quinta-feira, 14 de julho de 2011

Quando "treinar" não resolve nada


Quando nossa seleção Sub-19 perdeu o jogo para a Argentina, eu me frustrei demais. Essa é a consequência de acreditar em um time que não vai a lugar algum. Acontece muito com o meu Grêmio aqui. Mas esses moleques não são um time, por que os moleques desse grupo formaram uma equipe e são uma ótima safra de jogadores. Só resta saber se conseguirão vingar se ficarem no basquete brasileiro – lembremos dos moleques de 2007... Bom que alguns já estão em equipes europeias, universidades americanas e em clubes do NBB. Torçamos que conquistem espaços nessa fase de transição da adolescência para a vida adulta.

Imediatamente após o jogo comecei a pensar e pesquisar. Freneticamente! A primeira coisa que fiz foi ir atrás dos números da Copa América de 2010. Na CBB nada além do resultado dos jogos. Nem a lista dos atletas esta lá. Incrível! Só se vive o presente nesse país e se deixa de lado o passado que pode nos ensinar tanto. Tudo vira lenda no basquete brasileiro por que a história só é passada de forma oral, não se faz a armazenagem e divulgação de dados.

Enfim, tive que pesquisar em notícias e notas oficiais para saber quem estava lá, em San Antonio, um ano atrás.

Mas a estatística da competição, fui encontrar no site da  USA Basketball. Lá tinha o resumo do desempenho do Brasil Sub-18 sob a batuta do Walter Roese.

Resolvi comparar e criei os gráficos espalhados nessa postagem que mostram a estagnação da seleção Sub-19, na fase que os jovens estão treinando, aperfeiçoando e qualificando os diversos movimentos da modalidade.

Eu entendo por treinamento o processo no qual uma pessoa busca adquirir e aperfeiçoar habilidades que já possui e que, aperfeiçoadas, lhe permitarão desenvolver suas tarefas com maior precisão, eficiência, eficácia, maior índice de acerto, ou seja, muito melhor do que fazia antes de passar pelo treinamento. Isso é na vida e no esporte. Por isso que no treinamento desportivo se faz pré-teste (permitindo prescrever o treinamento para elevar o nível físico-técnico do atleta), pós teste (para medir se deu resultado o que foi proposto e colocado em prática) e se faz a periodização do treinamento, visando o peak na competição mais importante do ano. Mas isso é básico e na CBB todos sabem disso.

Tanto sabem, que criaram uma seleção de desenvolvimento. Belissímo projeto! Mandaram para o interior de Minas Gerais 16 jovens atletas e os estavam preparando para o mundial Sub-19. Bem, coincidentemente quando critiquei pela primeira vez a CBB lançou uma avaliação da seleção de desenvolvimento, alegando que o objetivo era desenvolver conceitos de jogo e elevar o nível técnico e físico de atletas com potencial para as seleções brasileiras. Somente 16 atletas teriam potencial para representar o Brasil no futuro? Isso sendo que alguns desses dezesseis atletas foram para lá com 15 e/ou 16 anos? Serão, todos, jogadores de basquete em 2021?

Então, se o nível técnico e físico elevou-se e cinco (05) desses jovens foram para o Mundial da Letônia, além dos oito (08) que se juntaram ao grupo em São Sebastião do Paraíso em maio e que estavam em seus clubes até então, é correto afirmar que quatro (04) jogadores da seleção sub-19 deste ano estavam na seleção de desenvolvimento desde 05/02. Mas também é correto afirma que dos treze jovens que partiram para amistosos e torneios na Europa, apenas dois (02) saíram desse projeto e apenas (01) permaneceu com a equipe no Mundial.



Com todo o treinamento da tal seleção de desenvolvimento, cometemos mais erros no Mundial do que havíamos cometido na Copa América. Diferença insignificante, mas mostra que tecnicamente não houve o progresso esperado, assim como as bolas roubadas mostram que não evoluímos na marcação – uma boa defesa gera tornouvers na equipe adversária e facilita o roubo de bolas. A estatística mostra que a defesa não evoluiu em um ano.

Agora, vamos analisar o desempenho de três pontos. Percebe-se imediatamente que o desempenho piorou. sim, piorou! Em seis jogos, foram 82 ataques com arremessos de longa distância errados e que não sabemos nas mãos de quem ficou a bola, consequência do rebote ofertado. Imaginem 40 desses ataques sendo convertidos de dois pontos… São mais 10 pontos por jogo para o Brasil. Bom, né!?!

