campeão nacional no ensino médio, sendo conhecido por se destacar na defesa, pegando muitos rebotes e bloqueando arremessos.
   Quando chegou a universidade foi ignorado, não recebeu nenhuma carta até que Hal DeJulio da Universidade de São Francisco assistiu um jogo seu no ensino médio. Russell viu aqui sua oportunidade de mudar de vida, ele foi selecionado não por sua pontuação, que era baixa, mas sim por seu instinto para o jogo, principalmente na defesa. Na universidade, seu treinador não tinha problemas com racismo e foi o primeiro da história a começar com três negros no time titular (Kc Jones, Russell e Hal Perry), além do mais, o estilo de jogo de Russell era favorecido por seu técnico, já que utilizava muito da defesa e do jogo em meia quadra. O pivô aprimorou sua defesa, e aproveitando ser magro, contestava e pressionava todos os arremessos dos adversários e se movia pelo garrafão dificultando os passes, o que o diferenciava de qualquer pivô da NCAA. Mas o mais difícil não era jogar, e sim o preconceito, os atletas negors foram impedidos de ficar em um hotel na cidade de Oklahoma, e sua equipe o acompanhou, protestaram acampando no gramado da universidade, mas isso foi pouco, Russell era o melhor jogador universitário do país, mas por ser negro o prêmio foi dado para outro atleta, o pivô jogava na equipe campeã nacional, com 28 vitórias em 29 jogos, líder em rebotes, com médias de 20 pontos e 20 rebotes por jogo e ainda assim não levou o prêmio. Ele respondeu em quadra, levando a USF a dois títulos nacionais, uma série de 55 vitórias consecutivas e sendo considerado por John Wooden o melhor atleta defensivo que já tinha visto. Obteve médias em sua carreira universitária de 20.7 pontos e 20.3 rebotes por partida. Ao fim de sua carreira pela USF foi convidado a jogar com os Harleem Globetrotters, mas se recusou devido ao dono do clube ser racista e não negociar diretamente com Russell, que disse: "se Saperstein era inteligente demais para falar comigo, então sou muito inteligente para jogar por Saperstein". Dessa forma tornou-se elegível para o Draft de 1956.
   No Draft de 1956, Russell tinha poucas chances de ir para Boston, mas Auerbach o queria, pensando a frente de seu tempo e querendo um pivô especialista em defesa ao contrário do pensamento da época. Para isso negociou com St Louis Hawks, enviou Ed Macauley (pivô) e Cliff Hagan (na época servindo ao exército), em troca conseguiu Russell. Essa movimentação foi considerada como uma das mais importantes dos esportes americanos, além do que, conseguiram Kc Jones e Heinsohn, todos futuros hall da fama. Antes de estreiar pelos Celtics, Russell e Kc Jones jogaram as Olimpiadas de 1956, ganhando o ouro contra a União Soviética e dominando o torneio, com destaque para ambos, com 14 e 10 pontos de média respectivamente.
   Por conta das Olimpiadas o pivô jogou apenas 48 jogos, mas teve médias de 14.7 pontos e 19.6 rebotes por jogo, liderando a liga no segundo quesito. Nesse mesmo ano os Celtics chegaram as finais do leste da NBA e no primeiro jogo Bill Russell se destacou, com 16 pontos e impressionantes 31 rebotes e 7 tocos. As finais da NBA foram contra o St Louis Hawks e prevaleceu a força dos Celtics, vencendo seu primeiro título da NBA. Em sua segunda temporada foi eleito o MVP da liga com médias de 16.6 pontos e 22.7 rebotes, chegando novamente as finais da NBA, mas sem Russell que havia lesionado o pé, terminando a competição como vice-campeões. Na temporada de 1958-1959 foram as finais e venceram novamente, com Russell tendo médias de 16.7 pontos e 23.0 rebotes por jogo. A temporada de 1959-1960 marcou uma era no basquete, foi quando Chamberlain e Russell passaram a se enfrentar, naquela que era a maior rivalidade da história da NBA até o momento. Era a batalha entre o melhor pivô ofensivo e o melhor pivô defensivo,Chamberlain dominou nos confrontos mas os Celtics foram as finais novamente. No jogo dois Russell estabeleceu o recorde que não foi alcançado, 40 rebotes em um jogo e no sétimo e decisivo confronto, anotou 22 pontos e pegou 35 rebotes.  
   As temporadas mais marcantes estavam por vir, em 1966 Russell tornou-se o primeiro técnico negro da NBA e ainda era atleta da equipe. Foram aos playoffs mas perderam para os Sixers de Wilt Chamberlain nas finais da conferência leste. Na sua penúltima temporada 1967-1968, seus números começaram a cair um pouco, Russell no alto de seus 34 anos atingia 12.5 pontos e 18.6 rebotes por partida, mas ainda era decisivo ajudando seu time a se tornar o primeiro da história a reverter um revés de 3 a 1 na série, parando Chabmberlain e dando o passe para a cesta da vitória. Nesse mesmo ano bateram os Lakers nas finais da NBA, pela quinta vez seguida e de Russell chegou ao décimo título em doze anos de carreira. Sua última temporada foi turbulenta, faltando a reuniões obrigatórias dos técnicos da liga, sofrendo de exaustão aguda e com um recorde de 48-34, o pior dos Celtics desde 1955. Bill Russell renasceu e os Celtics também, conseguindo viradas contra Sixers e Knicks, foram as finais contra os Lakers, e com 21 rebotes de Russell bateram mais uma vez os Lakers. Assim Russell fechou sua carreira, sem voltar a Boston onde 30 mil espectadores esperavam pela equipe, surpreendendo a todos.
11 vezes campeão da NBA
   Após sua carreira da jogador, foi técnico nos Super Sonics e nos Kings, mas sem muito sucesso, teve seu numero aposentado pelos Celtics (#6) e em 2009 o prêmio de MVP das Finais foi batizado com seu nome em homenagem aos 11 títulos da NBA. O pivô possuí feitos históricos, como seus onze anéis, ser um dos quatro atletas da história a vencer a NCAA e NBA em anos consecutivos e ser o responsável por elevar o jogo defensivo da liga. Ele foi 11x Campeão da NBA, 5x MVP, 12x All Star, 3x All NBA First Team, 8x All NBA Second Team, 4x líder em rebotes, eleito um dos 50 melhores da história da NBA, 2x campeão da NBA como técnico (1968/1969 -  ainda sendo jogador). Simplesmente um dos melhores da história, não ficaria de fora da nossa série, terminando a carreira com médias de 15.1 pontos e 22.5 rebotes por partida.
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