Viram os lances livres? Melhorou um pouco, mas elevar em 4 lances a cada 100 é uma piada! Aliás, entre todas as seleções, desempenho nos lance livre acima de 75% foi raridade nesse mundial Bem, eu trabalho lance livre sob a percepção de que é preciso criar um ritual e se concentrar a cada vez que conquistar o espaço da linha de lance livre. Com a Hortência na CBB, quantas vezes ela foi palestrar para os atletas sobre o que ela realmente sabe? Ensinar a técnica de lance livre para os atletas é algo de grande utilidade...

Brigamos nos rebotes, mas pegamos menos do que na Copa América. E não pensem que nosso time é baixo: Walter Roese fez uma análise do Mundial e colocou que estamos entre as cinco (05) seleções com um contingente de alas, alas-pivôs e pivôs bem altos. Então, o que houve? Rebote não é só saltar e pegar a bola. É um conjunto de posicionamentos defensivos e de responsabilidades que levam aquela bola que ressalta no aro ou bate só na tabela. Por exemplo: marcar e dificultar a finalização dos adversários é muito importante nesse processo.

Outra coisa me intrigou: o bola ao alto. Só existe um bola ao alto no jogo e o Bebê não sair jogando, garantir a primeira posse de bola é algo irritante. É só para dizer que o moleque que iria para o draft da NBA não é tudo isso? Essa mania de brasileiro desvalorizar quem esta na luta e conquistando espaços por suas qualificações é muito ruim. Mas e quem saltava na única bola ao alto da partida? Arthur Casimiro. Nada contra o guri, ele é boa gente, educadíssimo, jogou no GNU, é gaúcho e eu estou analisando parte das estatísticas da seleção no mundial sub-19. Mas ele está pesadinho e o Bebê tem 2,13m. e uma explosão cavalar. Essa mania de querer que o Bebê vinha do banco, acabou com a estima do guri que mal conseguia jogar (vejam a foto, sintam a irritação dele ao ser substituído).

Portanto, a tal seleção de desenvolvimento foi um estupendo projeto que foi mal gerenciado, pois 8 atletas do Sub-19 foram convocados um mês antes da realização do Campeonato Mundial Sub-19, não tendo oportunidade de desenvolverem suas habilidades, serem orientados nos fundamentos do jogo, na necessária evolução técnica, coisas que cinco atletas tiveram oportunidade, mas que somados seus tempos de quadra resultou em menos de 25% do tempo de jogo total do Brasil no mundial. Os outros 75% de tempo de jogo foi dividido entre aqueles oito (08) jogadores que treinaram menos, vieram de competições e não estavam no mesmo nível de treinamento dos meninos da Seleção de Desenvolvimento. 

O resumo dessa ópera é o de sempre: dinheiro! Justificar-se-á ao COB e a Eletrobras os gastos da seleção de desenvolvimento, a presença de Rubén Magnano em São Sebastião do Paraíso, a permanente presença do técnico da Sub-19 e de todo o staff necessário para manter o projeto em andamento. É claro que a CBB dará uma mascarada nas contas. Tem sido sido assim, como já foi demonstrado em diversos blogs, especialmente a partir da análise do balanço da CBB debulhado no Bala na Cesta. Aliás, a CBV faz tudo isso em um centro de treinamento e nós gastamos 5 meses de hotel. Tá sobrando!
De prático para o nosso basquete fica que a presença de Rubén Magnano na Seleção de Desenvolvimento não nos ajudou a vencer a Argentina, pela quarta vez, diga-se de passagem: em 2010 no Mundial Adulto e em 2011 a Sub-15 e a Sub-16 em maio e Sub-19 em julho de 2011. Sugiro acender um alerta vermelho gigantesco, deixando-o piscar ininterruptamente até o grande técnico, salvador do baloncesto na pátria de chuteiras, obter um resultado positivo contra seu país. Serve na base, viu? Serve na Sub-17 agora em julho – aliás, por lá o clima não deve estar bom, depois da mal contada história do corte de Dimitri Souza.

Lembrem da explicação da CBB sobre o projeto, a presença do técnico da adulta por lá que queria intervir mais no processo de base, do provável overtraining e suas consequentes lesões, que os atletas saíram de lá com elas e estão virando-se por conta e etc. Fica claro que Rubén Magnano não esta levando o Brasil a vitórias. Queria intervir na base? Interviu e não adiantou nada. Continuamos fregueses…


Nesse caso, treinar, não resolveu nosso problema e não fez o Brasil conquistar resultados positivos entre os maiores do basquete mundial.

Clique aqui para visualizar os gráficos com melhor qualidade.

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